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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 943 / 2017

18/10/2017 - 09:39:53

Nino era chefe de Gabinete da Prefeitura de Pariconha na época do crime

O mistério do caso do estuprador que continua solto

Sofia Sepreny Estagiária sob supervisão da Redação
Ivanilton Marques da Silva, o Nino, é acusado de abusar de jovens atraídas para armadilha com promessa de emprego

Após cinco anos de mistério, no último dia 28 o candidato a vereador nas eleições de 2012  Ivanilton Marques da Silva, acusado de abusar sexualmente de três jovens em Pariconha, sertão de Alagoas, foi ouvido pela primeira vez no Fórum de Justiça de Água Branca.  Segundo as investigações, ele atraia jovens com promessas de emprego e as levava para Maceió para a realização de exames admissionais, quando dopava as vítimas e abusava delas. 

“Nino” como é conhecido, foi capturado em setembro de 2012 na cidade de Lagoa Santa, Minas Gerais, após um mês foragido. Quando a denúncia foi registrada pelas jovens, em agosto, ele chegou a ser agredido no município de Pariconha, e após este fato, nunca mais foi visto na cidade. Apesar da prisão, ele foi solto logo em seguida, ainda em 2012. Na época, uma possível transferência para Alagoas foi  solicitada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Cerqueira, mas  ela nunca aconteceu. Não se sabe quando ele foi solto especificamente, visto que detalhes do caso estão sob segredo de justiça. 

Familiares e cidadãos do município em que ele foi preso  afirmaram veementemente que Nino era inocente e que isso se tratava de acusações arquitetadas por políticos a fim de prejudicar sua campanha. 

Antes de ser encontrado em Minas Gerais, equipes da delegacia de Delmiro Gouveiacumpriram mandado de busca e apreensão na residência de Nino, no município de Pariconha. Os policiais conseguiram apreender uma quantidade de medicamentos, CDs, e máquina fotográfica.

Na época com 40 anos, Nino foi preso no dia 20 de setembro e estava foragido desde 28 de agosto. Em Minas, ele estava na casa de familiares.

Durante a audiência do dia 28 de setembro deste ano, na primeira aparição do acusado em Alagoas após sua prisão, as vítimas e seus familiares fizeram um protesto gritando palavras de ordem contra o acusado. O protesto teve o apoio do Movimento de Mulheres Olga Benario que apoia as vítimas e  exige a condenação do acusado de forma a combater esse tipo de violência ainda tão comum contra as mulheres. 

Brenda Samello, umas das representantes do movimento, relata o momento em que o acusado deixou o fórum. “Ele saiu escoltado por policiais, como se os bandidos fossemos nós, as vítimas querendo justiça. Quem tem dinheiro, responde em liberdade” relatou. 

Estupro e atentado violento ao pudor constituem crimes hediondos mesmo sem causarem lesão corporal grave ou morte da vítima. 

As vítimas que o denunciaram na época tinham  19, 23 e 25 anos.

RELEMBRE 

O CASO 

Chefe de Gabinete da Prefeitura de Pariconha na época o crime, Nino atraiu as jovens oferecendo vagas de emprego, alegando que elas deveriam passar por exames admissionais realizados somente em Maceió. Esse era o motivo da ida à capital, onde ficavam hospedadas em um apartamento dele. No local eram drogadas e abusadas. Ele dava medicamentos às garotas afirmando serem necessários para a realização dos exames no dia seguinte. Ao acordar elas não se lembravam de nada que acontecera durante a noite e se sentiam como se tivessem praticado sexo. 

A descoberta dos casos se deu quando uma das vítimas não tomou os comprimidos  que Nino dizia ser Dimeticona.  A garota de 19 anos já havia sido alertada pelo telefone por outra jovem, que já havia vivenciado a situação. Ao deixar de tomar os comprimidos ficou acordada e viu Nino tentar entrar no seu quarto durante a madrugada. 

Ela ainda constatou a farsa dos exames ao perceber que estava sendo submetida a raios-X do tórax e perfil, o que não seria necessário para a vaga que assumiria. A jovem descobriu que todas as vítimas tinham feito o mesmo exame que também podia ser feito em clínicas próximas de suas cidades.

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