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26 de Setembro de 2018

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Edição nº 939 / 2017

18/09/2017 - 09:17:57

Jorge Oliveira

Joesley, depois do porre, a ressaca

Jorge Oliveira

Brasília - Será que eu entendi bem? O cara toma um porre, liga para o amigo, diz um monte de sandices contra todo mundo e depois pede desculpas. É isso mesmo?  E quando esvaziava os cofres dos bancos oficiais também estava embriagado? Ora, Joesley, conta outra, essa não cola. Como é que o senhor, um dos empresários mais ricos do mundo, com faturamento de mais de 150 bilhões de reais, é tão leviano? 

Que garantia têm os seus investidores quando sabem que o seu principal acionista fala um monte de besteiras quando bebe, atropela a gramática e mostra-se um cara tão arrogante, aquele manda-chuva que diz comprar tudo e todos (“Janot, nesta sua escola eu fui professor”, diz na gravação). Joesley agora vai para a cadeia onde aprenderá a beber sem dar vexame. E lá dentro, senhor, é o salve-se quem puder. Prepare o bolso.

Dizem alguns entendidos que quando o cara se embriaga fala coisas que sóbrio jamais falaria. O bêbado naquele momento, em devaneio, é autêntico. Talvez, por isso, Joesley teria soltado a língua e falado o que realmente pensa do seu país, dos brasileiros e dos seus governantes. Considera todos uns idiotas, incapacitados, dementes. Tão dementes que caíram na sua conversa de vendedor de bugigangas e o ajudaram a juntar os bilhões de reais. Se você duvida, veja trechos das gravações, onde ele diz que será o último coveiro a botar a tampa do caixão. Ou seja: com toda fortuna lá fora, ele e os comparsas estavam pouco preocupados com a situação do país que ajudou a afundar com os seus amigos petistas. Depois de enterrar o Brasil em cova rasa, Batista tinha planos para se mandar e jamais botar os pés aqui dentro.

Foi assim, de gole em gole, que os irmãos Batista atravessaram a fronteira da ética e da moralidade. Acumpliciados com a petezada, com quem mantinham uma conta-corrente para sustentar seus dirigentes no poder, eles tiveram acesso aos bancos oficiais e dali saíram com bilhões de reais para erguer seu império. Na contramão da história, os petistas consolavam os lesados com umas casinhas fuleiras do “Minha Casa, Minha Vida”, a promessa de um pouco de água do São Francisco, a construção de arenas bilionárias para entreter a moçada do futebol e um aumentozinho do Bolsa Família para agregar à ceia mais um pouquinho de mandioca e feijão para os miseráveis. Enquanto mantinham esse segmento anestesiado com o clientelismo, escancaravam os cofres para os empresários espertos e gulosos se fartarem com o nosso dinheiro.

O depoimento do Palocci ao Sérgio Moro não deixa dúvidas: o PT entregou o país a esses empreiteiros e empresários aventureiros e beberrões. Só quem nega essas evidências hoje são alguns articulistas da seita arrancados de suas redações por Lula para proteger o assalto que o partido fazia aos cofres públicos. E para os jornais, por comprovada cumplicidade com a sujeira, não voltaram mais. Agora, muitos deles deprimidos porque o Palocci detonou a dupla Lula/Dilma como os cabeças da organização criminosa, querem detonar o companheiro.

Verdadeiro

O Palocci não está inventando nada. Ele era da cozinha do Lula e da Dilma. Foi articulador político e arrecadador principal das campanhas dos dois à presidência. Ele apenas está confirmando o que empresários e executivos de estatais já disseram ao juiz Sérgio Moro. Existia, sim, uma conta-corrente das empreiteiras para financiar as campanhas petistas e manter o partido no poder com dinheiro de popina. Os petistas críticos ao ex-ministro, vão agora à ditadura para desqualificar o seu depoimento. Dizem que ele “virou cachorro”, termo que se usava para identificar um preso político que, sob tortura, denunciava seus companheiros. 

Olha o Zé

Quem espalha isso é o Zé Dirceu na tentativa de passar à história como um cara ideológico, que vai de cadeia em cadeia sem “entregar” ninguém. Espera, com isso, reconhecimento dos companheiros com uma estátua sua erguida em frente à Papuda para que seus seguidores o reverenciem. Até pouco tempo, Palocci era o grande formulador do PT, o cara que redigiu a “Carta ao Povo Brasileiro” para abrir as portas do Centrão para Lula, que tinha acesso aos gabinetes dos mais proeminentes empresários e políticos do país. De um momento para outro, por dizer a verdade, é acusado de dedo-duro. Lula, por exemplo, o descredencia, se diz decepcionado. Mas veja o que disse sobre ele em abril deste ano: “Palocci é meu amigo, uma das maiores inteligências políticas do país. Ele tá trancafiado, mas não tenho nenhuma preocupação com a delação dele”. 

