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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 945 / 2017

31/10/2017 - 09:55:31

Alguém está lá em cima...

Alari Romariz Torres

“Nasci pobrezinha, qual ave no bosque/ Mas tenho uma estrela que Deus me guiou/ Eu tenho a estrela sublime de artista/ E nem por impérios tal estrela eu dou”. Versos do meu avô, poeta penedense Sabino Romariz, que morreu jovem, em 1913. 

Aí, eu me lembrei de uma menina loira, nascida em março de 1941, que teve excelente infância. Pais pobres, jovens apaixonados, tiveram oito filhos, criados num ambiente saudável e agradabilíssimo.

Com 15 anos, a moça reencontrou um amigo de infância, num baile de Carnaval. No fim do ano com novo encontro no Natal, apaixonaram-se, namoraram longamente, casaram, tiveram quatro filhos e foram felizes para sempre.

Os mistérios da vida são muitos e temos a leve impressão de que alguém lá de cima mexe os cordões de nossa vida para um lado, para o outro.

Saímos de casa e não sabemos se vamos retornar. A violência, aliada à insegurança, vigora atualmente e os mais velhos, então, vivem assustados.

Certo dia, a mulher, já passando dos 70, faz um levantamento de sua vida e verifica a sorte que teve em sua passagem pelo mundo de meu Deus.

Resolve perguntar ao ser superior, em quem tanto acredita: Por que, mestre, tive a sorte de ser tão feliz? E ouve uma voz grave: “Minha filha, você não percebeu que existe um lado mau em sua vida? Você é aposentada do Poder Legislativo de Alagoas. Sua missão, querida, é longa e espinhosa. Vai lutar por seus mínimos direitos. Deve ajudar seus companheiros, perseguidos pelas peripécias de sucessivas Mesas Diretoras que por lá passam”.

E a Velhinha das Alagoas acordou de um longo sonho! Felicidade completa não existe! Há sempre o lado ruim de nossa vida; sérios problemas surgidos pela maldade existente na cabeça de gestores inescrupulosos.

Aí, liga uma filha: “Mãe, lembrou que dezembro está chegando e sua neta número 5 vai se formar no ITA? Lembre também que em novembro nascerá Laura, sua primeira bisneta. Cuide-se! Você não pode perder nada!”

Volta o lado bom da vida e a idosa se recorda que ela e seu marido, ambos com 76 anos, estão lúcidos, administram sua casa, viajam juntos, cumprem suas obrigações.

De repente, liga uma companheira inativa: “Alari, não recebi tal vantagem; cortaram meus proventos”. Outro pergunta: “Não recebi meu salário. Por que?”

A cabeça da velhinha gira e ela vai procurar saber com as amigas sindicalistas o que está acontecendo. A quem ela deve se dirigir? Ao Poder Legislativo ou ao AL Previdência? É o lado ruim da vida que insiste em voltar!

Daí, entendermos que nossa passagem pela terra é efêmera, dirigida lá de cima. Se vivemos bem ou mal não depende de nosso controle. Temos uma missão e devemos cumpri-la com firmeza.

A Velhinha das Alagoas teve muita sorte no lado familiar, mas teve muito azar no lado funcional. Precisa ter forças para combater a maldade dos políticos. Eles só pensam em dividir o dinheiro público entre eles próprios.

Vendo o exemplo das prisões e condenações de empresários, parlamentares e governadores pelo Brasil todo, a pobre idosa tem a esperança de que em Alagoas as autoridades punam os culpados.

Os altos e baixos de nossas vidas nos levam a crer que dos céus vem o controle de nossas vidas. Quando temos sorte, vivemos bem, curtimos nossas famílias. Quando algo de mal acontece, precisamos administrar o problema.

No meu caso, o lado bom superou o lado mau e vou caminhando até cumprir o destino que me coube. Como escreveu o meu avô Sabino Romariz, “nem por impérios tal estrela eu dou”. 

Deus existe. Não duvidem. 

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