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18 de Setembro de 2018

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Edição nº 942 / 2017

10/10/2017 - 09:16:28

Um País hilário chamado Brasil

CLÁUDIO VIEIRA

Quando na adolescência, propagou-se entre nós a notícia de que o marechal Charles De Gaulle, então presidente da França, dissera não ser o Brasil um país sério. A inesperada informação agitou-nos, aborreceu-nos, ofendeu-nos a nacionalidade, o nosso juvenil patriotismo. Afinal, que direito tinha aquele visitante estrangeiro, por mais herói que fosse considerado, de esculachar com a nossa Pátria? Que fosse ele, com seus “bijus” e “jujus” cantar em outras freguesias!

A verdade é que essa história jamais foi efetivamente confirmada, e eu me tornei um admirador da história, da língua e da cultura francesas. Hoje já me pergunto qual seria a opinião do velho marechal, se vivo estivesse, sobre esse Brasil varonil. Que coisa lhe passaria por aquela cabeça sobre o pescoço flamínico ao ver o nosso presidente negando as óbvias falcatruas, suas e dos seus amigos, tentando infantilmente inverter as acusações de que é destinatário com a desconstituição da autoridade dos seus acusadores, e desqualificar os já desqualificados delatores, vã tentativa de esconder sob o tapete fatos impossíveis de negar? Ou o outro, o ex-presidente, outrora o “cara” do Barack Obama, que se autoproclama o homem mais honesto do mundo, mesmo apanhado dezenas de vezes com a mão na botija da corrução, e que segue o mesmo mantra do Temer de desqualificar todo mundo, jogando poeira nos olhos dos brasileiros? Não esqueçamos também o seu cínico jogar de culpa na falecida esposa. Ouvindo aquele senador de elevados saberes sexuais querendo transformar tudo em deplorável “suruba”, o que pensaria o velho e circunspecto marechal de Francês? Ou também auscultando as veementes palavras de outra das criaturas de Geppetto com assento no Senado Federal, discursando sobre honestidade? Logo esse, que responde a vários inquéritos no STF, já sendo réu em pelo menos um deles, teve a pachorra de homenagear o conterrâneo Graciliano Ramos, reconhecido símbolo de honestidade funcional, chamando em testemunho de suas palavras colegas seus tão caras-de paus quanto. Ou ainda a desfaçatez de políticos acusados de corrupção desrespeitando e fazendo as instituições desrespeitarem amiudadamente as decisões judiciais, sem qualquer reprimenda consequencial?

São esses apenas alguns exemplos a instigar a perplexidade de De Gaulle, que certamente explicaria a frase que se lhe atribuem dizendo considerar este País seguramente hilário.

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