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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 944 / 2017

24/10/2017 - 10:38:51

Afastamento de jovens das drogas

De janeiro de 2015 a setembro de 2017, mais de 5,2 mil jovens entre 15 e 29 anos foram atendidos em comunidades para dependentes químicos

Daniel Dabasi
Anjos da Paz trabalham para acolher jovens em comunidades credenciadas pelo governo do Estado

O afastamento de jovens do tráfico de entorpecentes e o fortalecimento das políticas sobre drogas contribuíram diretamente para a redução do índice de homicídios entre jovens em Alagoas. Segundo dados do Atlas da Violência publicado este ano pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), houve uma queda de 15,4% na taxa de mortes por 100 mil jovens entre 15 a 29 anos em Alagoas entre 2014 e 2015, a terceira maior redução do Brasil.

A taxa corrobora com os resultados positivos alcançados pela Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), que desde então vem ampliando os trabalhos voltados para a recuperação de jovens dependentes químicos e o consequente enfraquecimento do tráfico de drogas.

Os dados do programa Rede Acolhe, da Seprev, mostram que de janeiro de 2015 a setembro de 2017, 5.253 jovens com idade entre 15 e 29 anos foram encaminhados para uma das 37 comunidades acolhedoras para dependentes químicos credenciadas pelo Governo de Alagoas.

Um desses jovens é Josuel Correia da Silva, de 21 anos. Ele começou a usar cigarro aos 14 anos e rapidamente passou para a maconha e cocaína. O jovem chegou a gerenciar uma boca de fumo na cidade natal, Rio Largo, e foi preso por cometer assaltos para manter a dependência química. Ao ser encaminhado para uma comunidade acolhedora, Josuel conseguiu largar as drogas e se afastar da violência.

“Hoje eu procuro ajudar minha família trabalhando numa vidraçaria. Com o acolhimento, aos poucos mudei meus pensamentos, tive a convicção de que aquela não era a vida que eu queria. Amigos meus morreram por continuarem nas drogas e acredito que este seria o meu caminho se não fosse o tratamento”, disse o ex-acolhido, que pensa em ajudar a retirar outros jovens das drogas por meio de palestras.

Para a titular da Seprev, Esvalda Bittencourt, o caso de Josuel é apenas um dos milhares de exemplos de jovens que a Rede Acolhe ajudou a recuperar. “A redução do número de dependentes químicos está diretamente relacionada à prevenção da violência em geral. Ao afastar o jovem da dependência e de ambientes vulneráveis, como ocorreu com o Josuel, a Seprev contribui de forma preventiva e restaurativa, enfraquecendo os caminhos da violência decorrentes das drogas”, explicou a secretária.

A coordenadora do Centro de Acolhimento para Pessoas com Dependência Química de Maceió, Julyanna Lima, lembra que o tratamento é voluntário e totalmente gratuito. “O acolhimento é feito por uma equipe multidisciplinar que acompanha o jovem durante um período de seis meses nas comunidades, mas é preciso que o dependente aceite o tratamento. Hoje, estamos trabalhando para o fortalecimento do vínculo familiar e para a reinserção no mercado de trabalho para que este jovem não retorne aos cenários de consumo e violência”, explicou a psicóloga.

A Seprev mantém dois Centros de Acolhimento, um em Maceió e outro em Arapiraca, responsáveis por encaminhar os dependentes químicos para as 37 comunidades acolhedoras credenciadas pelo Governo do Estado. Há também o call center 08002809390 pelo qual os psicólogos e assistentes sociais dos Anjos da Paz podem ser acionados para tentar convencer o dependente ao acolhimento.

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