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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 941 / 2017

01/10/2017 - 09:36:53

Washington Luiz e Celso Luiz voltarão a disputar comando do Sertão em 2018

FERNANDO ARAÚJO [email protected]
Alvo de investigações no CNJ, desembargador Washington Luiz tem perdido cada vez mais seu poder na política e na Justiça estadual - Foto: Divulgação

O afastamento do desembargador do TJ, Washington Luiz, a derrocada política de Celso Luiz e as derrotas eleitorais de Lula Cabeleira e do deputado Inácio Loiola deixaram o Sertão sem uma liderança política e criaram um vácuo de poder na região. Até então, Washington Luiz e Celso dividiam o poder político e lutavam - cada um à sua maneira – pelo comando do Sertão, região de fraco poder econômico mas de forte influência política ao longo da história alagoana.

Até ser afastado de suas funções junto ao Tribunal de Justiça de Alagoas, o desembargador Washington Luiz Damasceno alimentava o sonho de ser o comandante político do Sertão. Rivalizava esse desejo com Celso Luiz Tenório Brandão, que, antes de cair em desgraça, tentava consolidar sua influência sobre os municípios de Canapi, Inhapi e Mata Grande. Perdeu a eleição em todas essas cidades e acabou na cadeia, com chances de ser condenado e encerrar sua carreira política nas grades.

Washington Luiz, no entanto, mesmo fora do tribunal – também por improbidade – tem um plano B para tentar voltar à política.  Seu afastamento do TJ teve forte influência na derrota do irmão-deputado Inácio Loiola para a Prefeitura de Piranhas, o que enfraqueceu o poder político de seu grupo.  Mas Washington é bem articulado politicamente, e mesmo afastado do poder, mantém viva a sua base de apoio no estado.

O desembargador-afastado tem até o dia 2 de abril de 2018 para decidir seu futuro político. É o prazo final de filiação partidária, que caiu de um ano para 6 meses com a nova legislação eleitoral. Até lá, ele terá escapado das acusações a que responde junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e voltará às atividades no Tribunal de Justiça ou será aposentado compulsoriamente e dará adeus à magistratura.

Fora do poder há mais de um ano, Washington Luiz já deveria ter retornado ao Tribunal de Justiça - mesmo ainda restando dois processos contra ele. É que expirou o prazo de seu afastamento determinado pelo CNJ, mas o Pleno Virtual do Conselho decidiu manter o desembargador afastado por mais 90 dias (Veja box). No entanto, até os seus adversários dentro do TJ acreditam que até lá o CNJ julgará o caso e mandará o desembargador vestir o pijama ou o devolverá às suas atividades no tribunal.

Mantido esse prazo e a opção do CNJ pela aposentadoria, Washington Luiz terá tempo suficiente para montar uma estrutura de campanha e tentar retornar à Assembleia Legislativa Estadual ou disputar uma cadeira na Câmara Federal. Como ensinava o filósofo paraibano José América de Almeida, ninguém se perde no caminho da volta.

Caso retorne ao posto de desembargador, Washington Luiz reunirá seu grupo político para reeleger o deputado estadual Inácio Loiola e tentar retomar o comando da Prefeitura de Piranhas, que escapou da família também por obra e graça da gestão desastrosa da filha Mellina Freitas, hoje na equipe de Governo de Renan Filho.

Celso Luiz e Lula Cabeleira estarão no páreo

Na empreitada de volta às origens, Washington Luiz, no entanto, enfrentará pedras no caminho, que atendem pelo nome de Celso Luiz e Luiz Carlos Costa, o Lula Cabeleira. O primeiro, movido a vingança, pretende recuperar seu prestígio político elegendo o filho deputado estadual, enquanto o segundo aposta no fracasso do prefeito Padre Eraldo para eleger a filha Ziane deputada estadual e, a partir daí, tentar reconquistar o comando da Prefeitura de Delmiro Gouveia, que tem a cara de Lula Cabeleira, e vice-versa.

Mesmo preso após ser afastado da prefeitura de Canapi, Celso Luiz, politicamente, ainda está vivo. Caso venha a ser condenado por improbidade administrativa com suspensão de seus direitos políticos, o ex-prefeito e ex-deputado ainda tem muita gordura para queimar.

Além do grupo político sob sua liderança, Celso Luiz pretende eleger o filho deputado e depois retomar o comando político das prefeituras de Inhapí, Canapi e Mata Grande. Não será tarefa fácil, mas ele conta com a ajuda da família e da esposa, conselheira do Tribunal de Contas do Estado, que sempre funcionou como muleta para os coronéis da política alagoana. 

Natural de Inhapi, Luiz Carlos Costa, o Lula Cabeleira, migrou para Delmiro Gouveia ainda jovem e lá construiu grande patrimônio empresarial e uma sólida liderança política. Seu temperamento, no entanto, impediu a formação de um grupo político sob seu comando, o que o levou a sofrer algumas derrotas para a oposição, sempre com prejuízo para o município.

Arrogante, administrou a cidade como se fosse propriedade sua, o que o impede de alçar voo mais alto e até mesmo consolidar sua liderança política na região. Mas tem bala na agulha para eleger um deputado estadual e retomar o comando da prefeitura local.

Mesmo tendo a filha Ziane como herdeira política, Lula Cabeleira apostou na candidatura do deputado Carimbão, logo rotulado de “paraquedista”, e perdeu a eleição em Delmiro Gouveia para Padre Eraldo, que promete ser um desastre administrativo. O novo prefeito já era criticado pela população mesmo antes de demitir mais de mil servidores comissionados que ele próprio havia contratado para atender compromissos de campanha. 

Padre Eraldo Joaquim Cordeiro é natural de Água Branca. Ao se eleger prefeito na terceira disputa eleitoral, tentou botar em prática os ensinamentos que pregava na sua igreja, mas logo se decepcionou: “Ser prefeito é um negócio de corno”, desabafou logo depois de assumir o mandato. Não se sabe, exatamente, o que o ex-padre quis dizer com sua tosca frase.

Afastamento de desembargador é prorrogado

Vera Alves

[email protected]

A depender do Conselho Nacional de Justiça, o desembargador Washington Luiz Damasceno Freitas não retorna antes de 2018 a seu gabinete no Tribunal de Justiça de Alagoas. Há uma semana, o Plenário Virtual do CNJ decidiu prorrogar por mais 90 dias o afastamento dele para conclusão das investigações acerca de seu suposto envolvimento com o cartel da merenda escolar.

Trata-se de acusação investigada no bojo do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) nº 0003335-95.2016.2.00.0000 e que em Alagoas ficou conhecida como escândalo da máfia da merenda escolar. Em termos sucintos, o desembargador teria recebido propina para conceder liminar favorável a uma das empresas que, de acordo com o Ministério Público, integrava o cartel, a S P Alimentação e Serviços Ltda. O relator do PAD hoje é o recém-empossado conselheiro Aloysio Corrêa da Veiga, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Não menos emblemático é o PAD nº 0003333-28.2016.2.00.0000 que tinha como relator o conselheiro Arnaldo Hossepian, procurador do Ministério Público paulista cujo mandato se encerrou, mas que pode vir a ser reconduzido para ocupar a vaga do MP no colegiado. As investigações giram em torno do apadrinhamento de Washigton Luiz a o ex-genro Cristiano Matheus durante a gestão deste na Prefeitura de Marechal Deodoro.

De acordo com o portal do CNJ, o processo já está em fase final de conclusão. Isto depois de a Superintendência da Polícia Federal de Alagoas haver respondido ao pedido de envio de uma gravação na qual Washington Luiz e o também desembargador Fernando Tourinho estariam articulando uma estratégia para blindar Matheus das denúncias levadas ao TJ pela Procuradoria Geral de Justiça. Não há informações quanto a gravação ter ou não sido enviada.

Os dois PADs ainda terão de ser analisados pelo Pleno do CNJ. No último dia 19,  o colegiado arquivou o processo em que o desembargador foi investigado por suposto favorecimento ao ex-prefeito de Joaquim Gomes Antônio Araújo Barros, o Toinho Batista.

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