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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 943 / 2017

18/10/2017 - 10:10:20

CVV chega a Maceió e busca voluntários

em um ano, 435 pessoas tentaram se matar em alagoas de acordo com registros do hge

Maria Salésia [email protected]
Presidente do Navisa, Zelia Gitai destaca que suicídio é um problema de saúde pública

Uma sala simples, com dois vasos de violeta, uma cadeira, um telefone e alguns livros. Este é o cenário onde o voluntário do Centro de Valorização da Vida (CVV), posto Maceió dedica para de seu dia para ouvir alguém do outro lado da linha. O programa de prevenção do suicídio existe desde 1962, mas só ganhou sua sede na capital alagoana no último dia 30 de setembro deste ano.  Inclusive, foi a última capital do Nordeste a receber um posto.

Na primeira semana de funcionamento, foram feitos em média 80 atendimentos por dia.  A frase “CVV, bom, dia” ou “CVV boa noite” é um alento para quem busca o serviço e satisfação para quem doa seu tempo. O atendimento é gratuito e todos os atendentes são voluntários. No total são 34 voluntários, mas a tendência é este número aumentar. Inclusive, está aberto o processo de seleção com novas turmas para 4 e 5 de novembro; 18 e 19 também de novembro e dias 3 e 4 de dezembro próximo. Quem quiser participar deve ligar para o número do posto ou ir no dia indicado na sede do Colégio Pontual, na Ponta Verde.

Durante a reportagem, um plantonista atendia a uma ligação. Seu nome, seu rosto, sua vida permaneceram no anonimato. Cada um dá plantão de quatro horas semanais.

Para a presidente do Núcleo de Apoio à Vida de Maceió (Navisa), ONG mantenedora do posto CVV Maceió, Zelia Gitai, o objetivo básico do CVV é valorizar a vida, evitar que as pessoas desesperadas, sozinhas, achem que a vida não vale a pena. E afirma que  a  aceitação do outro deve ser absoluta, assim como o respeito e a compreensão. 

Para participar do voluntariado não importa a profissão. Basta ter a “profissão do coração”, como declarou Gitai.  “O atendimento é sigiloso. Não faz leitura de perfis. A vida é o bem maior que temos. Resguardar a vida faz parte da natureza biológica. Quando a pessoa tenta contra isso está pedindo socorro, e não porque quer aparecer”, alertou. Segundo ela, neste estágio alguém precisa ouvi-lo e o CVV entra nesse universo. Mas alerta que não é atendimento psicoterapêutico e nem aconselhamento. “A gente possibilita que desabafe. Não damos solução ao problema. Quem tem a capacidade de gerir a própria vida é a pessoa”, informou.

Como o voluntário vai lidar com situações tensas e difíceis, eles recebem treinamento (12 horas de teoria e 30 de estágio prático), além de cursos de treinamento a cada seis meses. O curso serve ainda para que a pessoa não caia na tentação de dar conselhos ou ostentar uma avaliação moral ou preconceituosa diante do problema relatado por quem buscou ajuda. “O voluntário não pode emitir julgamento ou criticar para não perder a relação de confiança. Basta ouvir e aceitar o sentimento de quem está do outro lado”, disse Gitai ao acrescentar que também não é permitido oferecer soluções a todos os problemas apresentados.

Há ainda pessoas que procuram por problema de saúde, de família, de personalidade, de drogas, entre outros. Vale ressaltar que saber ouvir é o primeiro e maior requisito para o trabalho voluntário de plantonista do CVV. Ouvir com atenção, mas sobretudo com carinho, com paciência, com empatia. 

ATENDIMENTO 

EM MACEIÓ

No posto Maceió o atendimento é feito apenas pelo telefone, mas o leque de opções deve aumentar. Atualmente, funciona de segunda a sábado, de 0h às 6h e de 12 às 24 h. O telefone local 30274141 ou 188 para todos os Estados.

Dados preocupantes

Os números de tentativa e suicídios são desencontrados, mas em todo o mundo os dados são alarmantes. Em Alagoas não é diferente. Segundo informações do HGE (Hospital Geral do Estado), em Maceió, quase todos os dias há casos. Para se ter uma ideia, na semana de 7 a 13 de agosto deste ano foram cinco tentativas. De 31 de julho a 6 de agosto já havia sido registradas sete tentativas.  Na movimentação semanal de paciente, de 22 a 24 de setembro foram cinco ocorrências. De 31 de julho a 4 de outubro foram 65 tentativas de suicídio. 

No ano de 2016 a julho de 2017, o HGE registrou 435 casos de tentativas de suicídio. Sendo 84 casos relacionados a homens em 2016 e 185 tentativas por mulheres no mesmo ano. Até julho de 2017, foram 61 homens e 105 mulheres que tentaram tirar a vida em Alagoas, dos que foram atendidos, 33 pessoas (2016) e 15 (2017) tentaram tirar a vida novamente e foram encaminhados para o HGE.

Atualmente, o suicídio é um problema de saúde pública no Brasil e a sua ocorrência tem crescido entre os jovens. De acordo com os números oficiais, 32 brasileiros se matam por dia. Essa taxa é maior do que a de vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. 

Dados do Ministério da Saúde mostram que o índice de suicídios cresceu entre 2011 e 2015 no Brasil. Segundo a pasta, esta é a quarta maior causa de mortes entre jovens de 15 e 29 anos. Já a OMS estima que ocorram, no Brasil, 12 mil suicídios por ano. No mundo, são mais de 800 mil ocorrências, isto é, uma morte por suicídio a cada 40 segundos, conforme o primeiro relatório mundial sobre o tema, divulgado pela OMS, em 2014.

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