Acompanhe nas redes sociais:

15 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 941 / 2017

03/10/2017 - 14:49:41

A dança dos políticos

Alari Romariz Torres

O idealismo político no Brasil está definitivamente enterrado. Não sabemos quem é de direita ou de esquerda. De certeza, só confirmamos ser a maioria indiciada por crimes de corrupção.

Quando menina, ouvia os mais velhos falarem do Partido Comunista, formado por homens tipo Luís Carlos Prestes. Eles davam a vida pela causa. Tínhamos um vizinho em Jaraguá, militante partidário, que de vez em quando a polícia baixava na casa dele e o levava preso. Era o Sr. Júlio, homem inteligente que lia muito. Outros companheiros do “Partidão”, profissionais liberais, comerciantes, operários, autônomos, eram pessoas sérias, compenetradas, conhecidas pelo povo e pela polícia.

O Partido Comunista foi fundado no Brasil em 1922, por Prestes. No filme “Olga” tivemos uma noção da luta de homens e mulheres idealistas, que acreditavam na causa por eles defendida.

Mais adiante, ouvi falar no Partido Socialista formado por políticos que defendiam o Estado como protetor das classes sociais. Ainda havia muitas pessoas que acreditavam num ideal.

Completamente de direita, existia o integralismo, defendido no Brasil por Plínio Salgado. Simpatizante do nazismo e do fascismo, não cresceu por aqui.

Impossível citar homens famosos e não me lembrar de Getúlio Vargas. Criou a CLT e governou o povo brasileiro com muita popularidade, principalmente entre o operariado. Enganado por amigos próximos e enfrentando uma oposição forte e perigosa, terminou se matando e “saiu da vida para entrar na história”.

E os políticos foram mudando! Chegamos a um ponto em que os extremos eram a dupla PSD/PTB e a UDN. Ulisses Guimarães destacava-se pela esquerda e Eduardo Gomes pela direita. 

Ainda acreditando em idealismo, citaríamos políticos famosos de direita e de esquerda: Carlos Lacerda, Juscelino Kubischek, João Goulart, Jânio Quadros, Leonel Brizola, Teotônio Vilela e Antônio Carlos Magalhães.

O Brasil teve vários presidentes, até chegar a vez de Lula. De origem humilde, sindicalista, que se dizia de esquerda. Aí começou a cair o verdadeiro idealismo, dando origem a políticas de interesse próprio.

Em Alagoas, dentro dessa linha, podemos citar Renan Calheiros. Começou como estudante a fazer política. Foi deputado estadual e chegou ao Senado. Sempre foi homem de confiança dos presidentes e hoje milita na oposição a Temer. Inteligente, perspicaz e sabido, quando você pensa que ele está indo, surpreende-se com ele voltando misteriosamente. Levou a família inteira para militância política e está sendo indiciado em vários processos de corrupção.

No momento atual, já podemos dizer que inexiste o idealismo. Cada partido tem um dono e as pedras são manipuladas por ele, o dono, com vistas ao próximo pleito.

Quando aparece uma sonhadora como Heloísa Helena, é para sofrer nas mãos dos velhos caciques. Acompanhei a luta dela no Legislativo alagoano, sendo enganada pelo jogo sujo dos governistas. Fazia até pena ouvir sua voz gritando por dias melhores e as velhas raposas rindo, zombando da sonhadora.       

Dentre os políticos que militam em Alagoas e no Brasil é bem arriscado dizer no que eles acreditam, por que e para que lutam.

Vejo homens de esquerda e de direita sendo auxiliares de Temer e de Renan Filho. Já com vistas às eleições de 2018 é uma troca interminável de políticos de um lado para outro, a fim de se colocarem nas coligações e serem eleitos.

Ninguém pensa em Alagoas ou no Brasil! A maioria sonha com sua sobrevivência política e em não perder a imunidade parlamentar.

Sempre pergunto aos meus leitores: quem vai escapar nessa dança de políticos? Quem não se corrompeu?   

Nossa triste realidade: o político brasileiro perdeu o idealismo!


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia