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18 de Novembro de 2018

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Edição nº 939 / 2017

14/09/2017 - 21:55:30

Em meio à crise, prefeitos demitem servidores em massa

Segundo presidente da AMA, não há previsão de melhoras

José Fernando Martins [email protected]
Para o presidente da AMA, Hugo Wanderley, intensidade da crise pegou os gestores de surpresa

Prefeitos de Alagoas se viram face a face de uma crise econômica, que apesar de ter nascida no Governo Dilma Rousseff, chegou rapidamente à fase adulta com o presidente golpista Michel Temer. Os gestores se depararam com despesas maiores que as receitas tendo como saída a demissão de funcionários comissionados. Na dança das dispensas já participaram Delmiro Gouveia, Novo Lino, São Luiz do Quitunde e União dos Palmares. Essa última até contou com desabafo do prefeito Areski Junior, mais conhecido como Kil (PMDB), nas redes sociais. 

O gestor, em vídeo, foi direto ao ponto e explicou à população: a cidade tem quitado as contas municipais “no braço” e que era inconcebível a Prefeitura ter funcionários trabalhando sem receber. Além disso, deu o prognóstico: a previsão financeira para o mês de outubro é a pior possível”. Nesta avalanche de demissões, as cidades de Santa Luzia do Norte, Japaratinga, Batalha e Olho D’água do Casado também estão focadas na contenção. 

“É momento de segurar as rédeas no meio dessa situação difícil. Não temos uma perspectiva de melhoras. Antes, sabíamos quais os meses mais críticos, mas também que sempre havia uma melhoria após disso. Hoje, não temos mais essa certeza por causa da instabilidade política do país. No começo do ano, tínhamos uma boa espectativa para o segundo semestre, até aquela bomba entre a JBS e o presidente Temer. Depois disso, tudo afundou novamente”, frisou Hugo Wanderley, prefeito de Cacimbinhas (PMDB) e presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA). 

Uma das principais dificuldades dos prefeitos é dar continuidade aos programas do Governo Federal, que tem atrasado verbas e repasses. Conversa nos bastidores da política evidencia um futuro “calote” de Temer em atividades voltadas à assistência social. “Fora os programas que estão atrasados. A Saúde está deficitária e a Educação, que era a única área que se pagava, já está em colapso. Ainda tivemos o desastre da repatriação. No ano passado, Cacimbinhas arrecadou R$ 1 milhão. Neste ano, o valor foi de R$ 40 mil. Nem os piores prognóstico chegaram o que estamos enfrentando agora”. 

No início do ano, a AMA orientou os gestores a terem cautela e que também evitassem contratações. “No decorrer dos anos, estamos perdendo receita, com uma fatia do bolo cada vez menor, mas com obrigações cada vez maiores. Um exemplo é o programa Criança Feliz, que foi anunciado com muita popa, que quem banca somos nós. Enviam R$ 5 mil reais por mês, temos que rezar para não atrasar. Isso não dá para nada porque temos que ter um coordenador, cinco visitadores, carro, materiais, sede. Uma despesa a mais para o município”. 

Questionado se os prefeitos estariam gerindo mal o Executivo, Wanderley considera que depende do caso. “Muitos já pegaram a prefeitura bagunçada, outros que tinham usinas, mas que hoje estão falidas. Alguns têm quadro efetivo muito grande, como Maribondo com seus números de concursados de altos salários, uma despesa fixa que não tem como cortar”. 

Programa do 

Leite ameaçado

 Hugo Wanderley, nesta quarta-feira, 13, assegurou à diretoria da Cooperativa de produtores de leite de Alagoas que a AMA vai entrar na luta para manter o programa que beneficia 80 mil famílias no Estado, com um litro do produto, 4 vezes por semana. Essas famílias correm o risco de deixar de receber o leite que reforça a alimentação de crianças, nutrizes e gestantes em situação de risco alimentar porque o atraso nos repasses feitos através do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), que custeia parte do programa, já supera  R$ 30 milhões.

Na outra ponta, mais de 3 mil agricultores familiares que fornecem leite para o programa correm o risco de perder uma importante renda, de R$ 1,26 por cada litro fornecido, o que pode elevar a maioria deles a abandonar a atividade. Mesmo com o Governo do Estado tendo antecipado os valores da contrapartida, o atraso no pagamento aos agricultores familiares chega agora a dois meses e meio.

“Hoje a situação é de crise. Com o atraso no pagamento, muitos agricultores familiares já avisaram que vão deixar o programa se os recursos não forem liberados nos próximos dias”, alerta Aldemar Monteiro, presidente da Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA). O governo federal não cumpriu o que o presidente Michel Temer e o ministro Osmar Terra, do Desenvolvimento Social, prometeram em dezembro passado, em ampliar e regularizar os pagamentos, obrigando o Programa improvisar os pagamentos somente com a contrapartida do Estado durante todo o ano. De janeiro até agora o programa operou com R$ 7 milhões de contrapartida do Estado. (Com assessoria).


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