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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 945 / 2017

31/10/2017 - 09:54:52

Comendo pelas beiradas

Jorge Morais

Não conheço outra forma de comer papa bem quente. Para não queimar a língua, só pelas beiradas, até deixar o meio esfriar. Faço a comparação para dizer que é como vejo, hoje, a política praticada pelo governador Renan Filho em relação ao seu provável adversário, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira, se é que ele vai mesmo se decidir por uma candidatura ao governo do Estado, em 2018, abrindo mão de quase três anos que ainda teria pela frente na Prefeitura.

Enquanto Rui Palmeira permanece calado quanto ao seu futuro político, em um silêncio quase sepulcral, dele e de seus principais assessores e conselheiros políticos, Renan Filho segue anunciando e inaugurando obras no reduto do prefeito - Maceió - e em todo o estado, sem olhar a quem. O governador não faz conta em relação a quem é o prefeito, se de seu partido - o PMDB - de aliados ou da oposição, inclusive do PSDB, partido de Rui, sem necessidade de citar nomes.

Se não bastasse tudo isso, o governador Renan Filho resolveu abrir outro campo de batalha: recruta novos aliados nas bases de Rui Palmeira. Primeiro foi Ronaldo Lessa e seu PDT, reforçado dos dissidentes do PSB de Kátia Born, insatisfeitos com chegada de João Henrique Caldas (JHC), desde as eleições municipais do ano passado. Mais recentemente, o governador fechou um acordo com o Partido Trabalhista Cristão (PTC), que tem como principal liderança no estado o senador Fernando Collor.

O PTC desembarca no governo do Estado com a presidência da ex-prefeita Célia Rocha, de Arapiraca, que espera abrir caminho político para Arnon  de Mello, filho de Collor, candidato a deputado federal por seu partido. O PTC não tem tempo de televisão como o PDT, mas deverá ter uma boa densidade eleitoral pelos nomes que estão sendo convidados a formar no novo grupo. Tudo isso com a autorização de Daniel Tourinho, presidente nacional do partido, e a anuência de Paulo Memória, até bem pouco tempo presidente estadual. Não se sabe como vai ficar o PTC, ainda na estrutura da Prefeitura de Maceió.

As novidades não param por aí. Com a ligação estreita entre o senador Renan Calheiros e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, logo, logo se junta nesse apoio a Renan Filho o Partido dos Trabalhadores, mesmo desgastado nacionalmente, por uma decisão expressa do Lula. O interlocutor do ex-presidente será o deputado federal Paulão, que até precisa dessa ajuda para tentar salvar um novo mandato, com essa decisão vinda de cima.

Por tudo isso que está acontecendo, muita gente acha que Rui Palmeira está perdendo tempo com esse silêncio. Tem gente que gostaria de já estar percorrendo o estado, nem que fosse para receber abraços, tapinhas nas costas ou participar de festa de “bonecas”. Segundo se comenta a “boca miúda”, um título de cidadania em qualquer lugar vale um bom espaço na mídia e fortaleceria a imagem do prefeito que é pouco conhecido em alguns lugares.

Hoje, politicamente falando, o prefeito de Maceió só conta com o PSDB, de quem recebeu, recentemente, carta branca do ex-governador Teotonio Vilela, que lavou as mãos para não ser acusado de estar atrapalhando o futuro do prefeito, que deverá conduzir o partido daqui para frente; do DEM, comandado no estado pelo secretário de Saúde de Maceió, José Thomaz Nono; do Partido Popular; e do Partido da República, do ministro Maurício Quintela, que já se declarou fechado com Rui Palmeira. Você acha que é pouco ou está de bom tamanho? Com a resposta o prefeito. 

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