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19 de Novembro de 2018

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Edição nº 939 / 2017

18/09/2017 - 09:33:49

Alagoas 200 anos: comemorar o que?!

ELIAS FRAGOSO

200 anos de domínio oligárquico retrógado, incompetente e mais das vezes corrupto e violento? 200 anos de freios e grilhões que frustaram o desenvolvimento das Alagoas?

200 anos de exploração máxima do estado em benefício de poucos e em detrimento de todos?

200 anos de pobreza extrema e subdesenvolvimento “muito bem desconstruído”? 

200 anos de discursos dissonantes, desapetrechados e descompromissados com a realidade?

200 anos de exploração bruta, brutal e míope às mínimas, basilares pretensões da população?

200 anos de mandonismo de uma casta cleptocrata insensível, renitente e resistente?

200 anos de desconstrução “profissional” que nos levarão a outros 200 anos para consertar?

200 anos que nos deixaram sem perspectivas de soluções no curto e até no médio prazo?

Não. Não há o que comemorar. É preciso, isso sim, indignar-se, parar com o recorrente oba-oba de que somos isso, somos aquilo a mais que os outros. Não somos e os números provam.

EDUCAÇÃO

•Último lugar no PISA  – programa que avalia o nível de qualificação dos alunos da educação básica no Brasil e no mundo.

•O 2º pior IDEB do país – Índice que mede o grau de desempenho dos alunos da Educação Básica no País (notas oscilantes em torno de 3.5).

•Analfabetos (IBGE) – 21% dos alagoanos. A mais alta taxa do Brasil.

•Analfabetos funcionais (IBGE) – O pior índice do Brasil. 50% das pessoas do estado.

•Evasão escolar (UNICEF) – A mais alta taxa do país. Mais de 25% dos alunos educação básica desistem dos estudos.

SAÚDE, SANEAMENTO 

E ABASTECIMENTO DE ÁGUA

•Mortalidade infantil (IBGE) – 21% de mortes de recém-nascidos até 1 ano de idade. A terceira pior taxa do país.

•Expectativa de vida (IBGE) – A 5º pior do estado brasileiro –  Expectativa de 71,2 anos.

•Maceió (Instituto Trata Brasil) – pior índice de saneamento dentre as 100 maiores cidades do país – 63% da população não tem saneamento.

•Água (ANA) – 50% da água tratada é desperdiçada. Não chega à casa do consumidor.

DESEMPREGO, RENDA 

E DESENVOLVIMENTO SOCIAL

•Desemprego (PNAD) – A maior taxa do Brasil (51%)  – 1.300.000 pessoas desempregadas.

•Renda (IBGE) – A segunda menor renda pessoal do país: 1.350 reais/mês em média.

•Desenvolvimento humano (IBGE) – O pior índice do país.

INSEGURANÇA/VIOLÊNCIA URBANA

•2º estado com maior número de assassinatos no Brasil (Forum Brasileiro de Segurança Pública) – 1.875 mortos em 2016. Maior que o total de 2015.

AGRONEGÓCIO, AGRICULTURA 

E POLO CLOROQUÍMICO

•Setor agroaçucareiro – Domina politicamente o estado, econômica e tecnicamente inviável, não competitivo e sempre dependente de favores fiscais  (de novo pressionam o governo – mesmo na quadra difícil que vivemos –  a conceder mais facilidades ao setor, conhecido vampiro de recursos da economia alagoana, que não proporciona nenhum retorno ao Estado, exceto hoje minguados subempregos  para analfabetos e aos barões do açúcar.

•Desertificação – 62% dos municípios do estado já apresentam áreas em processo de desertificação e a tendência é de aumento dessa calamidade.

•Produção agrícola – Incipiente, predominantemente de sequeiro, de baixíssima produtividade, pouca tecnologia, pequeno valor agregado e insuficiente para “ajudar” a economia do estado.

•Polo cloroquímico – A maior oportunidade econômica perdida por Alagoas em todos os tempos, por falta dos incentivos adequados e de uma política (rigorosamente inexistente desde sempre) para atração de empresas de segunda e terceira geração capazes de gerar os empregos e o desenvolvimento que faltam no estado.

•Política industrial – O alarmante deficit qualitativo da mão de obra local, o pequeno tamanho do nosso mercado e o micro potencial de consumo do estado (quase um traço nas estatísticas nacionais) e arremedos de políticas industriais ao longo do tempo, “premiaram” Alagoas como uma das unidades menos industrializadas do país.

ECONOMIA

•Situação fiscal – Temos a 2ª mais dramática situação fiscal dentre os estados brasileiros (no ranking do Tesouro Nacional, a nota do estado é D numa escala que vai de A+ a D). Posição só melhor que a do já quebrado Rio de Janeiro.

•Modelo de geração de renda sem produção – a expansão da renda no estado se dá via (pasmem) bolsa família e consumo das famílias. Nosso grau de investimentos em produção é o mais baixo do Nordeste (que já é o menor dentre as regiões do país). Esse modelo, associado à baixa qualidade da mão de obra e a questões estruturais, basicamente inviabiliza investimentos corporativos capazes de reverter essa situação.

•Crescimento do PIB (IBGE) – inferior à média do Nordeste e insuficiente para a criação sustentável de empregos

•Competitividade (www.rankingdecompetitividade.org.br/) – Último lugar dentre os estados brasileiros no ranking elaborado pela revista britânica The Economist e a Tendências Consultoria 

•Potencial de mercado (IPC Marketing) – tamanho ínfimo, menor renda do país, último lugar (com traço) dentre os estados 

•Insolvência da previdência do Estado – rombo de mais de 1 bilhão de reais. Impagável nas cincunstâncias atuais da situação fiscal do Estado.

E vai por aí. De pior a muito pior. Alagoas precisa urgentemente se reinventar.

A maioria das pessoas tem um projeto de vida. Pode dar certo ou errado,  mas têm um projeto. O Estado não têm. Sem avançar nas questões básicas da educação, sem inovação nos setores mais dinâmicos, sem a indução a investimentos seletivos e de qualidade na produção, não há como se aumentar a renda e, portanto, o grau de bem estar e desenvolvimento. Modelos de crescimento baseados em consumo das famílias não são sustentáveis. A médio e  prazo viram “voo de galinha”. Não sustentam o desenvolvimento econômico.

Somos pequenos em termos de população e geografia. Mas podemos nos especializar em algumas áreas, começar a nossa “ida para cima” por um projeto de educação de médio prazo (exemplos existem). Podemos “encurtar caminhos” com forte programa de atração de cérebros para a inovação; Investir em turismo, nossa vocação natural (não esse “turismo” de segunda linha que temos). Ou quem sabe, em um polo gastronômico, de design ou de TI... E não podemos “esquecer” as possibilidades de médio e longo prazo do polocloroquímico. Precisamos nos “especializar” e sinalizar os estímulos a serem dados aos setores selecionados.  Isso é o básico que se espera. E não temos. Já perdemos tempo demais: 200 anos.  Alagoas merece destino melhor!


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