Acompanhe nas redes sociais:

16 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 943 / 2017

18/10/2017 - 10:06:07

Cremal investiga casos de estupro e falsos diagnósticos

Médico é denunciado por abuso sexual e oftalmologistas estão na mira da Polícia Federal

José Fernando Martins [email protected]
Presidente do Cremal, Fernando Pedrosa aguarda inquérito da PF sobre médicos

Três meses se passaram e o Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal) não recebeu da Polícia Federal a cópia do inquérito sobre os oftamologistas que davam falsos diagnósticos de glaucoma para desviar dinheiro do Sistema Único de Saúde (SUS). Flagrados em junho pela Operação Hoder, os médicos continuam exercendo a profissão normalmente. 

O caso ganhou repercussão nacional com direito a reportagem do Fantástico, da Rede Globo. Em apenas um ano, mais de vinte mil consultas deixaram de ser realizadas, mas todas foram cobradas do SUS. Pacientes também recebiam um diagnóstico falso de glaucoma e era orientados a usar colírios adquiridos por verba pública. O rombo chegaria a R$ 30 milhões. 

“Solicitei que a Polícia Federal me encaminhasse o inquérito, mas alegaram que, por enquanto, a denúncia estava sendo apurada em segredo de Justiça”, disse o presidente do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), Fernando Pedrosa. E nesta semana, Pedrosa teve que lidar com outra denúncia contra um médico, que chocou ainda mais a sociedade alagoana. 

Desta vez, o caso envolve estupro e abuso sexual em um hospital particular em Maceió. “Denúncias já foram feitas no Conselho, que instalará uma sindicância. Se tiver indícios que comprovem a veracidade, o próximo passo será a abertura de um processo”, explicou Pedrosa. Enquanto isso, o médico acusado de estupro também poderá continuar com seu trabalho, uma vez que, “processo não é julgamento”. 

O desabafo

A denúncia do estupro veio através de um desabafo pelo Facebook. Uma internauta contou por meio de postagem que uma amiga procurou um hospital porque estava sentindo ardência ao urinar. Ao ser atendida, o médico falou que era preciso examinar a genitália da paciente. “Enfiou e tirou o seu dedo umas quatro vezes e disse que se ela ficasse excitada era normal, se ela gozasse era normal”, descreveu. 

Durante o abuso, o médico ainda teria perguntado à paciente: “você já chegou lá?”, fingindo que todo procedimento era normal. Transtornada, a vítima procurou a Polícia Civil e registrou um Boletim de Ocorrência (BO). Ela não teria sido a única a ser abusada pelo profissional, que usaria qualquer sintoma relatado como pretexto de tocar as mulheres intimamente.

Segundo o advogado de uma das denunciantes, Welton Roberto, o médico pediu para examinar a vagina da paciente para diagnosticar um problema na faringe. “Ele fez uma abordagem diferente dizendo que através da secreção vaginal conseguiria identificar problemas na faringe, laringe e problemas de ordem respiratória. A paciente achou estranho, se negou a fazer, mas ficou constrangida. Ela acabou verificando nas redes sociais que uma pessoa relatou caso parecido, mas que desta vez, o médico conseguiu masturbar essa pessoa com a desculpa para recolher a secreção vaginal”, disse. 

Com a postagem no Facebook, outras vítimas se uniram e até criaram um grupo no WhatsApp. Todas foram orientadas a procurar a Delegacia da Mulher para que fizessem uma ocorrência policial relatando estupro mediante fraude. Também foram orientadas a denunciarem a prática abusiva do médico ao Cremal. 

“As pacientes que chegavam lá (ao hospital) não relatavam nenhum problema ginecológico e, sim, problemas respiratórios. Ele (o médico) tem um padrão de ação. Começa a fazer perguntas sobre cólica menstrual e depois fala sobre a pesquisa que consegue identificar bactéria através da secreção vaginal. É assim que vem satisfazendo sua libido estuprando as vítimas dentro do escritório”, finalizou o advogado. 

Trâmites

Após a formalização da denúncia, o procedimento padrão do Cremal é a abertura de uma sindicância que ouvirá denunciante e denunciado. Conforme o Conselho informou à imprensa, este interrogatório não tem prazo estipulado para ser concluído. 

Também poderão ser ouvidas testemunhas e avaliadas provas que a vítima possa ter. Caso sejam encontradas evidências, um processo deve ser instaurado contra o profissional. Se for comprovado o abuso, o médico pode sofrer sanções que vão de advertência, passando por suspensão por prazo determinado, até cassação do registro profissional (CRM).

Inicialmente, o hospital  onde teria acontecido o abuso não deve ser responsabilizado.

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia