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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 942 / 2017

10/10/2017 - 09:13:45

Xerxes e os trezentos

JÚLIO ARIZA

Os últimos dias do Sr. Janot no cargo de procurador-geral da República revelaram o que ele tentou ocultar ou dissimular, através de insistentes declarações, às vezes cifradas, outras nem tanto. O fato de que pretendia ser o protagonista na Operação Lava Jato.

O comportamento que mais denunciou isto foi a imagem, criada por ele mesmo, de que sua aljava estava cheia de flechas e que as usaria com seu arco  de denúncias até o último instante do mandato. Para tanto, só faltou plagiar Xerxes e bradar.  “Minhas flechas serão tão numerosas que cobrirão o sol”.

Dos seus mais diversos postos, seus inimigos, alguns em viagens internacionais, outros da sombra de uma cela, outros até sob a segurança de uma toga, talvez murmurassem como Leônidas. “Ótimo, então lutaremos na sombra”.

Comparativos à parte, fato é que,  na ânsia de marcar território, o ex-procurador-geral deixou-se revelar como um ator que não queria ver sua atuação ser lembrada como a de um simples coadjuvante no final da peça.

Tal comportamento,  além de chocar-se com a máxima histórica de sua instituição, de que é única e indivisível, sem protagonismo de nomes nem soluções de continuidade.  Brigar com ela é como brigar com japonês, onde você imagina brigar com um e, na verdade, briga com seis. O procurador, ao pretender o protagonismo, adotou nos últimos momentos de seu mandato o comportamento condenável dos gestores que inauguram um sem número de obras inacabadas apenas para impedir que seu sucessor aponha seu nome nelas.

De acordo com tal lógica, desnecessário dizer que o açodamento do arqueiro deixou transparecer falta de confiança no arqueiro seguinte. Pior, para muitos, pareceu que as últimas flechas que atingiram os irmãos Batista tinham, tão somente a ânsia e a finalidade de redimir a má pontaria daquelas que passaram longe do alvo no acordo de delação premiada com anistia ampla geral e irrestrita que a todos escandalizou.

Agora que as temperaturas do torneio baixaram, o nosso Xerxes tupiniquim, com sua chuva de flechas, certamente sente que proporcionou bastante sombra para seus trezentos inimigos lutarem e se defenderem, enquanto, por outro lado, viu que seu protagonismo, além de danoso para instituição, lhe deixou ao relento e com seu filme queimado por excesso de exposição.

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