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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 944 / 2017

24/10/2017 - 10:45:05

Clima ruim não muda o resultado

Jorge Oliveira

É possível que não aconteça nada em relação ao resultado da votação no plenário da Câmara dos Deputados quanto a um possível afastamento do presidente Michel Temer da Presidência da República. Na primeira votação, quando foi arquivada a denúncia contra Michel, a vantagem obtida foi tão considerável que os números podem ser diferentes, mas ainda serão favoráveis ao presidente. A crise entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), não deverá interferir nesse novo pedido de afastamento, que é fruto de uma nova denúncia da Procuradoria Geral da República ao apagar das luzes da gestão Rodrigo Janot.

A crise se agravou por conta da gravação de delação premiada do principal doleiro do PMDB, Lúcio Funaro, que fez acusações diretas ao presidente Michel Temer, e do vídeo que vazou nas redes sociais. Para o novo advogado de Temer, Eduardo Carnelós, essa delação corria em segredo de justiça e foi postada no site da Câmara dos Deputados irresponsavelmente. O advogado fez acusações contra o deputado Rodrigo Maia, tratando o assunto como um “criminoso vazamento”. Maia respondeu dizendo que, quando Temer precisou da Câmara para ter sua primeira denúncia arquivada, foi ele quem trabalhou nesse sentido e obteve o resultado favorável ao presidente.

O que respondeu Rodrigo Maia: “Da minha parte, uma perplexidade muito grande ver o advogado do presidente da República, depois de tudo que fiz pelo presidente, da agenda que construí com ele, de toda defesa que fiz na primeira denúncia, ser tratado de forma absurda e, vamos chamar assim, sem nenhum tipo de prova, de criminoso”. Ao tempo em que se defende, Maia diz que recebeu o vídeo da presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, que, praticamente, lhe deu sinal verde para que fizesse a postagem, o que torna muito mais grave o acontecido.

Por sua vez, o ministro-relator que analisa e determina as ações e encaminhamento sobre as denúncias contra Michel Temer, rebateu a autonomia da utilização pública da delação de Lúcio Funaro, alegando que não havia autorização para isso e que o  processo ainda corre em segredo de justiça, mesmo que não tenha sido isso o que disse Rodrigo Maia, informando que o ministro Edson Fachin em nenhum momento se posicionou contrário a publicação. Isso serve para mostrar o que é essa “bagunça” entre os Poderes brasileiros.

Mas, onde é que tudo isso vai interferir no novo julgamento contra Michel Temer? O novo processo terá seu prosseguimento autorizado ou arquivado como da primeira vez? Dizem que, dessa vez, o presidente já terá a primeira vitória na comissão que analisará o relatório do deputado Bonifácio de Andrada, que pede o arquivamento. No plenário, o resultado também não será diferente, pois Temer com seu jeito mineiro de ser, mesmo sendo paulista por adoção, vai apagar o incêndio criado com o Rodrigo Maia por seu advogado, que já se apressou em pedir desculpas, e continuará distribuindo milhões e milhões de reais para obras de emendas constitucionais.

Como opinião pessoal, acho que o Michel Temer, mesmo com sua popularidade baixíssima - ótimo na faixa de 3 por cento - vai conseguir escapar dessa também. Só não tenho certeza mesmo é o que vai acontecer depois. As denúncias do doleiro Lúcio Funaro são gravíssimas, mesmo que até agora seja somente no discurso e que todos os acusados se defendem dizendo que é tudo mentira. Na verdade, essa situação deverá ser empurrada com a barriga, depois vem o recesso parlamentar e da justiça e, depois, chega o Natal. Como nas festas e no carnaval ninguém trabalha, viva 2018.

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