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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 941 / 2017

03/10/2017 - 14:48:22

As onze fogueiras

JÚLIO ARIZA

Como  Magalhães contornando a Patagônia, o povo brasileiro vê e passa ao largo da nossa Corte Suprema, sem entender aquelas fogueiras que ardem à distância.

Da mesma forma que Magalhães, nosso povo talvez também se equivoque  sobre qual definição deve dar aos debates travados naquela corte. Magalhães , passando ao largo da costa  via uma sequência de fogueiras. Denominou, então, de Terra do Fogo, uma inóspita e glacial região. E nós, pobres mortais que, como o navegador, possuimos instrumentos de  curto alcance para entender a rebuscada língua e duelos verbais que ali se travam  qual nome lhes daremos ?

O presente julgamento do escândalo denominado Operação Lava Jato,  agora transmitido ao vivo por um canal de TV proprietário, tem revelado à nação e sua plebe rude, a empáfia e exibicionismo de uma linguagem, que, de tão erudita, torna-se ininteligível para 99,99% do povo brasileiro,  falo, preclaros gurus,  para quem ainda não captou minha minha mensagem, das onze fogueiras de vaidades que ardem em nossa Corte Suprema.

Em suas crepitantes manifestações, cada uma delas arde e se inflama no aspergir do verbo que, em certos momentos, imaginamos haver na boca de cada falante, um literal “Roling Stone”,  ou mais claramente,  um rolar de pedras ou seixos.

Outros falam e seus hálitos  parecem aspergir um aerosol de naftalina no ambiente, num  verdadeiro exercício e emprego de termos que, de tão arcaicos e em desuso,  soam  como o realismo fantástico de  um  Professor Astromar.

Enquanto o Presidente da maior e mais poderosa nação do mundo diariamente tweeta pequenos e diretos textos para seu povo  e, tweetando, ganhou as eleições, nós aqui somos forçados a assistir um espetáculo de vaidades que nos deixa com cara de  vivente da idade média em domingo  de missa.

Com se fossem Falcões Negros do verbo, penduram suas capas enviesadas nos ombros e brandem a espada da língua para ferir mortalmente a inteligência e  o pobre vocabulário da plebe.  Não são poucas, as vezes que a compreensão do que ficou acordado em decisões Corte torna-se difícil até para os mais calejados juristas,  tantos  são os labirintos linguísticos.

Esquecidos de que há muito a linguagem forense já se desvinculou da liturgia religiosa, a quem estava unida desde seu nascimento, nossos amados mestres continuam no mundo dos Diálogos Ciceronianos, esquecidos de que entre o trivial e o erudito existe o meio termo da clareza e pragmatismo, esquecem que o homem do mundo moderno está mais propenso e interessado  em apreender mensagens claras e diretas do que ficar estatelado  diante de inescrutáveis  oráculos.

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