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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 945 / 2017

31/10/2017 - 09:46:52

Jorge Oliveira

Temer: inútil e despreparado

Jorge Oliveira

Barra de São Miguel, AL - O Brasil está sem rumo, avacalhado e anarquizado. Poucas são as instituições que funcionam com ética e respeitabilidade. O presidente Temer – herança maldita da turma do PT – está leiloando o país. Entrega-o a grupos de deputados para se livrar das denúncias de corrupção que pesam sobre ele e seus comparsas do Planalto – Eliseu Padilha e Moreira Franco. Com uma popularidade que beira a zero, Temer tem se mostrado um presidente despersonalizado, despreparado, fraco e inútil. Mesmo assim, no fundo do poço, confronta a ordem institucional com mudanças nas leis do trabalho escravo, redução das multas aos infratores do meio ambiente para beneficiar a bancada ruralista, anistia fiscal aos caloteiros e a distribuição de milhões de reais dos cofres públicos, por meio das emendas, para comprar votos de parlamentares servis e submissos ao poder.

 O PT, que adotou esse personagem indigesto à política brasileira, exerce uma oposição moderada, pois também é responsável pela bagunça desde que indicou Temer para vice da Dilma. Os deputados, que vivem das boqui-nhas, fazem vista grossa para a esculhambação geral que transforma o país em uma republiqueta de bananas. E a turma de Henrique Meirelles, o ministro que representa os banqueiros, tenta argumentar que, apesar da bagunça, a economia está melhorando para tentar justificar essa política medíocre e inescrupulosa que se pratica em Brasília. Cada dia é dia de um escândalo envolvendo Temer e a sua turma, enrolados com o que existe de mais sujo nos porões da política. 

A história da banda podre do PMDB é antiga. E a sua parceria com o PT é mais antiga ainda. Para chegar ao poder, a petezada fez concessões vergonhosas. Aliou-se a tudo que não presta na política. O governo do PT foi sustentado no Congresso Nacional pelo PMDB, que também ocupou ministérios e outros órgãos nos anos da administração petista. Depois que foram expurgados de Brasília é que o partido começou a divulgar o “Fora Temer” que até então atendia a seus interesses quando foi vice duas vezes de Dilma e aliado de Lula desde as primeiras eleições. Geddel, por exemplo, é o retrato dessa aliança espúria. Foi vice da Caixa Econômica Federal da era Dilma. Com a propina das negociatas criou o seu próprio banco dentro de um apartamento em Salvador.

Agora, para respirar até o final do mandato, Temer brinca de distribuir dinheiro público como se a chave do cofre fosse dele. Desorganiza a economia e a estrutura do país. Baixa portarias sem respeitar as leis vigentes e liquida o orçamento manejando-o a seu bel prazer para evitar que a Câmara Federal vote pelo seu afastamento. Não se sabe de uma obra desse presidente, de uma ação concreta para melhorar a situação da saúde e da educação e outros setores sociais. Não há notícia de algum empreendimento na área da infraestrutura. As obras, paralisadas no governo petista, continuam do mesmo jeito. Canteiros abandonados e recursos desperdiçados de Norte ao Sul do país. Temer, anestesiado pelas denúncias de corrupção desde que iniciou o governo, paralisou o país para cuidar diariamente da sua defesa, como se fosse possível parar a sétima economia do mundo para esperar pela absolvição de Sua Excelência pelos crimes a que responde.

Os prisioneiros

Eduardo Cunha, Geddel e Henrique Alves, os mais íntimos amigos do presidente, estão guardados no presídio. Contra os três a denúncia de terem sido beneficiados com dinheiro roubado da Petrobras. Os outros dois da cozinha do Planalto, Eliseu Padilha e Moreira Franco, ainda não estão em cana, mas vivem enclausurados com medo de botar a cara na rua. Temem ser insultados pela população ou até mesmo agredidos, como ocorriam com os ex-ministros petistas em locais públicos. 

Impopular

Como um presidente pode dirigir um país com tão baixa popularidade e tantas acusações de corrupção? Não se conhece crise política e institucional no Brasil semelhante a essa nos últimos trinta anos. Ninguém acredita nos políticos, na justiça e no executivo, o tripé de uma democracia. O pior é que não se vislumbra uma saída a curto prazo. Os candidatos que se apresentam como opção para 2018, francamente, estão longe de trazer esperança de dias melhores para o povo brasileiro. 

