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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 942 / 2017

10/10/2017 - 09:18:50

Passageiras negras denunciam racismo em abordagem por PMs

Revista a coletivos visa inibir assaltos no transporte público

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação
Tenente-coronel Neyvaldo Amorim desconhece o caso que teria ocorrido durante operação que visa reduzir assaltos a coletivos

Desde o início da Operação Sufoco, criada pela Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL), vários coletivos foram parados e pessoas revistadas na tentativa de inibir assaltos a ônibus em Maceió.  Porém, recentemente, durante uma abordagem à linha 603 – Mirante – Vergel, Via Centro, por volta das 22h, próximo ao ponto do Maceió Shopping sentido Centro, uma situação constrangedora aconteceu a duas passageiras que não quiseram se identificar.

Segundo elas, durante o procedimento normal de abordagem, todos os homens foram retirados do veículo e revistados. No entanto, apenas as duas mulheres, entre várias outras, foram convidadas a descerem e passar pela revista policial, feita por uma policial feminina. Nada foi encontrado.

Ainda de acordo com as denunciantes, foi feito um questionamento aos PMs sobre o motivo da abordagem ter ocorrido apenas com a dupla. “Perguntamos ao policial o motivo das outras mulheres não serem revistadas. Ele disse que esse era o procedimento padrão”, embora não tenha sido constatado nada de errado, as vítimas do constrangimento que são negras, alegam que foram vítimas de racismo.

O comandante do Policiamento da Capital (CPC), tenente-coronel Neyvaldo Amorim, responsável pela Operação Sufoco, relatou que não tomou conhecimento do acontecido, e que é a primeira vez que os policiais responsáveis pelas abordagens aos coletivos são acusados de algo deste gênero desde o começo da operação. 

Amorim explicou que os locais e as linhas escolhidas para patrulhamento são definidos através do histórico de assaltos do dia anterior. “A forma que é feita a abordagem é de maneira genérica, todos os passageiros descem do coletivo. Nossos policiais são orientados a usarem do comportamento como critério, independente de cor ou classe social”, diz o tenente-coronel.

Ainda de acordo com Amorim, a maioria dos policiais da tropa são negros ou pardos. Destacou, ainda, que a abordagem em mulheres está sendo mais frequente devido às novas práticas de criminosos de usarem suas companheiras para transportar objetos ilícitos. Ele explica que a atitude é em vista a quantidade de abordagens que estão sendo realizadas a homens, que segundo o tenente-coronel, são responsáveis por 99% dos assaltos.

Neyvaldo Amorim recomenda que, caso seja presenciado um crime de racismo por parte da PM, a vítima procure a Corregedoria da Polícia Militar para que o fato seja investigado e os responsáveis punidos.

MOVIMENTO NEGRO

De acordo com Arísia Barros, coordenadora do Instituto Raízes de Áfricas e representante do movimento negro em Alagoas, secularmente o negro é sempre o elemento suspeito, em blitz, abordagens ou qualquer evento criminoso. O racismo institucional faz com que o olhar policial criminalize uma pessoa pela cor da pele, sem ouvi-la. “Antes da defesa, já somos culpados. Temos escrito na testa o nome culpado [...] sempre podemos recorrer ao núcleo de Direitos Humanos do Ministério Público Estadual, nesses casos”, afirma Arísia. Procurada, a chefia do Núcleo de Direitos Humanos do Ministério Público do Estado de Alagoas, por meio da assessoria de comunicação, declarou preferir não se posicionar a respeito do caso específico.

Uma cartilha elaborada pelo Programa de Apoio Institucional às Ouvidorias de Polícia e Policiamento Comunitário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, deixa claro que o policial precisa ter algum indício que justifique a suspeita. Ele não pode parar alguém por estar na periferia, pela cor da pele, orientação sexual, gênero ou pela forma como está vestido. 

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