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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 937 / 2017

04/09/2017 - 21:05:04

Nada é nosso

Alari Romariz Torres

Viver muitos anos nos levam a acreditar em algumas certezas e nos faz ter medo do futuro.

Desde criança vamos percebendo que para se dar bem na vida torna-se necessário poupar algo, investir em coisas sérias.

Ouvia sempre de minha mãe e de meu pai: “Herança de pobre é estudo! Sua vida toda vai depender do que conseguir aprender durante anos e anos”.

 E lá vamos nós passando por colégios, fazendo amigos, imaginando a profissão que escolheríamos. Naquela época, as melhores profissões eram advogados, médicos, engenheiros, militares, dentistas, etc.

A escola pública era de boa qualidade e as faculdades poucas. Quem tinha condições ia para Recife ou Salvador procurar campos mais férteis. Os que ficavam por aqui tentavam frequentar os poucos cursos existentes.

Alguns jovens mais ricos iam para o Sudeste e por lá ficavam. Havia também os concursos que proporcionavam bons empregos: Banco do Brasil, Banco do Nordeste, INSS eram saídas mais simples, onde uma pessoa com 18 anos já começava a trabalhar e podia casar. Não era exigido curso superior para a maioria das repartições públicas, nem existia apadrinhamento político para conseguir o primeiro emprego.

Maceió não era tão grande e as famílias eram conhecidas uma das outras. Sabíamos quem eram os bons profissionais por conversas entre vizinhos. 

O tempo foi passando e fomos vendo vários exemplos de pessoas que lutaram muito para conseguir um lugar ao sol numa sociedade elitista.

No Farol, morava o vice-governador do Estado, Dr. Guedes de Miranda, homem simples, que passeava de um lado para outro em sua calçada no fim da tarde e conversava normalmente com todos os que por lá passavam.

À esquerda de nossa casa, morava o deputado estadual Aurélio Viana, que nem carro possuía. Brincava conosco e éramos amigos de seus filhos.

Na Fernandes Lima residiam médicos, militares, políticos, advogados, empresários. Todos homens simples, amigos dos amigos.

Lembro-me de um prefeito, Joaquim Leão, que morava num sítio perto de nossa casa e passava pela rua sem seguranças, só, conversando com os vizinhos. Fez um bom governo e ficou conhecido por sua humildade.

Poucos tinham carro naquele tempo e a maioria andava de bonde. Os estudantes de vários colégios da cidade desciam todos no bonde das sete.

A rua principal do Farol só tinha asfalto de um lado. No outro, de barro, onde passava o transporte coletivo, andávamos de bicicleta, jogávamos bola, brincávamos de garrafão.        

Era um tempo bom, sem violência, sem assaltos, e podíamos andar livremente pelas ruas da cidade. Encontrávamo-nos nas praças, namorávamos nas festas de fim de ano, íamos aos bailes com irmãos e amigos, sem medo de encontrar bandidos e ladrões.

Chegamos todos ao fim de nossas vidas e vejo fatos assustadores: usineiros famosos, que apesar de ricos, faliram, esfacelaram as próprias famílias. Políticos que constituíram grandes empresas de rádio, jornal ou TV, perderam quase tudo, e morreram na miséria. Agiotas conhecidos criaram filhos desunidos, morreram e deixaram de herança briga feia para os filhos. Advogados de renome que fizeram duas famílias, não passaram para os filhos seu saber jurídico. Médicos famosos que ficaram esquecidos, apesar de terem cuidado de muita gente.

E aí, chego à triste conclusão: tudo que amealhamos durante a vida toda não serve para muita coisa. Em nosso caixão só levamos uma roupa e um sapato; o resto...

É do Pai!!!


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