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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 943 / 2017

18/10/2017 - 10:09:57

O estertor dos deuses

CLÁUDIO VIEIRA

É ironia corrente no mundo jurídico que os juízes pensam ser deuses, e que os desembargadores têm certeza de que são divindades. Quando se trata de ministros do Supremo Tribunal Federal então... Deuses supremos e absolutos, oniscientes e infalíveis têm eles a certeza de ser! O chiste sarcástico, conhecido de todos os magistrados, e por eles aceito com graça, não desdoura a classe que, independentemente do poder que possui, tem membros, via de regra, cultores do Direito e primeiros respeitadores das leis que aplicam, motivo porque até há pouco era a instituição mais respeitada pelos brasileiros.

A Lava Jato veio mudar conceitos, ou melhor, reacender antigos conceitos de ética na vida pública e, na esteira desse reacendimento, descobriu que os reais deuses não estão no Judiciário, mas de fato no Legislativo e eventualmente no Executivo. São senadores e deputados que desdenham do Direito e das leis que eles próprios produzem, e acima delas pensam estar. O dogma de obediência a decisões judiciais, um dos pilares da Democracia, esse só existe para os brasileiros mortais, os que apenas(?) temos o poder do voto; aqueles que devemos acreditar nas falseadas promessas dos políticos; os que assistimos impotentes(?) as práticas corruptas e corruptoras; que olhamos esperançosos a atividade da Polícia Federal e do Ministério Público em desmascarar os criminosos de colarinho branco com assento no governo e no parlamento brasileiros; que nos revoltamos com a desfaçatez desses delinquentes em desobediências zombeteiras explícita às determinações judiciais; que nos preocupamos com o ativismo de certos setores do judiciário (graças a Deus são pouquíssimos) que parecem decididos a defenderam a impunidade dos crimes praticados por presidentes, ex-presidentes, senadores e deputados.

A Nação tem se perguntado amiúde por que ao cidadão comum não é dado desobedecer às ordens judiciais, como fazem descaradamente os políticos brasileiros. Fizéssemos, qualquer um de nós um mínimo bem mínimo das estripulias que fazem e dizem os cunhas, os cabrais, os renans, os jucás, os temers, e outros tantos escroques companheiros seus, estaríamos inapelavelmente presos e algemados. Mas eles, os “donos” do poder, não se consideram submissos às leis e, sempre que açoitados pelos órgãos inquisitoriais e de persecução criminal, sacam com absoluto cinismo uma absurda imunidade que, segundo eles próprios, é apanágio daquela mesma Democracia que foi criada para reconhecer ao povo a detenção do real Poder. Jogam, assim, com uma das mais importantes criações humanas para protegerem-se e aos seus malfeitos.

Assim aquela ironia de que falei acima, a respeito da divindade dos magistrados, devemos reformulá-la para reconhecermos, para o nosso desgosto, que os habitantes do Olimpo são essas deploráveis figuras que fazem a política moderna em nosso País. E os culpados somos nós! Pensemos nisso antes de depositar os nossos votos nas urnas eleitorais.

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