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14 de Novembro de 2018

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Edição nº 938 / 2017

11/09/2017 - 15:36:31

Ainda temos políticos como antigamente?

Jorge Morais

No final da semana que passou tive o prazer de presenciar o lançamento do livro do professor Marcelo de Melo Bastos (conhecido Marcelo Cursos), que recebeu o título Eleições em Alagoas 1978-2016, retratando as 20 últimas eleições no estado. O bom disso tudo é que o livro, muito bem elaborado, trazendo riquezas de detalhes, que poucos se lembram depois de tanto tempo, proporcionou a oportunidade de rever pessoas, políticos em especial, alguns que até fizeram parte dos relatos do professor e outros que foram testemunhas desse longo período documentado.

Rapidamente, já devorei um bom número de páginas. Alguns fatos registrados pelo professor Marcelo, posso até testemunhar, já que sou peça integrante deles, pois, como profissional da comunicação, trabalhei ou fui envolvido de alguma forma em campanhas por ele lembradas no período. Em outros momento, os bastidores levantados e pesquisados trazem acontecimentos que passaram despercebidos por mim ou não foram do conhecimento público, na época. Casos interessantes foram pesquisados, o que deve ter tirado muitas horas de sono do autor.

Baseado em tudo isso, apesar de ser apenas um curioso no assunto, acho que o livro será por muito tempo uma grande fonte de pesquisa e orientação, especialmente para os mais jovens que se envolvem com política sem conhecer a história, o seu passado. Agora não existe mais desculpa. Depois de Eleições em Alagoas 1978-2016 a ninguém é mais dado o direito de desconhecer o que se passou durante os últimos 30 anos, quando grandes nomes fizeram parte dessa história, alguns mais e outros menos, mas todos tiveram uma participação muito importante em tudo isso.

Remontando ao ano de 1978, o livro traz à nossa memória dois nomes que deixaram saudades no estilo de governar: Geraldo Melo (governador do Estado de Alagoas) e Dilton Simões (prefeito de Maceió), políticos comprometidos com a seriedade e a transparência na gestão pública e na utilização dos recursos. Antes deles, o estado e a capital tiveram a satisfação e a sorte de terem sido comandados por Afrânio Lages e João Sampaio, respectivamente. O primeiro, tomava conta da chave do cofre da Secretaria da Fazenda como se o dinheiro fosse dele. Não saia nada de lá se ele não soubesse seu destino.

Por outro lado, João Sampaio, indicado pelo governador Afrânio Lages para a Prefeitura de Maceió, terminou seu mandato conhecido como João Sem Medo, um tocador de obras e não menos cuidadoso com os recursos públicos. Acredito que tenha sido a partir dessas administrações que o estado de Alagoas deu um salto muito grande em governabilidade e crescimento, passando pelos dois primeiros mandatos de Divaldo Suruagy e outros tantos de Guilherme Palmeira. Não quero dizer com isso que os demais governadores não tenham tido participações importantes nessa trajetória, mesmo que muitos possam imaginar que, no passado, era mais fácil governar com verba a perder de vista, sem crise, e sem os muitos problemas de hoje.

Nada de pessoal contra ninguém, e longe de mim querer criar inimigos gratuitamente, mas dos vários capítulos lidos do livro do professor Marcelo Bastos, fico a me perguntar: onde foi que erramos? Ao título/pergunta desse artigo, se ainda temos políticos como antigamente, encontramos a resposta nas páginas do livro, com nomes extraordinariamente respeitados, e longe de quaisquer suspeitas, na nossa Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, em Brasília. Pesquise os nomes de 1978 e veja se tenho razão ou não, mesmo que, hoje, ainda se salvem algumas luzes no fim do túnel.

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