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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 945 / 2017

26/10/2017 - 18:57:10

Mais 7 usinas pedem recuperação judicial

Credores já contam com novo calote do grupo cuja dívida pode ser superior a R$ 3 bilhões

José Fernando Martins [email protected]
Presidente da Asplana, Edgar Filho diz que dívida da cooperativa com fornecedores de cana chegou a R$ 250 milhões

Após o baque da notícia da recuperação judicial da Cooperativa dos Usineiros, a Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana) procura uma maneira de minimizar seus prejuízos. Será a quarta recuperação judicial que a entidade irá enfrentar desde 2012. De lá para cá entraram na “dança” o Grupo João Lyra, a Usina Utinga Leão e a Usina Triunfo. Diferentemente das duas últimas, apenas o império do ex-deputado federal sucumbiu à falência até o momento. 

“Na realidade, a questão da Cooperativa dos Usineiros já era esperada. Tanto é que há um ano as usinas que fazem parte desse grupo estavam com um débito de cerca de R$ 250 milhões só com os fornecedores de cana. Também se falava na tentativa de financiamento no valor de R$ 1 bilhão com um banco internacional, o Credit Suisse, tendo o aval do governo federal. Mas, com a troca de presidentes, ministérios e a crise brasileira, a transação acabou não acontecendo”, explicou o presidente da Asplana, Edgar Filho. 

A recuperação judicial da Cooperativa dos Usineiros poderá resolver as pendências de sete usinas: Capricho, Penedo, Porto Alegre, Porto Rico, Seresta (da família do ex-governador Téo Vilela), Sinimbu e Sumaúma. “Por outro lado haverá um calote nas dívidas com os credores, o que irá dificultar ainda mais a atividade da produção de cana aqui em Alagoas. Vou procurar a bancada federal para tentar uma saída para os fornecedores que têm débitos para pagar. Tem de haver um perdão de dívida ou algum dinheiro que venha do Estado. Isso para ajudar os fornecedores que não irão receber”, disse Filho comparando a recuperação judicial com um calote legalizado. 

TRÂMITES 

A recuperação judicial tramita na 4ª Vara Cível da Capital - Foro de Maceió pelas mãos do juiz Ayrton de Luna Tenório. Segundo os autos do processo publicado na quarta-feira, 25, o magistrado nomeou para exercer a função de administrador judicial o escritório Evandro Jucá Filho. A empresa terá o prazo de 30 dias para apresentar proposta de honorários, levando em consideração a capacidade de pagamento das devedoras. O valor da ação é de R$ 535,2 milhões.

O administrador judicial ainda terá 45 dias úteis para expor as relações de credores e intimar Ministério Público Estadual e comunicar às Fazendas Públicas Federal, Estadual e Municipais e a Junta Comercial de Alagoas, para anotação do pedido de recuperação; e 60 dias para apresentar um plano de recuperação. “As sociedades requerentes afirmam que necessitam de um procedimento recuperacional que atenda às necessidades de todas uniformemente”, descreveu o magistrado. 

E continuou: “ressalta que se pode dividir as nove sociedades que compõem o polo ativo da demanda da seguinte forma: a Copertrading que faz parte da cadeia de comercialização dos bens produzidos pelas requerentes; as usinas que são as efetivas produtoras do etanol, açúcar e melaço; e a requerente Mecânica Pesada Continental S.A., empresa metalúrgica, que foi responsável pela produção de maquinários utilizados pelas usinas da cooperativa”. 

Afirmou também que a Copertrading, ao contrário da Cooperativa, compõe o polo ativo da recuperação judicial em litisconsórcio ativo com as oito demais requerentes, por ser empresa controlada pela Cooperativa e o braço de comercialização do próprio sistema cooperado como um todo.

DÍVIDA 

BILIONÁRIA

Conforme um ex-diretor da Cooperativa dos Usineiros de Alagoas, que preferiu não se identificar, a derrocada de grande parte das usinas de Alagoas foi causada, sobretudo, por uma política de saque. “Usineiros inescrupulosos pilharam as próprias empresas, abandonando à mercê da sorte seus funcionários, fornecedores de cana, o comércio e a sociedade alagoana. Não satisfeitos com a secular exploração das camadas menos favorecidas do estado que ostenta alguns piores indicadores sociais do mundo, esse bando inconsequente achou por bem desferir o golpe final nessa sociedade miserável”, desabafou.

Ainda segundo o ex-diretor, a dívida real dos usineiros chega ao assustador valor de R$ 3 bilhões. “Ora, como podem essas empresas alegarem total descapitalização, se as mesmas famílias proprietárias são portentosas investidoras dos mais diversos ramos, inclusive no próprio setor sucroalcooleiro aqui e em outros estados brasileiros? Enquanto esse império paralelo segue de vento em popa, recai sobre as cansadas costas da sociedade alagoana o peso do gigantesco passivo originado por tamanha irresponsabilidade”, desabafou.

PREOCUPAÇÃO

O vice-presidente da Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Açúcar no Estado de Alagoas (Stia/AL), Cristophanes Lima, teme o pior: a falência da cooperativa pondo fim o trabalho de mais sete usinas. “O que acarretaria na perda de mais de 60 mil empregos diretos”, destacou. Segundo Lima, as sete usinas que entraram com a recuperação judicial são, na verdade, empresas familiares, que estão quase à ruína financeira por má administração.

“Outra preocupação é o pagamento dos funcionários que sempre vem com atraso. Ano passado houve demissão em massa e não pagaram a totalidade das rescisões”, revelou Lima, ressaltando a certeza de que a recuperação judicial tem tudo para se tornar mais uma Laginha em Alagoas. 

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