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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 946 / 2017

07/11/2017 - 11:13:49

Espaço de unidade de saúde vira depósito de sucata

Conselho Gestor pede providências ao MP; usuários do Roland Simon reclamam do descaso com a população

Maria Salésia [email protected]
Antônio Vasconcelos mostra espaço com entulhos e insetos

Moradores do bairro do Vergel, em Maceió, denunciam que um galpão que antes servia para obrigar usuários e realização de atividades de educação em saúde da Unidade Básica de Saúde Roland Simon, no bairro do Vergel, em Maceió, se transformou em depósito de sucatas. A queixa é que o local é foco de mosquito e outros insetos. No último mês de setembro, o Ministério Público Comunitário (MPC), do Vergel, esteve no local e constatou o problema.

Na visita, os membros do MP registraram imagens onde mostram que o pátio que antes pertencia ao Posto de Saúde, foi transformado em depósito de “equipamentos” de outras unidades. Com a redução da área, o Roland Simon amontoa os usuários em um espaço reduzido e sem conforto, não dispõe de saídas de emergência e nem extintores de incêndio.

Para chamar a atenção e pedir providências, membros do conselho gestor da USB Roland Simon compareceram no último dia 10 a Promotoria de Justiça Especializada de Saúde do Ministério Público. Na ocasião, eles relataram que a construção do muro e o acúmulo de sucatas tem prejudicado o atendimento e causado transtornos, colocando em risco a saúde dos usuários daquela unidade. 

O MP Comunitário tem usado suas redes sociais para mostrar o tamanho do problema. Em postagem do facebook do MPC, o administrador relata que durante  visita a USB, “funcionários que estavam no local informaram que estão ‘organizando’ o depósito e que vários caminhões já removeram parte do material que não teria mais condição de ser reaproveitado. O que ainda permanece será leiloado ou recondicionado para ser devolvido às unidades de saúde. Informaram ainda que não existe possibilidade de reintegração do pátio ao posto de saúde, pois a Prefeitura não dispõe de outro espaço para servir de depósito e que mais ‘equipamentos’ deverão chegar em breve.”

Na mesma postagem é mostrada a insatisfação. “Aparentemente não há interesse em solucionar os vários entraves que algo assim pode causar: falta de espaço, insegurança e a proliferação de insetos e animais nocivos à saúde”, diz relato de 6 de setembro deste ano.

Vários usuários da mesma rede social publicaram comentários sobre o assunto. Um diz que “sem noção esses que se dizem responsável, pois é um ato negativo deles, esse espaço pertence a UBS onde sempre foi o apoio e o local de espera e atendimento da marcação das consultas, onde nós usuários podia se abriga de chuva e sol, isso é uma área ventilada onde nos deixava confortável. É uma falta de respeito com nós usuários dessa unidade, eu só queria uma explicação a respeito de uma “reforma” que tira o espaço do povo que depende dessa unidade, levantam um muro e reduz o espaço e ficamos todos no calor sem direito ao nosso espaço de sempre, para se dizer que foi feita uma reforma onde esse espaço virou lixão, local de sucatas onde só tem a nos oferecer como usuários da unidade insetos. Que falta de respeito desses que se dizem entendidos, nunca precisou da unidade e nem nunca vai precisar”. Outro, “realmente é muito triste constatar que o espaço que antes era destinado a abrigar os usuários e atividades educativas virou um depósito irregular de lixo”, disse o internauta ao lembrar que no espaço eram realizadas várias atividades formativas do conselho gestor e agora pode contribuir para proliferação de doenças dentro de uma unidade de saúde. A indignação vai além: “Olha as casas de insetos. Nessas áreas não só existem ratos, mas sim gabirus, eles fazem a festa. Pilhas de fichas médicas que não podem ser jogadas fora se amontoam pelos cantos. Isso é um verdadeiro descaso com os usuários em transformar um posto de saúde em depósito de lixo.”

Antônio Vasconcelos, usuário e membro do conselho gestor da unidade de saúde, reclama que enquanto o secretário de saúde vai para televisão falar que tem mais remédio, mais saúde e mais tudo, só acontece para ele. “O mais dele só chega menos para nós. No Roland Simon falta tudo, até bebedouro para a gente tomar água. Sucateiam o posto, tiram peças para levar pra outros e a gente quem sofre”, criticou ao acrescentar que há poucos dias foi encontrado foco de mosquito da dengue, sem contar nos ratos, baratas e escorpião.

INSEGURANÇA

Na segunda-feira, 30, o EXTRA esteve na unidade e constatou a insatisfação dos usuários. Eles reclamam da falta de remédio, iluminação e segurança. Durante o dia, dois guardas municipal se revezam, mas à noite não fica ninguém. Funcionários e pacientes dizem que sentem medo ao sair da unidade, pois se trata de um local de risco. Inclusive, semana passada arrombaram uma sala e levaram balança e outros objetos. “Se acontecer uma tragédia aqui não temos a quem recorrer. As câmaras de segurança não funcionam, pois aconteceu o roubo e nada foi registrado”, reclamou um membro do conselho.

A insatisfação vem de longa data. Em 2014 o Ministério Público Comunitário e o Conselho Gestor entraram com ação para denunciar a precariedade no funcionamento da unidade. Agora, em 10 de outubro, o conselho gestor se reuniu com a promotoria de Justiça Especializada de Saúde do Ministério Público relatando sobre a construção de um muro na unidade que armazena sucata de outras unidades básicas, juntando água, mosquitos, rato e outros problemas. No termo de declarações eles alegam ainda que não há bebedouro para usuários, falta de medicamento e médicos suficientes para atender a demanda.

O diretor administrativo da Unidade de Saúde, Cristiano Lopes, disse que quanto direção não tem muito o que fazer, pois o espaço em questão pertence a secretaria de saúde. Mas, segundo ele, foi solicitado aos responsáveis pelo programa da dengue que seja tomada providência no sentido de acabar com qualquer foco do mosquito.

Nota à Imprensa

A Secretaria Municipal de Saúde, através da assessoria de comunicação, respondeu em nota à imprensa que diz: A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) esclarece que o espaço reclamado pela comunidade do Vergel do Lago, como parte da estrutura da Unidade de Saúde Roland Simon, nunca pertenceu à unidade.

Diz ainda a nota  da SMS: A área em questão foi durante um bom tempo cedida informalmente à unidade, mas após a reforma na estrutura da mesma, em 2015, o espaço – que passou a ser demarcado por um muro – voltou a fazer parte da Diretoria de Gestão Administrativa (DGA) da SMS, abrigando desde então equipamentos e móveis encaminhados para a Coordenação de Patrimônio, destinados à recuperação, leilão ou outra destinação mais adequada. A SMS reforça, no entanto, que a decisão não causou qualquer transtorno ao atendimento na unidade.

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