(Escrevo esta coluna na terça-feira, véspera da decisão, com a convicção de que mais uma vez a Câmara Federal fica de quatro diante do poder e envergonha o Brasil).

O professor 

Confesso que ainda estou impressionado com a inteligência e a sagacidade dos advogados do procurador Marcello Miller. Estou, inclusive, invejoso da competência desses defensores pela forma como orientaram seu cliente a dizer na Polícia Federal que o envolvimento dele com os irmãos Batista – Joesley e Wesley – foi somente professoral, ensinar gramática. Como os goianos falam errado e escrevem mais errado ainda, Miller serviu de revisor do texto das delações premiadas que os irmãos entregaram à Procuradoria-Geral da República na primeira fase dos depoimentos. Entendeu bem? Vou repetir: Miller, braço direito de Rodrigo Janot na procuradoria, não cometeu nenhum crime no exercício do cargo. Isso mesmo! Apenas atuou como mestre para corrigir os erros gramaticais dos dois alunos.

Fantasiosa

Ao ler essa versão fantasiosa me senti o sujeito mais idiota do mundo por não compreender rapidamente que os encontros do procurador com a turma dos Batista não passavam de reuniões educacionais. Posso imaginar o Miller diante de uma lousa no escritório dos Batista, com uma régua na mão, corrigindo o vernáculo dos irmãos para evitar um vexame durante os interrogatórios deles na própria procuradoria. Mas as aulas, pelo visto, não foram bem assimiladas pelos Batista a julgar pelo diálogo regis-trado entre Joesley e Ricardo Saud, seu assessor. Os dedicados discípulos do procurador não absorveram bem as aulas e trucidaram impiedosamente a língua pátria. Miller, pelo que se viu, não foi um professor competente.

Humor

Se não fosse verdade, certamente seria cômico ouvir a versão de Miller, o procurador que esteve envolvido diretamente na delação premiada dos Batista. E que, ainda no cargo, prestou consultoria milionária para os empresários dentro de um escritório de advocacia para onde se mudou depois de se desligar do emprego público. Vejam os senhores de quem Rodrigo Janot se fazia acompanhar. Tinha ao seu lado um profissional capaz de inventar tamanha sandice na falta de um argumento mais plausível para justificar os milhões de reais que recebeu para ensinar português aos empresários goianos.

Os babacas

Ao criar essa história de “professor”, Miller chama a todos nós de babacas. E a Polícia Federal de incompetente se engolir essa versão estapafúrdia de que nas suas folgas aprimorava o texto da delação premiada dos Batista para que os meninos se afinassem com a gramática e escrevessem a delação corretamente. O procurador, sobre quem pesa a denúncia de favorecimento aos empresários, ainda tem tempo de corrigir esse depoimento fantasioso e ignóbil, antes que os Batista decidam contar o que sabem sobre ele. Se resolverem abrir o bico, como fazem sempre, certamente o professor Miller ficará em maus lençóis, como já assistimos com outros envolvidos nessa prática de esconder o jogo para protelar uma ação mais rápida das investigações.

Enrolação

É claro que ninguém vai engolir esse conto da carochinha do Miller. A Polícia Federal e seus colegas procuradores têm meios para provar o envolvimento dele com os empresários. Um deles é abrir seu sigilo fiscal e bancário. Lá, certamente, vão encontrar a dinheirama que ele recebeu do escritório para ajudar na delação dos Batista, até então contemplados com a impunidade total dos seus crimes. Seus colegas têm a obrigação de ir fundo na apuração do caso Miller, pois, caso contrário, estariam defendendo o espírito de corpo, muito ruim para uma categoria que se propõe a botar os corruptos na cadeia.

Suspeito

A gestão de Rodrigo Janot deixou dúvidas quanto à imparcialidade das investigações sobre os irmãos e levou a crise da Lava Jato para dentro do seu gabinete, quando viu Miller, seu braço direito, envolvido diretamente com suspeitos de lavagem de dinheiro e corrupção. Cabe agora à nova procuradora-geral Raquel Dodge reordenar a casa para evitar o que está acontecendo com a exposição de membros do órgão interrogados nas CPIs do Congresso Nacional. Se assim o fizer, Dodge estaria dando um freio na vaidade dos seus colegas e estancando o envolvimento de alguns deles com políticos e empresários bandidos. 

 

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