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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 943 / 2017

17/10/2017 - 08:57:55

Jorge Oliveira

Jorge Oliveira

Um poste que pisca

Rio - O João Doria chegou agora e já quer o lugar da janela. Ele tem todo direito de ser candidato a presidente da República, a exemplo de outos bufões que passaram por Brasília. Só não deve é chutar o pão da barraca desrespeitando aliados políticos e abandonar São Paulo, traindo os eleitores que o conduziram a prefeitura no primeiro turno das eleições de 2016. Ao chamar Alberto Goldman de “improdutivo”, político que “vive de pijama”, Doria mostrou que desconhece a trajetória de homens como Goldman, referencial na história política do país. Mostrou-se arrogante, prepotente, desrespeitoso e intolerante com as críticas que vem recebendo de aliados por ter abandonado a prefeitura para sair por aí em campanha para presidente.

O míssil contra Goldman foi disparado de Belém, onde o prefeito de São Paulo, mais uma vez, foi atrás de voto na procissão de Círio de Nazaré, obcecado para chegar a Brasília. Ele estava de cara lavada, enraivecido, espumando com as críticas de Goldman que chamava a sua atenção e, com razão, para não abandonar São Paulo. A reação de Doria mostra que ele tem pavio curto, não conhece direito seus companheiros de partido e assemelha-se as explosões do Bolsonaro quando reage, com ferocidade, a perguntas incômodas e inconvenientes como quisesse botar o passado para debaixo do tapete. 

Se fosse dado a estudar a história do país com mais profundidade e não fizesse do supérfluo a sua trajetória de vida, Doria, certamente, não teria agredido de forma vil e irresponsável Alberto Goldman, a quem tratou da seguinte forma em um vídeo postado na internet: “Hoje meu recadinho vai para você, Alberto Goldman, que viveu sua vida inteira na sombra de Orestes Quércia e José Serra. Você é um improdutivo, um fracassado. Você coleciona fracassos na sua vida e agora vive de pijamas na sua casa. Viva com a sua mediocridade que fico com o povo”. Quanta pobreza no final do texto, quanto populismo barato para quem estreia na carreira política agarrado ao saco do Alckmin.

Doria, do dia para noite, se transformou no gênio da política, no expert do diálogo, das alianças.  Aboleta-se no seu avião e sai pelo Brasil a procura de voto. Quer se apresentar como candidato viável a presidente da república. Quer deixar de lado aquela imagem de almofadinha de estúdio refrigerado de TV para se apresentar ao “povo” como ele diz para o Goldman. É mais um, entre políticos fanfarrões, que evoca o povo como aliado para chegar ao poder. Acha que a sua gorda conta bancária e um jatinho lhe dão o direito da candidatura tucana e a exclusividade na convenção. Engana-se. Se quer realmente legenda para disputar a eleição já deveria ter abandonado o PSDB há muito tempo. Depois da agressão ao Goldman seus ovos não chocam mais no ninho tucano.

Doria, na verdade, é o que a Dilma foi para o Lula e o Fleury para o Quércia, todos criados na chocadeira dos padrinhos, quando o político transfere votos para um poste e depois não pode apagar a luz que teima em permanecer acesa. Nesses casos, os personagens forjados por seus líderes voam alto no primeiro momento e depois das asas cortadas aterrissam atabalhoadamente de volta ao solo.

Barbárie

A história é simples, não se diferencia das dezenas de outras que ocorrem na cidade do Rio sitiada pelos bandidos. Meliantes e policiais se digladiam diariamente nos morros cariocas. Trocam tiros, insultos e deixam os habitantes em polvorosa. Mas esta semana, uma notícia deixou o carioca mais sobressaltado ainda. Uma senhora, negra, foi assassinada por policiais com uma coronhada de fuzil.

O crime

O crime dessa senhora, como sempre, é o de ser negra, pobre e favelada. Ser isso é passaporte para o inferno, pois os policiais do Rio quando sobem o morro é para matar, matar e matar. Por isso, quando muitos deles morrem em tiroteio com os bandidos a população se nega a prestar solidariedade. O que aconteceu com essa senhora na Cidade de Deus é de cortar o coração.

A morte

O filho dela, na madrugada, foi abordado por policiais. Identificou-se como estudante, mas como estava bem vestido, logo foi confundido com traficante. Quando estava sendo espancado, apareceu a mãe dele. Desesperada, ela tentou tirou o filho das garras dos policiais, mas, covardemente, recebeu o impacto de uma coronhada de um fuzil e apagou na hora.

O cuspe

Antes de ser atingida violentamente, o policial ainda cuspiu na boca dela e a advertiu: não pode vomitar, se vomitar vai apanhar mais”. Desacordada, a senhora foi levada para um hospital da Barra da Tijuca, mas morreu logo depois em consequência dos ferimentos.

Os brutos

Esse é apenas um exemplo da brutalidade dos policiais do Rio de Janeiro. Por isso, muitos deles que morrem em combate com traficantes nos morros cariocas, infelizmente não recebem a solidariedade da população acostumada com esses maus-tratos por parte de uma banda podre da polícia que confunde cidadão honesto com bandidos, favelado com delinquente e negro com sub-raça.

Perigo

É assim que hoje vive o carioca: sob fogo cerrado. Na cidade é assaltado por delinquentes mirins e quando trafega pelas vias expressas que cortam a cidade é obrigado a fugir dos carros para não morrer, quando os bandidos fecham as rodovias para depenar os motoristas. Não à toa, oito em dez moradores do Rio disseram preferir ir embora a enfrentar os tiroteios que acontecem todos os dias na cidade.

Pavor

Andar pelas ruas do Rio hoje é apavorante. Cada pessoa ao seu lado pode ser um assaltante. Ninguém fala ao celular nas ruas. As mulheres agarram-se as bolsas com medo de serem roubadas. Nos ônibus as pessoas normalmente sentam estrategicamente na porta de trás para fugir a qualquer momento. Os bares fecham mais cedo e muita gente não sai mais de casa. Foi-se, pelo por enquanto, a Cidade Maravilhosa dilapidada por políticos corruptos e policiais trapaceiros e sanguinários, amantes do crime e da parceria com bandidos. 

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