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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 945 / 2017

31/10/2017 - 09:55:58

Sem nexo e direção

ELIAS FRAGOSO

m política, às vezes a versão se torna mais importante que os fatos. Uma distorção típica do realismo fantástico que domina a cena nacional. Todos estamos lembrados da hoje fatídica e reconhecida mentirosa “Carta aos brasileiros” escrita pelo ex-ministro Palocci (atualmente preso, réu confesso e participe ativíssimo da ladroagem petista) e tronitroada pelo hepta réu como a “garantia” de que ao chegar ao poder, o PT iria respeitar os princípios republicanos e os pilares econômicos da boa gestão. Vimos (e estamos sentindo na pele) como acabou essa desventura nacional. A seita petista esfrangalhou o país e a economia na máxima magnitude.

Na quarta-feira desta semana, na Câmara dos Deputados - no auge do descrédito na política -  suas “excelências”, em eleição apertada (diferença de menos de 20 votos) eivada de compra de votos, livraram a cara do presidente que 97% dos brasileiros desaprovam (linguagem elegante para dizer que adorariam vê-lo fora do governo) de ser processado no Supremo.

O interessante (se é que isso poderia ser chamado de interessante) foi ouvir as platitudes de sempre da bancada das emendas espúrias que votou pró Temer, ou a favor do quadrilhão, no dizer de próceres da oposição, como justificativa a seus votos kamikaze: “pela manutenção da estabilidade da economia” ou “para assegurar a continuidade do crescimento”. 

Melhor seria fazer como outros envergonhados eleitores do Sr. Temer que, sob o argumento de “acompanho o voto do relator” ou mesmo de um simplório sim dito de forma rápida, quase escondida das câmeras, vomitaram seus votos por detrás dessa sutileza legislativa. Mas todos eles sabem que votaram pela manutenção da corrupção, do compadrio e da auto proteção criminosa entre aqueles do “andar de cima”. Contra a Nação.

Até porque há muito tomaram consciência de que a permanência de Temer no poder enfraquecido e mendigante de apoios, é tudo que precisam e desejam para continuar a extorquir recursos públicos em nome da tal “estabilidade”. 

O presidente perdeu qualquer condição de governar o país, desde os fatídicos acontecimentos da gravação indesmentível da JBS onde foi pego em negociatas com o Sr. Joesley Batista, ou do vídeo do deputado saltitante carregando mala com 500 mil reais que, segundo o Ministério Público e a delação dos dirigentes da JBS, se destinavam a ele.

Os próximos dias e meses vão desnudar essa fragilidade política, a desimportância política desse recordista de rejeição e o abandono de qualquer veleidade de governar que não a de se sustentar no poder até o final de 2018. Um martírio que a Nação parece que terá que suportar, não bastasse as agruras provocadas pelo PT (não esqueçamos, o cara era o vice-presidente do poste que esteve à frente dos nossos destinos até ser escorraçada por incompetência e corrupção).

Sem as reformas (afirmei um ano atrás que não sairiam) ou com reformas meia boca que pouco ou nada resolverão em termos dos problemas estruturais do país, veremos o presidente, cada vez mais um zumbi político, ser abandonado pelas siglas principais (a proximidade das eleições faz com que, de repente, políticos se tornem racionais procurando ajustar seus atos aos humores do eleitor) e dominado pelo baixo clero e pelo Centrão insaciáveis e vorazes em suas fomes de cargos e grana pública para fins não tão republicanos.

Este governo, sem direção e nexo, caminha feito bêbado rumo ao bar: sabe onde fica, mas não sabe se dará conta de chegar até lá, tal a bebedeira.

Pior para nós.

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