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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 944 / 2017

19/10/2017 - 18:40:20

Zé Nilton Ferro volta a Alagoas após quase 12 anos foragido

Fazendeiro condenado a 20 anos por dois crimes vai aguardar julgamento de recursos em liberdade

Vera Alves [email protected]
Vice-prefeito de Minador, Emílio Barros foi presença na festa de Zé Nilton e do filho Wagner (D)

Depois de quase 12 anos foragido e condenado a 10 anos de prisão por tentativa de homicídio contra o ex-deputado Cícero Ferro em Alagoas, e a mais 10 anos pelo assassinato de um policial civil no Maranhão, o fazendeiro José Ilton Cardoso Ferro reuniu amigos e parentes em sua casa em Minador do Negrão, no final de semana passado, para comemorar a liberdade. 

Zé Nilton Ferro, como é conhecido, é mais um a aproveitar as brechas da legislação penal brasileira e vai aguardar longe das grades o julgamento dos recursos que impetrou contra suas condenações. 

As imagens da festança promovida na casa de Zé Nilton em Minador mostram um fazendeiro bem humorado, que não aparenta estar com qualquer problema de saúde, contraditoriamente ao que alegou há um mês perante a Comarca de João Lisboa, no Maranhão, onde foi condenado no dia 13 de setembro a 10 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato de José Helenos Santos Urbano, um ex-policial civil que estava prestes a ser reincorporado.

Urbano foi executado no dia 6 de setembro de 2007 com 19 tiros por oito homens na Fazenda São Francisco, na Vila Tibúrcio, em João Lisboa e de propriedade de Zé Nilton. Uma emboscada que teria tido a participação de Wagner Macedo Cardoso Ferro, filho do alagoano, que também foi levado a julgamento em setembro mas terminou sendo absolvido pelo Tribunal do Júri.

Dois dias após ter sido preso – a prisão se deu um dia após o júri – Zé Nilton alegou estar muito doente, com diabetes e hipertensão, necessitando de cuidados especiais. Queria a prisão domiciliar, o que foi negado pelo juiz Glender Malheiros Guimarães. Alguns dias depois, em novo pedido, alegou estar com um forte quadro de depressão, atestado por uma psiquiatra particular. Novamente o magistrado negou, mas determinou que ele fosse submetido a exames que comprovassem o quadro de depressão por especialista do Estado.

Não houve tempo para a comprovação. No dia 5 deste mês, o fazendeiro obteve na Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Maranhão a almejada liberdade. Prevaleceu a tese de que enquanto não esgotados os recursos, o réu pode apelar em liberdade, sobretudo em se tratando de quem estava solto até o julgamento.

A CONDENAÇÃO 

EM ALAGOAS

Zé Nilton Ferro e filhos passaram 12 anos como fugitivos e chegaram a ser considerados foragidos da Justiça alagoana por três meses. Em janeiro deste ano foi expedido mandado de prisão contra ele, os filhos Wagner e Wanderley Macedo Cardoso e o sobrinho Jackson Cardoso Ferro, filho da ex-prefeita de Minador Socorro Cardoso Ferro. Em abril, contudo, os quatro obtiveram no Superior Tribunal de Justiça (STJ) relaxamento da prisão até que sejam julgados, pelo Tribunal de Justiça de Alagoas, os embargos declaratórios contra decisão da Câmara Criminal, de dezembro do ano passado, que manteve a condenação do bando em julgamento realizado em 2014.

Pai, filhos e sobrinho foram condenados a penas que variam de 10 a 11 anos pelo atentado contra o ex-deputado Cícero Ferro – primo em primeiro grau de Zé Nilton – e o motorista do então parlamentar, José Maria. O crime, praticado durante uma emboscada, ocorreu em janeiro de 2004, em mais um capítulo da sangrenta história que envolve a família Ferro, tida como a dona do pequeno município de Minador do Negrão, localizado no Agreste e que somente aparece no noticiário em episódios de nepotismo e crimes de mando.


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