Acompanhe nas redes sociais:

19 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 944 / 2017

19/10/2017 - 18:42:15

Teste de leitura complica situação de prefeita

Lucia de Vasco está ameaçada de ter diploma cassado pela Justiça Eleitoral

Vera Alves [email protected]
Lucia com o filho Vasquinho e o marido, Vasco Rufino - Foto: Divulgação

É cada vez mais complicada a situação da prefeita de Novo Lino, Luciene Maria Ferreira (PSDB) depois dos testes a que foi submetida pela Justiça Eleitoral para comprovar sua condição de analfabeta, acusação feita pela adversária na campanha de 2016, Marcela Gomes de Barros (PSC). Pela legislação em vigor no País, analfabetos não podem se candidatar a cargos públicos – menos ainda assumir o comando do Executivo.

Na segunda-feira,16, Lúcia de Vasco, como é conhecida a prefeita, se submeteu a um teste de leitura. As informações obtidas pelo EXTRA são de que apenas conseguiu soletrar algumas sílabas; não teria conseguido sequer ler uma frase inteira.

No teste aplicado pelo desembargador eleitoral Gustavo de Mendonça e acompanhado pelos advogados da prefeita e pelo Ministério Público Eleitoral, lhe foi dado para ler trecho de uma reportagem da revista Veja e o artigo 100 da Constituição Federal. Para os advogados de Marcela Barros, autora do recurso que pede a cassação da diplomação de Lucia de Vasco, ficou ainda mais evidenciado que ela é analfabeta realmente.

A prefeita já havia sido submetida a teste em maio deste ano, só que de escrita. Se saiu muito mal, o que levou o Ministério Público Eleitoral a dar parecer em que opina pela cassação do diploma de Lucia de Vasco. Para se ter uma ideia, não há uma só palavra realmente legível no texto de próprio punho escrito por ela e ao qual o EXTRA teve acesso.

O teste de escrita consistiu em um ditado do artigo 50 da Constituição Federal. Fica evidenciada a dificuldade da prefeita até mesmo em apor sua assinatura e que, de acordo com o MP Eleitoral, diverge da de documentos anexados por ela ao processo.

Há divergências também no que diz respeito ao diploma de conclusão do ensino médio apresentado por ela para o registro da candidatura. Enquanto o documento assinala que ela cursou o Supletivo no horário vespertino, a prefeita, ao ser questionada pela justiça, havia dito ter estudado pela manhã. Soma-se a isto que o nome do pai constante no certificado é diferente do que consta em seus documentos pessoais, como RG e CPF.

SUCESSORA 

ATRAPALHADA

Estreante na política, Luciene Maria Ferreira foi escolhida pelo marido – o ex-prefeito Vasco Rufino da Silva – para ser sua sucessora face aos impedimentos legais impostos pelas dezenas de ações de improbidade a que ele, os filhos e outros parentes respondem. Ele próprio é um dos fichas-sujas da lista oficial do Tribunal de Contas da União encaminhado à Justiça Eleitoral, condenado por desvios de dinheiro público da merenda escolar e por uso de recursos do município para pagamento de show erótico, além de outras acusações de improbidade administrativa. Somente na Justiça Estadual, é réu em 13 processos.

Não menos tumultuada é a carreira política do filho Severino Rufino da Silva, ex-vereador de Novo Lino, contra o qual há seis ações em que figura como réu, uma delas por violência doméstica, enquadrado na Lei Maria da Penha. 

Sobrinho de Vasco Rufino e também ex-prefeito do município, Aldemir Rufino da Silva é outro a figurar como réu em ações por improbidade administrativa. Este ano foi denunciado pelo Ministério Público por deixar um rombo de R$ 2 milhões nos cofres públicos. 

Os maus exemplos da família Rufino não param por aí. Irmão de Vasco, o ex-prefeito de Campestre, Luciano Rufino da Silva, tem contra si quatro processos por improbidade.

Sem opções de colocar no comando da Prefeitura de Novo Lino uma pessoa de sua confiança, Vasco Rufino da Silva teria então apostado as fichas na esposa, uma dona de casa com quem se casou depois da morte da primeira mulher e de quem, aliás, Lucia de Vasco foi cuidadora.

O problema é que para poder registrar a candidatura dela teriam sido usados documentos falsos. O próprio resultado da eleição é questionado na Justiça Eleitoral por conta de denúncias, ainda sob investigação, de que vários eleitores tiveram seus títulos anulados de forma ilegal durante a votação de 2 de outubro do ano passado por mesários simpatizantes da família Rufino.

Além de estar envolta com o processo para provar que não é analfabeta, a prefeita Lucia de Vasco também enfrenta problemas no município com o funcionalismo público que se queixa de atrasos salariais e do fato de todas as decisões do município estarem concentradas nas mãos de Vasco Rufino da Silva Filho, o Vasquinho. Secretário de Finanças, ele é fruto da união dela com o ex-prefeito.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia