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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 937 / 2017

01/09/2017 - 08:43:07

Alagoas vai comercializar bioinseticida anti-dengue

Embrapa e empresa alagoana desenvolvem produto para controle do Aedes

José Fernando Martins [email protected]
Reunião discute lançamento do Bio-BTI; fórmula traz a ação de uma bactéria letal às larvas

Alagoas vai ser um dos estados pioneiros na comercialização em larga escala de um bioinseticida que tem a finalidade de combater a proliferação do Aedes Aegypti, mosquito transmissor da Dengue, Zika vírus, Febre Amarela e Chikungunya. Após dois anos de estudos, pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveram o Bio-BTI, um produto com concentração da bactéria Bacillus thuringiensis israelensis. 

A bactéria sintetiza cristais proteicos e tóxicos, que ao serem ingeridos pelas larvas, se dissolvem no intestino liberando as protoxinas que as levam à morte. Apesar de ser uma “arma biológica”, que ajuda no controle das larvas do mosquito, a pesquisadora Rose Monnerat garante segurança na utilização da bactéria e com o aval da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Inclusive, segundo ela, o Bio-BTI poderá ser utilizado até na água para o consumo humano. “Agora estamos aguardando a aprovação e a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”, informou ao EXTRA. Todos os testes de eficácia e laboratoriais já foram concluídos.

Na segunda-feira, 28, uma equipe da Embrapa e da empresa alagoana Strike Limpeza realizaram uma reunião para discutir estratégias de lançamento do bioinseticida. A expectativa é de que o BioBTI esteja disponível para a compra em supermercados e outros estabelecimentos no final do ano. 

Embora o foco seja o combate do Aedes, outros mosquitos vetores de doenças também poderão ser combatidos com o produto. É o caso do Culex, transmissor da Filaríase, mais conhecida como elefantíase, e do Anopheles, da Malária. 

“Como atendo hotéis, indústrias de alimentos e condomínios, sempre me questionavam sobre algum produto para controlar ou fazer o combate do mosquito. Procurando sobre o assunto, descobri que a Embrapa tinha uma pesquisa no setor de biológicos. Foi então que formamos um convênio de cooperação para desenvolver o produto”, explicou o diretor da Strike, Carlos Eduardo Guañabens.

Paralelamente ao lançamento do produto, a Embrapa busca parcerias com órgãos de saúde pública para fortalecer o combate a endemias por meio do uso adequado do bioinseticida. Ainda participaram do encontro os pesquisadores da Unidade de Execução de Pesquisa de Rio Largo (AL) da Embrapa, Aldomario Negrisoli e Elio Guzzo, e o diretor da Bio-Skills, empresa parceira da Embrapa em pesquisas com bioinseticidas, Carlos Marcelo Soares.

RESULTADOS

Este não é o único inseticida biológico desenvolvido pela Embrapa com o objetivo de combater as larvas do mosquito. Isso porque, desde 2005, está no mercado o Bt-horus, realizado em parceria com a empresa Bthek Biotecnologia. No entanto, não é produzido em larga escala no Brasil. O uso do bioinseticida trouxe resultados positivos durante teste em São Sebastião, no Distrito Federal. 

O produto foi distribuído e aplicado gratuitamente em cerca de 20 mil residências. O fato de ser biológico faz com que possa ser utilizado em todos os locais que acumulam água, como plantas, lagos e caixas d’água. E os resultados em São Sebastião foram acima do esperado: o índice de infestação, que era de 4% caiu para menos de 1%, considerado aceitável pela OMS.

 O Bt-horus também foi utilizado nas cidades de Três Lagoas (MS), Rio das Ostras (RJ) e Sorriso (MT) apresentando sucesso.

Estado registra 2.347 casos de dengue em 8 meses

Segundo dados do Ministério da Saúde, já foram registrados 2.347 casos prováveis de dengue, de janeiro a meados de agosto deste ano, em Alagoas. Em relação à Chikungunya, o número chega a 440 ocorrências. Já o Zika Vírus teria infectado 149 pessoas. As informações foram recolhidas via Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). 

Para combater a dengue e outras doenças causadas pelo mosquisto Aedes é necessário acabar com os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do inseto. Para isso, é importante não acumular água em latas, pneus velhos, vasinhos de plantas, jarros de flores, garrafas, caixas d´água, tambores, latões, cisternas, sacos plásticos e lixeiras, embalagens, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, entre outros. (Com assessoria)

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