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24 de Setembro de 2018

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Edição nº 941 / 2017

03/10/2017 - 14:47:55

Questão cultural

JOSÉ MAURÍCIO BREDA

Quando um reitor de universidade japonesa, em visita a uma congênere brasileira, perguntou ao colega por que esses montinhos nas ruas de um Campus em São Paulo, o professor disse que aquilo se chamava quebra-molas e tinha a finalidade de fazer com que a velocidade dos veículos fosse reduzida. Prontamente, o nipônico questionou: mas e as placas indicativas de velocidade, não são o bastante?

Trago esse fato, que se torna até pitoresco, para comentar sobre a insatisfação de parte da nossa sociedade pela instalação de instrumentos eletrônicos para contenção e vigilância da velocidade dos veículos. Reportando ao professor japonês, certeza temos que não faltam placas indicativas, não só de velocidade máxima, como de tantas outras proibições, mas que não são obedecidas, haja vista os inúmeros carros estacionados indevidamente em vagas de deficientes físicos ou idosos. Em seu voto no Supremo, nesta semana, no caso do senador Aécio Neves, o ministro Barroso foi enfático ao lembrar que o brasileiro está fazendo do erro um hábito. Normalidade. E começa a achar tudo normal. Quando se tenta punir, e não há punição melhor para esse caso que a pecuniária, vira um escarcéu: é o gestor público sugando dinheiro para a campanha.

Ouvi uma senhora reclamar, por uma emissora de rádio, que um dos tais “pardais” estava escondido entre as folhagens da Fernandes Lima, como se não bastassem as visíveis placas indicativas de velocidade com vigilância eletrônica. Um cidadão, entrevistado pela televisão, disse que a substituição de um quebra-molas por um “pardal”, exigindo a velocidade de 40 Km, tornar-se-ia impossível para um motorista obedecer. Pasmem, com o primeiro ele tem que parar, enquanto no outro, apenas diminuir a velocidade. Façam um teste: quando estiverem trafegando pela Fernandes Lima observem a velocidade dos veículos bem acima da pedida pelas placas de 60 Km e vejam como brecam repentinamente quando avistam o aviso de sinalização eletrônica. Chegando às raias da insensatez, passam para 40 Km.

Como se vê, é um problema cultural e não vai faltar quem, no futuro, coloque uma escada num desses postes para, demagogicamente, matar um “pardal”. Já vimos acontecer.


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