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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 938 / 2017

11/09/2017 - 15:37:45

Independência ou dependência?

ELIAS FRAGOSO

Hoje vou pedir vênia ao nosso historiador mor, professor Douglas Apratto, reconhecida reserva moral a quem este estado muito deve e nosso mais brilhante cientista social, para me imiscuir só um pouquinho na sua seara: a história.

Nossa “independência” não passou de uma troca de donos. Saíram os portugueses, entraram os ingleses (para pagarmos por nossa “independência”assumimos dívida de Portugal junto aos ingleses) que ganharam três vezes: com os juros escorchantes cobrados que quase nos quebraram; ao se “apoderar” do ouro e outros metais valiosos (que nos haviam sido roubados por Portugal) para garantir proteção ao reino português contra os franceses e, pela dominação econômica que a Inglaterra passou a exercer sobre o Brasil (em algum momento, queriam até nos impingir comprar exclusivamente produtos ingleses ou de outros países, desde que “geridos” por eles).

No século que passou, mormente a partir do final da segunda guerra, trocamos a dominação inglesa pela americana (no auge da dominação americana, um ministro do exterior do Brasil chegou a afirmar que “o que era bom para os Estados Unidos era bom para o Brasil”) que  permanece, mas que começa a abrir espaço para os“nossos” mais novos futuros dominadores: os chineses. Somos a terra da vassalagem onde qualquer sotaque diferente, especialmente se oriundo de países desenvolvidos, coloca nossos dirigentes e empresários de quatro, num grau de subserviência similar aos eunucos. Continuamos até hoje nessa marcha  servil.

É preciso dizer que nossos esquerdistas sempre lutaram “denodadamente” para que esta dominação fosse de origem russa – à época do comunismo -  e mais recentemente terceiro mundista. Bolivariana (as pessoas deveriam conhecer melhor a história desse cara. Covarde e fujão...). Acham que devemos trocar a dominação do mercado pela pobreza da ditadura da foice e do martelo).

Mas o que pouco se cita é que nossos maiores espoliadores estão bem aqui. Secularmente sem dúvida alguma a classe política corrupta, “empresários” que não sustentariam seus negócios não fossem as tetas benevolentes do Estado e a casta do serviço público nos três níveis fizeram e continuam fazendo muito pior que nossos exploradores externos. 

Somos (e aí o PT tem papel decisivo) uma das nações mais corruptas do mundo; um país pobre, mas, dos países mais caros do planeta para se viver; nosso povo analfabeto ou quase isso (quase 70% de analfabetos funcionais) quase todo ele desempregado ou subempregado vive à base da chibata da polícia ou do domínio das drogas; nossa insegurança é a maior do mundo para um país que não está em guerra (matamos 60 mil pessoas por ano, muito mais que todas os conflitos existentes no planeta neste momento somados); as pessoas morrem à míngua porque “os de cima” cortam brutalmente as verbas da saúde que salvariam vida para manter as mordomias de juízes, promotores, congressistas e seus apadrinhados, dentre muitos outros; a Lava Jato, apesar dos resultados, é uma gota d’água neste oceano de corrupção que continua a nos assombrar e em plena atividade.

Não. Não somos independentes. Nunca fomos. Nossa elite intelectual, empresarial, política e governamental com raríssimas exceções, pedante por aqui, mas subserviente ao “colonizador” cultural, corporativo ou institucional estrangeiro, jamais deixou que este país alcasse o seu lugar no cenário mundial. No máximo nos permitiu assistir do proscênioa evolução das Nações ao longo de todos esses anos.

Não há o que se comemorar. Há, sim, tudo por fazer. Esta Nação precisa se reinventar. Deixar de ser a esperança da vez que nunca se concretiza. Para isso temos uma oportunidade histórica. As próximas eleições podem ser o marco divisor do país que somos para o país que desejamos. 

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