Acompanhe nas redes sociais:

19 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 944 / 2017

24/10/2017 - 10:47:19

Encurtando a liberdade

Alari Romariz Torres

Vivemos num país aparentemente livre. Podemos escrever e falar quase tudo, respeitando as leis, evidentemente.

Na infância, temos pais, ou alguém, que nos orientam e nossos limites são impostos pelos mais velhos. “Não faça isto! Não pise ali” e quem tem a sorte de ser criado por pessoas normais, aprende onde deve chegar devidamente orientado.

Vem a adolescência, período em que homens e mulheres se acham “donos  do mundo”. Conhecido general dizia sempre: “Quero ser a metade do que um cadete pensa que é“. Na realidade, há jovens mais conscientes do certo e do errado. Mas é justamente na adolescência que acontecem os grandes desastres. A droga, por exemplo, atinge os jovens quando mal deixam a infância, aos 14, 15 anos.

Moramos, determinada época, na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, e víamos moças e rapazes dormindo ao relento, embriagados e drogados. Meus filhos estavam com 13 e 16 anos e me assustava com o que presenciava.

Para mim o melhor remédio era ocupá-los em muitas atividades e exercícios físicos. Não imaginava que o álcool era pior do que as outras drogas; era lícito.

E vamos procurando a liberdade com o passar dos tempos! A mulher, no Brasil, sempre foi mais vigiada, mas havia as rebeldes. Ir às festas num município vizinho, na minha juventude, era mais fácil para os rapazes. As moças, normalmente, iam aos bailes acompanhadas pelos pais ou pelos irmãos. As mais ousadas desobedeciam às regras e “pulavam a cerca”. 

Fui considerada por alguns como avançada demais, por que ia de avião para o Rio de Janeiro encontrar o namorado. Meu pai dizia: “Vá e se respeite. Ou então, ele mesmo não a respeitará”. Cheia de orgulho, fiz algumas peripécias, devidamente autorizada.

Para uma moça de família casar, uma das exigências era ser virgem. Não que todas seguissem a regra, mas a fiscalização era grande. De vez em quando uma jovem ficava grávida e casava “às carreiras” ou então, virava mãe solteira. Esse fato, naquela época, anos 50, 60, era gravíssimo!

Os homens tinham mais liberdade: saíam, bebiam e frequentavam o baixo meretrício. Nada atingia o rapaz que assim procedia. 

Conheci casos interessantes de mães solteiras que se casaram depois, tiveram filhos e foram felizes para sempre. Outras se prostituíram e algumas criaram a criança e nunca tiveram marido.

Na realidade, tudo era muito escondido. Hoje o mundo é outro! A liberdade para homens e mulheres é bem maior! “O namoro começa pelo fim”, como diz uma velha amiga minha. Espanto-me vendo quase crianças de 13, 14 anos frequentando bares, completamente desacompanhadas. A gravidez precoce existe e o lugar não precisa ser grande ou pequeno; meninas carregam outras, seus filhos, nos braços.

Atualmente, continua crescendo o problema das drogas. Acompanho, pela imprensa, a luta de pais com filhos e filhas viciados.

Outro fato que me assusta é a falta de respeito. É terrível ver as crianças tratando os pais grosseiramente em ambiente público. Inexiste o respeito pelos mais velhos. É com temor que um idoso se dirige a certos jovens, pois não se sabe o que acontecerá.

Nos colégios há casos de agressão aos professores. Vez em quando vemos na mídia jovens agredindo os mestres no ambiente escolar. Talvez os pais tenham delegado à escola o papel que deveria ser deles: o de educar.

Adultos, percebemos nossos limites com mais clareza. Como devemos tratar o irmão, o filho, os pais velhos. Encolhe, nesse caso, a liberdade de agir e nosso limite é controlado por nós mesmos.

A tecnologia, através do computador, celular e outros aparelhos, facilita o acesso das crianças a mundo diferentes, tornando a fiscalização dos pais bem mais difícil.

Agora, com meus bem vividos 76 anos não sei se melhoramos ou pioramos! Precisamos ser mais vigilantes com o mundo atual. Entretanto, continuam existindo mães solteiras, filhos drogados, crianças atrevidas!

Talvez nossa liberdade tenha encurtado com o amadurecimento e tenhamos consciência de nossos limites.

Deus sempre no comando!

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia