Acompanhe nas redes sociais:

25 de Setembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 940 / 2017

27/09/2017 - 08:52:29

Retornando às origens

Alari Romariz Torres

A vida é muito engraçada. É na realidade uma passagem pela terra, que devemos aproveitar com muita garra.

Nasci na época da guerra e tenho vagas lembranças das noites escuras, quando meu pai avisava para não acender as luzes. Via meu velho, que era alfaiate, consertando roupas verdes de soldados do antigo 4º RAM. Era composto o regimento por rapazes que vieram do interior de São Paulo.

Minha mãe contava, rindo, histórias de amor entre os sulistas e as garotas serelepes das Alagoas. Os namorados eram casados, quase sempre.

E a guerra acabou. Os soldados voltaram para suas terras. Por aqui ficaram alguns filhos ilegítimos.

Fomos crescendo e em 1949 caiu uma barreira na “entrada do Poço. Meu pai tinha acabado de comprar uma casa e o desastre quase levou tudo que tínhamos.

Naquela época já havia corrupção: veio do Rio de Janeiro, enviado pelo  governo federal, um navio carregado de comida, agasalhos e panelas. Os dirigentes não distribuíram tudo com as vítimas da chuva. Não sei onde foram parar os presentes. Só sei que não recebemos nada.

A compra da casa foi anulada e nós, após dois anos, fomos morar no Farol, na Avenida Fernandes Lima. Uma infância e pré-adolescência maravilhosas! Liberdade vigiada, passeios de bicicleta, jogos de vôlei, feira livre na Santa Rita e os namoricos foram aparecendo.

Mais uma reviravolta e tivemos que vender a casa. Voltamos ao aluguel e fomos morar em várias outras ruas no centro da cidade, até chegarmos à Ladeira dos Martírios.

Os quatro irmãos mais velhos já adolescentes e as distrações eram diferentes. Mas as lembranças do Farol foram inesquecíveis.

Fomos casando, saímos de casa e começamos a ter filhos. Nossas residências eram cheias dos amigos de nossos filhos e a responsabilidade ia aumentando.

Os fatos políticos não nos interessavam muito, mas em 1963 já havia televisão e as notícias chegavam ao Nordeste com rapidez.

Lembro-me da saída de Jango e do início da intervenção militar. Foram anos e anos de notícias diferentes, de ambos os lados. Sentíamos algo fervendo “por baixo dos panos”, mas não sabíamos o que era.

Até que os civis tomaram conta e começaram a falar do regime militar. Entrou Sarney e a inflação crescia assustadoramente. Quando Collor assumiu, veio o golpe com a intervenção na poupança dos brasileiros. Um amigo meu tinha vendido uma fazenda para comprar outra, mas o governo confiscou todo seu dinheiro; ele teve um infarto e morreu.

Lula chegou à Presidência com a ganância de três eleições perdidas e trouxe com ele o Partido dos Trabalhadores. Aí começou a desgraça do Brasil!

Os filhos foram casando, os netos chegando e o ninho dos pais foi ficando vazio. A vida foi mudando, eu e meu marido construímos uma linda moradia à beira mar e podíamos proporcionar à criançada férias muito boas. Foram quase vinte anos de muita alegria!

Enquanto isso, o PT ia acabando com o país e poucos percebiam. Lula fez um bom primeiro governo, mas foi perdendo o controle das contas.

De repente, mais que de repente, tudo escureceu: vem o mensalão, aparecem “taturanas” por aqui, as prisões, as delações e começamos a entender que política e corrupção estavam misturadas.

E a casa foi ficando sem finalidade, os netos saíram para estudar fora e os velhos se viram sós num enorme lar. Chegou a hora de voltar para um pouso menor, viverem os dois juntos e começar tudo de novo!

É a lei da vida!!!

Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia