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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 945 / 2017

31/10/2017 - 09:53:28

Estamos chipados

JOSÉ MAURÍCIO BREDA

O historiador israelense Yuval Noah Harari, em artigo na revista Veja, Adeus ao Livre Arbítrio, com tradução de Paulo Geiger, afirma que a cada dia ouvimos menos os nossos sentimentos. Que isso é coisa do passado. “Na era do big data, do Google e do Facebook, os algoritmos têm as respostas que procuramos – e decidem por nós”. Lembra que durante milhares de anos a autoridade era advinda dos deuses, depois, já na era moderna, essa foi transferida gradualmente para as pessoas. Pensadores humanistas como Rousseau (1712-1778) nos fizeram ver que os nossos próprios sentimentos e desejos eram a fonte definitiva dos significados e que nosso livre arbítrio era a mais alta de todas as autoridades. Nesse momento, uma nova mudança está ocorrendo. “Assim como a autoridade divina foi legitimada pelas mitologias religiosas, e a autoridade humana foi legitimada pelas ideologias humanistas, da mesma forma os gurus do high-tech e os profetas do Vale do Silício estão criando uma narrativa universal que legitima a autoridade de algoritmos e do big data (termo que designa a capacidade tecnológica de captar, organizar e interpretar, automaticamente, imensas quantidade de dados)”.

Nada mais, nada menos, do que nos vem ocorrendo diariamente. Tudo e todos sabem dos seus gostos, costumes, hábitos, a ponto de lhe conhecerem melhor que você mesmo. Além do Google, Facebook e outros afins, quando nós fornecemos nosso CPF para que uma empresa faça um Cartão Fidelidade, prometendo que aquilo dará pontos para descontos futuros, naquele momento é como se fosse instalado um chip em você. Mais, se a empresa não tiver porte para montar seu próprio banco de dados, isso será feito por outra especializada que deterá uma quantidade infinita de informações de milhares de clientes. Se se vai montar uma empresa, compra-se um cadastro que contenha clientes com potencial para o ramo que se pretenda. No caso de farmácia, sabe-se quem é hipertenso, diabético ou outra qualquer doença crônica. Uma moça que comprar um teste de gravidez, caso dê positivo, voltará para comprar um outro medicamento para seu estado. Charles Duhigg, em seu livro Poder do Hábito, Objetiva, relata que um pai viu chegar em sua casa uma oferta, de loja de departamentos nos Estados Unidos, de produtos para recém nascidos, em nome de sua filha. Foi ao estabelecimento reclamar pois sua filha era adolescente e ainda cursava o ensino médio. Recebeu as desculpas cabíveis mas, após alguns dias, telefonou desculpando-se pois, de fato, sua filha estava grávida. Definitivamente, os algoritimos estão prontos para assumir o controle.

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