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16 de Novembro de 2018

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Edição nº 936 / 2017

28/08/2017 - 19:40:28

Alagoas registra mais de mil homicídios em 7 meses

Bruno Fernandes Estagiário sob supervisão da Redação

Durante entrevista concedida à imprensa no começo do mês de agosto, o secretário de Estado da Segurança Pública, o coronel PM Paulo Domingos Lima Júnior, comemorou a redução no número de homicídios em Alagoas. O acontecimento foi em decorrência dos “apenas” 107 Crimes Violentos Letais e Intencionais registrados em julho, a menor taxa dos últimos nove anos.

Embora a SSP afirme que tem motivos para comemorar, os dados divulgados pelos Núcleo de Estatística e Análise Criminal (NEAC) da pasta mostram que a realidade é bem diferente se compararmos os primeiros sete meses dos anos de 2015 e 2016 com o de 2017.

Em 2015, apenas nos sete primeiros meses, foram registrados 1082 homicídios, em 2016, o número subiu para 1090. Ainda de acordo com os dados, no mesmo período em 2017 não foi diferente, o número de crimes violentos aumentou e chegou a 1137. Desses crimes, 94,2% foram contra homens e 5,8% foram vítimas do sexo feminino. 

A grande maioria dos homicídios aconteceram em locais públicos. Cerca de 74,9% dos homicídios foram contra jovens de cor parda e pobres, 52% tinham entre 18 e 29 anos. Em 75% dos casos, as vítimas foram mortas com a utilização de arma de fogo. Segundo o relatório, os finais de semana no estado são os dias mais violentos. Desde o começo do ano, sábado e domingo somados registraram 467 crimes deste tipo.

Como em todos os anos, a cidade de Maceió continua liderando o ranking; dos 1137 crimes violentos, 412 aconteceram na capital alagoana, seguida por Arapiraca, no agreste do estado, que registrou apenas 80. Nas duas maiores cidades, as vítimas têm características semelhantes, em sua maioria são homens jovens, pardos ou negros que foram mortos com a utilização de armas de fogo dos mais variados calibres. “Parece que ele virou apenas mais um nas estatísticas para passar na TV”, diz a estudante de enfermagem Carol Silva, 21, que teve um amigo vítima de homicídio em março deste ano no bairro do Vergel do Lago. Ninguém foi preso.

Como confirmado pelos dados, as taxas de violência relacionadas a homicídios cresceram nos últimos dois anos, e embora o secretário de Segurança Pública, Lima Júnior, tenha assumido o cargo em março de 2016, após o antigo secretário, Alfredo Gaspar de Mendonça. ter que deixá-lo após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu membros do Ministério Público de exercerem cargos fora da instituição, a alta taxa desse tipo de crime parece perseguir ambos os gestores.

Cenário nacional 

Em âmbito nacional, o Brasil já ultrapassou a marca dos 28 mil assassinatos cometidos neste ano. De acordo com dados fornecidos ao Jornal Estadão pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, no primeiro semestre o País chegou a 28,2 mil homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios (roubos seguidos de morte). 

São 155 assassinatos por dia, cerca de seis por hora nos estados brasileiros. O aumento é puxado pelas elevações em estados nordestinos, devido às constantes disputas relacionadas ao tráfico de drogas que explicam grande parte do constante aumento, principalmente na região Nordeste que abriga quatro dos 11 Estados mais violentos do Brasil

Durante a entrevista no começo do mês em comemoração aos baixos índices, o secretário explicou que a alta taxa de homicídios registrada no primeiro trimestre do ano teve relação direta com a guerra de facções, confirmando a semelhança nas altas taxas registradas em todo o país, mas assinalou que as ações da Segurança Pública conseguiram evitar a continuidade delas e, dessa forma, reduzir a incidência de homicídios no estado.

Ações em 

Alagoas 

Em nota, a Secretária de Segurança informou que desde abril as ações de segurança têm surtido efeito e refletido na redução do número de crimes e que o estado vem investindo em ações de segurança e também em equipamentos para as polícias Civil e Militar para atuarem no combate ao crime. A SSP lembra também que Alagoas deixou de ser o estado mais violento do Brasil em 2015, como apontou o Atlas da Violência, confeccionado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea). 

A Polícia Militar conta hoje com 7021 policiais na ativa. Foram investidos R$ 20 milhões na construção do novo Instituto Médico Legal (IML) de Maceió, além de investimentos do governo do Estado de R$ 8.540.000,00 para a construção de sete Centros Integrados de Segurança Pública nos municípios de Boca da Mata, Cajueiro, Girau do Ponciano, Murici, Ouro Branco, São José da Laje e São José da Tapera.

Mais R$ 7.125.00,00 serão investidos para a construção de outros cinco CISPs, além de R$ 2.800.000,00 para a reforma do Instituto de Criminalística (IC). 

Até o fechamento desta edição, o órgão, junto com a Polícia Civil de Alagoas, não conseguiu coletar dados referentes a taxa de solução desses 4828 crimes de homicídios registrados de janeiro de 2015 a julho de 2017. 


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