Acompanhe nas redes sociais:

18 de Novembro de 2018

Outras Edições

Edição nº 937 / 2017

04/09/2017 - 21:06:00

Coisa de política

CLÁUDIO VIEIRA

Certamente você já ouviu, ou leu, a expressão título. Quase com certeza você mesmo já a deve ter usado, provavelmente sempre em um contexto pejorativo, ainda que em tom jocoso. Como uma atividade secularmente construída por homens como Sólon; pensada e ensinada por outros como Sócrates, Platão e Aristóteles; praticada por outros mais, como Robespierre, Danton, Marat, Voltaire, para citar apenas os mais conhecidos revolucionários do Iluminismo francês; Washington, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, John Adams, que fundaram a pátria americana e mais Abraham Lincoln que a consolidou; Winston Churchill, que manteve unido e confiante o povo inglês durante a Segunda Guerra Mundial; os brasileiros Bonifácio de Andrada, Joaquim Nabuco, Rui Barbosa; como tal atividade, construída, pensada, ensinada e praticada por esses homens com o objetivo de promover a paz social, de resolver os conflitos da sociedade, tornou-se tão degradada entre nós?

Estarei sendo cáustico? Acho que não. Em socorro da minha causticidade crítica vêm as já inúmeras operações da Polícia Federal, as muitas denúncias da Procuradoria Geral da República, e as já esperadas sentenças do juiz Sérgio Moro e do STF contra políticos que até então fingiam exercer o poder de forma republicana. No momento em que escrevo esta crônica, a Câmara dos Deputados, que foi presidida por homens como Pedro Aleixo, Bilac Pinto, Célio Borja, é comandada por um deputado conhecido pela alcunha de Fufuca. Aliás, os apelidos correntes no meio, incorporados aos nomes dos nossos representantes, dizem bem quanto a nossa política foi degradada. Não esqueçamos também daqueles apelidos que a empreiteira Odebrecht atribuiu aos nossos próceres, levando-os ao deboche nacional. 

Como chegamos a isso? Se perguntarmos aos políticos, afogueados defenderão a sua legitimidade pelo voto recebido dos eleitores. Têm absoluta razão eles. Sem tergiversação, foram os nossos votos que os colocaram lá onde estão. A culpa é nossa, sem dúvidas. Mas, vejamos o outro lado da medalha: se lá os pusemos, cabe a nós, e apenas a nós, se não retirarmo-los à força de onde estão, impedirmos que retornem á política negando o voto àqueles que têm desrespeitado a nossa confiança e desonrado o nome da Pátria.

Não nos vejamos indignos sendo representados por políticos indignos.    


Comentários

Curta no Facebook

Siga no Twitter

Jornal Extra nas redes sociais:
2i9multiagencia