 Inferno

É assim mesmo, o cara vai do céu ao inferno quando deixa de comer no cocho da petezada. Quero ver quando o Lula for preso e entrar para o seleto grupo dos colaboradores. O que os seus seguidores vão dizer? O que os articulistas de plantão vão escrever para eufeminizar a sua delação premiada? Não se surpreenda, caro leitor, o Lula vai entregar a Dilma no primeiro interrogatório, como fez com a mulher dele e outros companheiros. 

Cabral

Disse aqui certa vez que Al Capone seria um ingênuo estagiário nas empresas dos irmãos Batista. Pelo que sabemos do gangster de Chicago, ele saia de armas em punho para confrontar seus desafetos, matando-os como um serial killer. Quem não rezasse na sua cartilha era executado sumariamente. Sua organização atuava em todas as áreas, desde o contrabando de bebidas, sequestros, assaltos até o lenocínio. Corrompia a polícia, o judiciário e os políticos para burlar a Lei Seca, na década de 1920, nos Estados Unidos. Um dia, porém, caiu nas mãos do agente do Tesouro Americano Eliot Ness, que chefiava os intocáveis, e a casa caiu. 

Colarinho

Pois bem, essa história guarda alguma semelhança com os atuais criminosos de colarinho branco do Brasil? Claro que sim. Ao apontar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como chefe da organização criminosa brasileira que saqueou os cofres públicos, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, finalmente, começa a dar nomes aos bois. Ao contrário de Al Capone – que vivia basicamente do contrabando de bebida – aqui, Lula criou um partido político que se transformou numa quadrilha que dilapidou o patrimônio financeiro do país. 

Desastre

As consequências foram danosas: 14 milhões de trabalhadores desempregados, a economia destroçada, crianças fora das escolas, a violência desordenada, um caos na saúde e na educação, obras de infraestrutura paralisadas, empresas e bancos estatais quebrados e fundos de pensão descapitalizados. Na cadeia, hoje, está boa parte da cúpula do PT, inclusive tesoureiros e ministro da Fazenda. Na lista de espera, Lula, Dilma, o casal Gleisi e Paulo Bernardo e Edinho denunciados pelo procurador-geral da República como integrantes da organização criminosa.  

Facções

Os quatorze anos do governo do PT se parecem muito com os métodos que Al Capone adotou para corromper o estado e seus agentes públicos. Para movimentar seus negócios ilegais, o bandido transformou pessoas aparentemente honestas em delinquentes. No Brasil, a organização petista agiu politicamente. Presidentes e presidenciáveis, políticos e empresários foram atraídos para o buraco negro da corrupção. O dinheiro do contribuinte foi distribuído para as várias facções partidárias que se espalharam pelo país. Descobre-se agora R$ 51 milhões de reais dentro de um apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima, prática usada pelo narcotraficante Pablo Escobar para esconder a fortuna suja do tráfico de drogas. 

Brasil podre

É dolorosa essa constatação, mas, infelizmente, é verdadeira: o Brasil apodreceu. Sabe-se também que alguns votos para o país sediar as Olimpíadas foram comprados por Sérgio Cabral & Companhia. As imagens da escolha do Rio como sede são patéticas, quando vistas hoje. Cabral corre para abraçar o Lula efusivamente, enquanto os convidados, entre eles o escritor Paulo Coelho, vibram como crianças felizes com a guloseima sem saber que por trás existia uma transação de milhões de dólares para encobrir a farsa. 

Império

O engenhoso Cabral dividiu seu território em um principado fecundo que prosperou por décadas no Rio gerando riqueza para ele e seus vassalos. Iniciou seu reinado dando o nobre título de rei ao seu amigo Arthur Cesar Menezes Soares Filho, comerciante, responsável pelo abastecimento da corte. Assim, com um tesouro de 3 bilhões de reais, Rei Arthur foi às compras. Com milhões de dólares corrompeu os dirigentes das entidades esportivas mundiais porque Sua Majestade, o Cabral, precisava compensar seus súditos com pão e circo oferecendo-lhes o Pan, a Copa do Mundo e os jogos Olímpicos. Com o fim do reinado, o circo desmoronou-se e o pão acabou. A corte faliu. Cabral está preso e o Rei Arthur foragido. Primeiro caiu o rei, depois a rainha. E agora, os vassalos, como na música Cartomante, de Ivan Lins:  Cai o rei de Espadas/Cai o rei de Ouros/Cai o rei de Paus/Cai, não fica nada.    

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