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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 942 / 2017

10/10/2017 - 09:15:20

Por um legislativo limpo

Alari Romariz Torres

Já tinha prometido a mim mesma que não falaria no Legislativo alagoano em meus artigos semanais. “É chover no molhado”. Enquanto a crise moral se expande pelo Brasil, as Mesas Diretoras usam o dinheiro público indevidamente.

São mecanismos ousados, dignos de um filme de terror! No mês de setembro, ativos e inativos tinham direito a 4,3% de reajuste, resultado de um acordo judicial devidamente homologado. Pois bem, os dirigentes implantaram 4,0% para os ativos e não concederam nada aos aposentados. Crime flagrante. Desobediência a uma determinação judicial.

A Mesa Diretora da ALE/AL é composta de por vários deputados, mas a cabeça pensante que manipula as verbas é o primeiro-secretário. Tenho 76 anos e nunca vi tanta ideia brilhante para prejudicar os servidores.

Estamos nós, pobres sofredores, divididos em três entidades representativas, fato que nos leva a perder forças nas negociações.

Os aposentados do Legislativo foram jogados há mais de um ano no Alagoas Previdência, mas todos os dados funcionais ficaram no órgão de origem. Todo mês, por ocasião do pagamento é uma luta: a folha é elaborada pela Assembleia e o depósito bancário é feito pelo AL Previdência. Quando precisamos ir à Justiça para reclamar direitos, surge a grande dúvida: reclamar de quem? Do Legislativo ou do Alagoas Previdência?

Houve recadastramento na Casa para os estáveis e para os aposentados. Primeiro grande absurdo: não aceitaram procuração e para visitar os doentes foi preciso cortar salários, para depois cumprir a lei.

Vai ser instalado o ponto eletrônico. Primeiras determinações: comissionados ganham salário dobrado mas não assinam ponto. Cada deputado tem direito a mais dez servidores livres da cobrança diária do comparecimento. Pergunto eu: quem mora no Sudeste ou no estrangeiro como vai assinar o tal ponto?

Medidas aleatórias e descabidas são tomadas para diminuir salários de ativos e aposentados: desconto indevido da Previdência, demora para retirar o desconto do Imposto de Renda de servidores considerados isentos, etc. A reclamação administrativa é feita, mas não há resposta. A Justiça é acionada, a causa é ganha, mas o que saiu do salário nunca é devolvido. Novos processos são formados, dormem por anos e anos na Primeira-Secretaria e se não aparecer um padrinho forte, morre por lá mesmo ou é arquivado sem solução. 

Outro grave problema é o pagamento do terço de férias. A criatura sai, não recebe o percentual a que tem direito. Um belo dia, as entidades pressionam e a Mesa Diretora seleciona alguns apadrinhados que vão receber a gratificação na hora errada. É digno de uma novela da TV!

Os bajuladores de plantão recebem salários dobrados e não são castigados com o tal redutor inconstitucional. Os servidores normais recebem menos do que deveriam receber e são indevidamente atingidos pelo citado redutor, que a Justiça já mandou cancelar, entretanto não é atendida.

Os gestores do Legislativo vieram de outro planeta! Não sabemos quais as leis que regulam a administração de um Poder tão importante! Não adianta reclamar, pois ninguém responde.

Processos de aposentadoria, que deveriam ser assinados em trinta dias, passam até dois anos e meio na sala do primeiro-secretário, para não pagar o direito do servidor. Se alguém reclama, ele responde: JUDICIALIZE! 

Um deputado da Mesa disse a um político que seu salário mensal era 300.000 reais. Pegou um pedaço de papel e provou o que afirmava. Sinto não ter conseguido as anotações do moço para mostrar ao povo da minha terra como se faz o salário de um parlamentar.

Vivemos numa ditadura civil na Casa de Tavares Bastos. O ditador faz o que quer e como quer. Ele compra seus pares com salários altos e os assessores com GDE de 100%.

Para ativos e inativos resta dureza, injustiça e perversidade!

Queremos um Legislativo limpo!

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