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21 de Setembro de 2018

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Edição nº 938 / 2017

11/09/2017 - 15:40:34

Motorista larga o álcool e se dedica ao transporte escolar

Manoel Messias tem 45 anos e precisou ser acolhido para curar a dependência química

Victor Brasil
Murilo, o filho, revela estar orgulhoso do pai

O motorista escolar do município de Mata Grande, Manoel Messias de Lima, de 45 anos, viu toda a sua vida ser devastada pelo consumo excessivo de álcool. Deu o primeiro gole aos 16 anos, quando acreditava que a bebida alcoólica era a única forma para a diversão. E assim, começou uma saga até perder todos os bens para pagar suas contas nos bares da cidade.

“Eu acreditava que para me divertir tinha que beber. No início, eu tinha controle e bebia apenas em festas e nos finais de semana. Engana-se quem pensa que você terá esse controle para sempre”, enfatizou o motorista.

Manoel Messias acredita que o descontrole emocional foi um ponto forte para fazer com que o álcool dominasse toda a sua vida. “Eu casei, formei uma família e era muito feliz. Até que um dia me separei e decidi ir curtir a vida. Cheguei ao ponto em que o meu salário era pouco para pagar as contas do bar”, lembrou.

Ao ver o salário do mês ser insuficiente para manter a sua dependência química pelo álcool, Manoel Messias começou a vender os seus bens. “Primeiro foi a moto, depois o carro. E assim fui negociando com os donos dos bares e bebendo cada vez mais”, disse Manoel, ao se mostrar arrependido pelos seus atos.

Apoio da família 

Ao se ver ficando sem nenhum bem, Manoel Messias resolveu escutar a sua mãe e uma vizinha, que ele considera como um anjo em sua vida. Elas foram as responsáveis por apresenta-lo ao projeto Anjos da Paz da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev).

“Elas me levaram para Delmiro Gouveia, onde conheci o pessoal que iria me acolher. Eram os Anjos da Paz. Quando vi o carro azul pela primeira vez até gelei, porque sabia que era a primeira oportunidade que eu iria ter depois de perder quase toda a vida para o álcool”, disse Manoel.

Após ser atendido pelos psicólogos e assistentes sociais dos Anjos da Paz, ele foi encaminhado para a comunidade acolhedora Sant’Onésimo, em Água Branca, onde passou por um tratamento voluntário totalmente gratuito por seis meses.

Para o filho de apenas 13 anos, Murilo Messias, o tratamento do pai foi um marco para a família. “Antes a gente não tinha quase nada em casa. Hoje, não falta nada. Tenho muito orgulho da pessoa que meu pai se transformou”, declarou.

Carinho dos 

alunos

Atualmente, Manoel Messias é motorista do transporte escolar do município de Mata Grande. Acorda cedo, toma seu café da manhã e sai de casa em casa buscando os estudantes do ensino fundamental.

“Quando estas crianças entram no ônibus é só alegria. Elas me chamam de tio e tem um carinho muito grande por mim. Esta é a minha alegria diária”, enfatizou Manoel Messias. E completou: “Este meu trabalho é uma benção. Agradeço todos os dias a Deus por ter me proporcionado este convívio com as crianças e por me possibilitar continuar longe da bebida, pois quem não trabalha, fica parado sem ter o que fazer, só vai procurar coisa que não deve”.

De acordo com a secretária de Estado de Prevenção à Violência, Esvalda Bittencourt, a história do Manoel Messias se confunde com a dos outros mais de 25 mil dependentes químicos que já foram acolhidos pela Rede Acolhe. “São histórias de superação de homens e mulheres que tiveram suas vidas devastadas pelas drogas e que hoje estão limpas e levando a vida normalmente. Cada dia é uma vitória diferente e deve ser comemorada”, destacou.

Os interessados, assim como Manoel Messias, em realizar um tratamento voluntário em uma das 37 comunidades acolhedoras credenciadas ao Governo do Estado, por meio da Seprev, podem entrar em contato através do 0800.280.9390 e solicitar uma visita dos Anjos da Paz.

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