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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 944 / 2017

24/10/2017 - 10:34:30

Jorge Oliveira

Jorge Oliveira

Maluf é defensor 

de Michel

Barra de São Miguel, AL - Símbolo da gatunagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), procurado em quase todos os países do mundo, o deputado Paulo Maluf fez veemente defesa do mandato de Michel Temer na Câmara dos Deputados. O discurso de Maluf na Comissão de Constituição e Justiça, que analisa a segunda denúncia contra o presidente da república, consagra a tão conhecida frase “diz-me com quem andas que eu te direi quem és”. Maluf acusou o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de fazer “terrorismo” contra a economia brasileira, por coincidência o mesmo discurso preparado pelo Planalto para defender Temer das denúncias da Lava Jato.

Maluf foi condenado pelo STF a pena de 7 anos e 9 meses de prisão em regime fechado e a perda do mandato de deputado pelo crime de lavagem de dinheiro, depois da denúncia apresentada por Janot, seu algoz, a quem ele chama de “terrorista”. Mas em vez da cadeia, onde realmente é o seu lugar, ele é um dos primeiros a chegar na Câmara dos Deputados para as sessões das terças e quartas-feiras. Continua soltinho da silva. Numa entrevista que deu ao repórter Roberto Cabrini, do SBT, no último domingo, Maluf se disse feliz com a vida que leva quando se aproxima dos seus 90 anos de idade.

No final da conversa com o repórter se disse saudosista dos cargos que exerceu em São Paulo – governador indireto e prefeito da cidade. Na maior cara de pau, confessou que algum prefeito um dia vai se lembrar de dar o seu nome a uma avenida importante de São Paulo. Esse é o time do presidente, aquela seleção que vai à tribuna defender o indefensável. Dizer que não passam de lorotas as acusações contra ele. Que o presidente é um homem honrado e perseguido pelos procuradores que fizeram a denúncia contra ele e seus amigos que vivem escondidos dentro do Palácio do Planalto, como se ali cumprissem pena por antecipação, a exemplo de Moreira Franco e Eliseu Padilha.

Esse mesmo Maluf, que já passou alguns meses numa cela da Polícia Federal, também recebeu nos jardins da sua mansão uma comitiva, chefiada por Lula, que pedia seu apoio para a campanha de Haddad, o ex-prefeito petista que perdeu a reeleição pela grande rejeição dos paulistas que o mandaram embora. Odiado pela maioria dos brasileiros que enxergam nele um dos maiores corruptos do Brasil, condenado em outros países, Maluf, que está sempre sentado à mesa de políticos, é bem aquinhoado com a distribuição de cargos federais, estaduais e municipais quando seus apadrinhados são eleitos. Por isso, até hoje sobrevive na política

Nesse momento, Maluf defende o mandato de Temer. Conhece-o de outros carnavais em São Paulo. O presidente, enroscado até o pescoço nos crimes de corrupção, em nenhum momento desautorizou Maluf a fazer a sua defesa. Pelo contrário, até o incentiva porque sabe o peso de cada voto dentro da Câmara para não perder o mandato. Maluf sabe amealhar votos desde que se apresentou como candidato a presidente para disputar o Colégio Eleitoral na ditadura militar. Naquela época, um índio o acusou de comprar votos. Juruna, deputado pelo Rio de Janeiro, apresentou à Câmara pacotes com dinheiro que chegaram às suas mãos pelos assessores do Maluf para comprar o voto dele.

Maluf negou e tudo ficou por isso mesmo. Quase trinta anos depois, o deputado paulista aparece em público fazendo a defesa de Temer a quem pesa a acusação de receber pilhas de dinheiro dos empresários Joesley e Wesley. Com toda essa experiência dos bastidores políticos, não devemos duvidar que Maluf hoje seria o principal assessor de Temer para sair dessa enrascada a julgar pelo tempo que o deputado continua solto, mesmo depois das provas dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro contra ele.

Despreparado

Um país como o Brasil, forte economicamente, já provou que não precisa de um presidente eficiente para crescer. Cresceu por exemplo nas mãos do Itamar, do Fernando Henrique, no primeiro mandato de Lula e foi destroçado por Dilma que até hoje não sabe que dirigiu o país. 

Inércia

No caso de Temer, a prova é mais evidente. O país está crescendo mesmo diante de um presidente que tem apenas 3% de aprovação. Isso mesmo, 3% de aprovação e ainda continua de pé. O emprego está melhorando, a Petrobras volta muito bem ao julgamento das agências internacionais, a economia cresce a passos lentos, mas cresce, e a inflação está controlada.

Corrupção

Na política, porém, o país atravessa um vendaval de proporções nunca visto. O presidente, o seu partido, o PMDB, e muitos de seus assessores estão na cadeia. Um deles, Geddel Vieira Lima, foi flagrado com um banco clandestino dentro de um apartamento alugado só para estocar dinheiro, método semelhante ao do narcotraficante Pablo Escobar.

Sozinho

É claro que todo aquele dinheiro não era do Geddel, que está na cadeia esperando que os amigos encontrem um jeito de tirá-lo de lá. E os amigos são o próprio Temer, o Moreira e o Eliseu Padilha. Se Geddel, que vive chorando na cela, achar que foi esquecido na Papuda, certamente será um Deus nos acuda. O ex-ministro de Temer e da Dilma abre o jogo, aliás, o cofre do banco clandestino. 

Os nomes

Não duvide. Geddel vai fazer delação premiada e explicar de quem é cada pacote daquele dinheiro que estava na sala do apartamento que ele alugou. Ele sabe tudo: a origem, quem entregou e para quem eram destinados os mais de 50 milhões de reais que a Polícia Federal encontrou naquelas malas. Pelas notícias que chegam aqui fora, Geddel chora diariamente, é um poço de mágoa contra os amigos que simplesmente o abandonaram lá dentro. 

Campanha

Fontes muito próximas ao Geddel dizem que o dinheiro iria servir para a campanha do PMDB em 2018. O ex-ministro ficou encarregado da arrecadação antecipada da grana para as eleições pela cúpula do partido. Como se sabe, o caixa dois estaria mais difícil no próximo ano, por isso Geddel foi autorizado pelos companheiros de partido a encher as malas com antecedência com as doações ilegais. Agora, depois de flagrado, vai responder pelo crime sozinho. Os amigos não querem nem ouvir falar no nome dele dentro do Palácio do Planalto, pois temem ser contaminados pelas cédulas encontradas com o ex-ministro. 


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