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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 945 / 2017

31/10/2017 - 09:58:03

Maconha continua em primeiro lugar

Sofia Sepreny Estagiária sob supervisão da Redação

Há anos o problema de drogas é recorrente no mundo das crianças e adolescentes. Em 1998 o EXTRA fez a primeira matéria sobre ilícitos nas escolas e o que imperava era a famosa maconha. Hoje, 19 anos depois a “erva” continua sendo a de mais fácil acesso e preferência. Isso não significa que outras drogas não estejam presentes em quantidades significativas nos ambientes de ensino.

“Hoje não temos nenhuma escola nos 50 bairros do município de Maceió, e ainda posso dizer do estado, que esteja absolutamente livre das drogas, não existe ambiente livre”, foi assim que a promotora de justiça Alexandra Beurlen, responsável pela 11ª Promotoria de Infância e Juventude da Capital iniciou nossa entrevista. Segundo ela, o que avança de anos para cá é a incidência da violência entre os alunos nas escolas, por conta das drogas e da comercialização destes produtos.

Ainda de acordo com a promotora, o álcool permanece em primeiro lugar no consumo de drogas, seguido pelo tabaco, produtos lícitos mas proibidos para menores de 18 anos. Já na relação das drogas ilícitas, a maconha continua na frente, assim como na primeira matéria em 1998. 

Com o intuito de inibir este avanço de consumo e venda no país, a Polícia Militar desenvolveu o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) ativo em Alagoas há 15 anos. A coordenadora do programa no estado e coronel da PM, Valdenize Ferreira, explicou um pouco como funcionam as etapas do programa. “ O Proerd atua de forma preventiva, em qualquer comunidade no estado. As solicitações são feitas por instituições, pelas escolas, pelas igrejas, por quem quer que seja para desenvolver o programa em determinados locais. De maneira contínua, o programa atua em forma de curso”.

Um meio de aproximação da Polícia Militar com os estudantes, o Proerd é formado por policiais capacitados, treinados e designados para cada tipo de criança e adolescente, buscando assim a maior aceitação entre os jovens. 

Além do consumo, o que mais preocupa os órgãos responsáveis e as famílias é o aumento do tráfico de entorpecentes, que carrega consigo a violência e outros problemas mais encorpados. É aí que entra o auxílio do Batalhão da Polícia Escolar (BPEsc), que fornece apoio às escolas no que se refere à segurança pública no entorno e no interior das instituições. Ademais do papel principal de prevenção e conscientização, o BPEsc também utiliza o serviço de inteligência da PM para estudar o entorno e a comunidade onde se localiza a escola. Através deste estudo é possível o monitoramento e a identificação dos pontos de atuação das facções e das bocas de fumo.

 O tenente coronel do Batalhão da Polícia Escolar da capital, Silvestre Santos, relata como funciona a atuação junto à Proerd e às diretorias das escolas. ‘Nossa atuação tem a intenção de oferecer segurança, com o crescimento do tráfico, a insegurança e violência também aumentaram e é preciso mudar isso. Procuramos trabalhar de maneira próxima com membros da comunidade escolar, para se criar um vínculo, uma afinidade maior”, afirma o tenente.

Ao ser questionado quais eram os bairros com maior incidência do uso e da venda de drogas nas instituições, o tenente afirmou que não existe maneira de pontuar ordenadamente, afinal todos os bairros têm grandes redes de tráfico. “Não dá para colocar em ordem, a maioria tem diversos problemas. Mas de maneira aleatória, temos muitos problemas na região do Tabuleiro, Clima Bom, Vergel, Jatiúca e Benedito Bentes onde 5 quilos de maconha modificada foram encontrados próximo a uma escola há poucos dias por exemplo. ”

MEIOS PARA 

O TRÁFICO

O Ministério Público está preocupado com a influência da falta de oportunidades e das classes sociais em relação ao tráfico de drogas entre crianças e adolescentes. “Hoje esses meninos podem chegar a receber R$ 3 mil, R$ 4 mil em uma semana, o que em um país em crise eles não conseguirão em lugar nenhum”, pontua Alexandra Beurlen. “É necessário mostrar para eles que este tipo de atuação traz consequências, causa sequelas, e que independente da falta de oportunidades, essa não é a melhor saída”, finaliza.

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