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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 940 / 2017

21/09/2017 - 18:37:59

Fazendeiro Zé Nilton Ferro é preso no Maranhão

Condenado em Alagoas pelo atentado contra Cícero Ferro, ele pegou 10 anos pela morte de ex-policial

Vera Alves [email protected]
Wanderley, Wagner, Zé Nilton e Jackson Ferro durante o julgamento de 2014 no qual foram condenados pelo atentado contra o então deputado Cícero Ferro

A Justiça do Maranhão conseguiu o que há anos a população alagoana espera da Justiça de Alagoas: colocar atrás das grades uma das figuras mais conhecidas e temidas no interior de Alagoas, o fazendeiro José Ilton Cardoso Ferro, conhecido no estado pela alcunha de Zé Nilton.

Na semana passada, mais precisamente no dia 13, ele foi condenado e preso pelo assassinato de um ex-policial civil, executado há 10 anos com vários tiros de diferentes calibres.

Zé Nilton chegou a ser considerado foragido da justiça em Alagoas no ano passado, junto com dois filhos – Wagner e Wanderley Cardoso Ferro – e um sobrinho – Jackson Cardoso Ferro, depois que o Tribunal de Justiça manteve a decisão do júri de 2014 que condenou os quatro pelo atentado contra o ex-deputado Cícero Ferro e o motorista dele, José Maria.

Ocorre que, em abril último, eles conseguiram junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o relaxamento da ordem de prisão que havia sido expedida no dia 20 de janeiro deste ano pela 9ª Vara Criminal da Capital em cumprimento ao acórdão do julgamento da apelação pela Câmara Criminal, ocorrido no dia 14 de dezembro.

Prevaleceu no STJ o entendimento de que ainda não haviam sido esgotados os recursos junto à segunda instância, uma vez que a Corte alagoana ainda não julgou os embargos declaratórios opostos contra a decisão da Câmara e cuja relatoria está com o desembargador João Luiz Azevedo Lessa.

No julgamento da apelação, o TJ também redimensionou a pena definida no júri realizado em fevereiro de 2014. José Ilton Cardoso Ferro e Wanderley Macedo Cardoso Ferro, que haviam recebido pena de 11 anos, 11 meses e dez dias, deverão cumprir agora 10 anos de reclusão. Wagner Macedo Cardoso Ferro, antes condenado a 12 anos, nove meses e 10 dias, deverá cumprir 11 anos e três meses, enquanto Jackson Cardoso Ferro, condenado a 14 anos, 10 meses e 10 dias, teve a pena redimensionada para 11 anos e três meses.

O bando comandado por Zé Nilton foi condenado pela fracassada tentativa de assassinato contra o então deputado Cícero Ferro (atual suplente de deputado, primo do fazendeiro. A emboscada ocorreu em janeiro de 2004 quando Cícero Ferro se dirigia à sua fazenda em Minador do Negrão e foi surpreendido por um grupo armado que disparou mais de 200 tiros contra sua picape. Ferro e o motorista escaparam por sorte, mas saíram gravemente feridos do atentado. A rixa familiar tem origem na disputa pelo comando político de Minador do Negrão. 

Irmão da ex-prefeita Socorro Cardoso Ferro e tio do atual prefeito de Minador, Gleysson Cardoso Ferro, Zé Ilton e os filhos estão há mais de 12 anos vivendo no Maranhão. O fazendeiro é conhecido como um dos maiores pecuaristas da região de Imperatriz. [

Ex-policial foi executado em emboscada

O fazendeiro José Ilton Cardoso Ferro foi condenado na semana passada a 10 anos de prisão em regime fechado em júri realizado na Comarca de João Lisboa, cidade localizada a 639km da capital maranhense, São Luís. Também foram julgados seu filho Wagner Macedo Cardoso Ferro e dois de seus empregados, Adelson Ângelo da Silva e Roberto Laurindo dos Santos. Os três acabaram sendo absolvidos por maioria de votos pelo Conselho de Sentença, embora no caso de Wagner quatro dos sete jurados tenham votado no sentido de que ele teria se associado de forma criminosa para o cometimento do crime de homicídio que teve como vítima José Heleno Santos Urbano.

Urbano - que estava prestes a ser reincorporado à Policia Civil do Maranhão, da qual havia sido expulso em 1999 por suspeita de envolvimento em assaltos e receptação de cargas roubadas na região tocantina – foi executado com dezenas de tiros às 18h30 do dia 6 de setembro de 2007 na Fazenda São Francisco, na Vila Tibúrcio, município de João Lisboa e pertencente a Zé Nilton Ferro. A região tocantina envolve 24 dos 217 municípios maranhenses, sendo que o mais desenvolvido é Imperatriz.

O ex-policial teria ido de carro à fazenda a convite do alagoano. Proprietário de uma fazenda vizinha, estava acompanhado de três trabalhadores seus que ficaram no veículo. Ao se dirigir sozinho para a sede da fazenda, foi surpreendido por um Fiat Strada de cor prata de onde saiu um grupo de oito homens que passaram a atirar contra ele. Segundo a perícia, foi alvejado por 19 tiros. Na sequência, de acordo com depoimentos de testemunhas, Zé Nilton apareceu e determinou aos empregados da vítima que levassem o corpo do patrão e deixassem a fazenda em 10 minutos.

No julgamento do último dia 13, Zé Nilton também foi condenado a pagar indenização de R$ 5 mil à família de José Heleno para fazer face às despesas que teve com o funeral.

Fazendeiro alega doença e pede prisão domiciliar

José Ilton Cardoso Ferro está detido na penitenciária de Imperatriz e tenta através de seus advogados, dentre os quais o alagoano Raimundo Palmeira, obter o benefício da prisão domiciliar sob o argumento de que está doente. Teria diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia (alta concentração de gordura no sangue). Na terça, 19, o juiz Glender Malheiros Guimarães, titular da 1ª Vara de João Lisboa, negou o pedido, mas em “respeito ao postulado da Dignidade da Pessoa Humana” pediu informações à Secretaria Estadual de Administração Penitenciária do Maranhão quanto a haver condições de ser oferecido tratamento adequado às enfermidades constante de laudos médicos entregues pela defesa do fazendeiro.

O quadro de hipertensão e diabetes já havia sido relatado ao juiz um dia após a condenação. Esta semana, o fazendeiro alegou mais uma doença: estaria depressivo. A alegação recebeu a seguinte resposta do magistrado em despacho na terça, 19: “Considerando que o quadro depressivo foi diagnosticado de maneira inédita nos autos e provavelmente na vida do reeducando, após a prisão, entendo salutar que o mesmo seja submetido a nova avaliação psiquiátrica, por médico vinculado à Secretaria Estadual de Saúde para que confirme ou não o diagnóstico da psiquiatra particular do reeducando”.

Em Minador do Negrão, onde Zé Nilton é conhecido por suas tramoias, corre a informação de que, se fracassadas as tentativas de prisão domiciliar por motivo de saúde, uma nova manobra estaria sendo engendrada pelo fazendeiro, a de que teria formação superior em Medicina Veterinária o que lhe daria direito, pelo menos, a prisão especial. 


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