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20 de Setembro de 2018

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Edição nº 943 / 2017

12/10/2017 - 21:11:51

Decisão do júri revolta família da vítima

Nem mesmo a acusada acreditava em absolvição; MP vai recorrer da sentença

Da Redação
Enquanto aguardava ser ouvida, Mirella passou o tempo orando

Em decisão confusa do júri, Mirella Granconato foi absolvida pela morte da universitária Giovanna Tenório, ato violento que aconteceu em 2011. No entanto, acabou sendo condenada a um ano e oito meses de prisão por ocultação de cadáver. Como é ré primária, a pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade. Também terá que pagar indenização no valor de R$ 20 mil à família. 

A sentença, proferida durante julgamento que ocorreu no Fórum da Capital, no Barro Duro, na quarta-feira, 11, não convenceu o Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL), a própria Justiça e menos ainda familiares e amigos de Giovanna. Até o juiz Jonh Sillas considerou o resultado inusitado. “Algumas coisas não ficaram claras pelo que se espera de um julgamento: reconheceram a autoria do crime de homicídio e absolveram. (...) Já no crime de ocultação de cadáver, não a absolveram. Alguma coisa não está certa aí. Se o Tribunal entender que o júri deve ser anulado, ela voltará ao banco dos réus”.

Atônita, Catarina Tenório, mãe de Giovanna, não conversou com a imprensa. Porém, uma amiga, Rita de Cássia, falou em nome da família. “A gente lamenta profundamente o resultado principalmente em razão da resposta dada pelos jurados: reconheceram a autoria, mas absolveram. A família clama por justiça”. Ainda segundo parentes e amigos, uma caminhada já está sendo organizada como protesto da decisão. 

O promotor de Justiça Antônio Villas Boas, durante todo julgamento, enfatizou a participação da ré no homicídio. “Foi ela que planejou o crime, unicamente tramado por motivo de vingança, já que Giovanna Tenório tinha uma aproximação com o Antônio de Pádua Bandeira”. Bandeira, no caso, era o marido de Mirella à época. 

DESCRENÇA

Nem mesmo Mirella Granconato acreditava na sua absolvição. Durante breve conversa com a reportagem do EXTRA, enquanto aguardava para prestar depoimento, a ré contou que esperava uma sentença mais severa. ““Eu acredito que a Justiça vai ser feita, mas sei que entrarei no júri condenada”. Durante julgamento, segurava um terço nas mãos. 

O fato de Mirella ficar em liberdade mesmo condenada foi uma questão já levantada pelo advogado assistente de acusação, Welton Roberto. “Ela está solta e poderá continuar do mesmo jeito. Isso se entrar com recurso. Já o executador ficou preso durante toda a investigação. É uma questão de incongruência do Judiciário”, disse ao EXTRA uma semana antes do julgamento. 

Interrogada, Mirella Granconato negou ter mandado matar a universitária e afirmou que não conhece o caminhoneiro condenado como autor material do assassinato. Luiz Alberto Bernadino da Silva foi sentenciado no dia 28 de setembro a 29 de anos de prisão e pagamento de indenização de R$ 20 mil no dia 28 de setembro, mas admitiu ter feito as ameaças e trocado agressões físicas com Giovanna em um incidente na boate Le Hotel. 

Mirella e o ex-marido Toni Bandeira foram presos no dia 28 de junho de 2011 acusados pelo crime. A acusada foi solta em agosto de 2012 e Bandeira no dia 3 de março do mesmo ano. O caminhoneiro Luiz Alberto Bernardino da Silva teve sua prisão preventiva decretada no dia 25 de abril de 2012.

Após obter a liberdade, Mirella manteve uma vida aparentemente normal, frequentando festas, atualizando redes sociais e investindo em viagens. Mas, às vésperas do júri, apagou o perfil do Instagram. 

“Tive algumas desavenças com ela. Ela sempre ligava pra ele e era algo que incomodava”, disse, ao ser interrogada durante o julgamento. “Mais do que ninguém, eu busco a verdade. Eu quero a minha vida de volta. Eu quero a justiça, a verdade, nada além disso”, afirmou, ainda a ré.

As testemunhas Karolinne Albuquerque e Fernanda Silva, amigas de Giovanna, reafirmaram terem visto mensagens de celular ameaçadoras da ré para a vítima. Em uma das mensagens, segundo Karolinne, Mirella disse que daria uma “pisa” em Giovanna. 

Fernanda relatou que presenciou quando Giovanna recebeu uma ligação do celular de Toni, e ouviu uma voz feminina a chamando de “rapariga”. Giovanna teria então deduzido que a voz era de Mirella e desligou. O fato teria ocorrido poucos dias antes do desaparecimento da estudante universitária.

Sobre as mensagens ameaçadoras, o advogado de Mirella, Raimundo Palmeira, ressaltou que foram enviadas quase um ano antes da morte de Giovanna, e que não há elementos concretos que demonstrem a persistência de algum litígio entre Mirella e a vítima.

“[Foi um] momento impensado. Quantas companheiras, esposas, quando veem seu marido envolvendo-se com outra pessoa têm a infantilidade de passar uma mensagem que jamais cumprem. Se Mirela fosse agir violentamente no sentido de tirar a vida de cada amante que seu ex-esposo teve, seria uma serial killer. As traições eram comuns”, argumentou.

O CRIME

Giovanna Tenório foi sequestrada, em junho de 2011, após sair de uma unidade do Centro Universitário Cesmac, no bairro do Farol, em Maceió. Seu corpo foi encontrado dias depois em um canavial entre as cidades de Rio Largo e Messias. A principal suspeita do crime de mando era Mirella Granconato, que tinha ciúmes do relacionamento de Giovanna com o então marido Antônio Bandeira. 

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