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21 de Novembro de 2018

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Edição nº 936 / 2017

28/08/2017 - 19:38:00

Outro memorável político

CLÁUDIO VIEIRA

Alagoas tem produzido políticos de projeção nacional, motivo porque usemos sentirmo-nos orgulhosos dessa representação. Infelizmente, nem sempre, ou quase nunca, temos efetiva razão para louvarmos nossos representantes, desencanto que vem sendo aguçado pelas revelações da Lava Jato, operação capitaneada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, órgãos de Estado que chamaram a si a tarefa de, expondo as mazelas da política nacional, talvez purificá-la para as próximas gerações.

Nos últimos anos venho me dedicando à produção de trabalho sobre a Política, o Estado e a Democracia, atrasando-me no tempo a insaciável pesquisa sobre os temas. Nesse pesquisar encontrei interessante texto de Bonavides, prestigiado constitucionalista brasileiro, sobre a legalidade e a legitimidade do poder político. Resumindo a legalidade, diz o autor ser ela “a acomodação do poder (político) que se exerce ao direito que regula”.  A assertiva do constitucionalista levou-me a refletir que em nosso meio dá-se, via de regra, exatamente o contrário, ou seja, os nossos próceres esforçam-se em sujeitar o direito ao poder político que dominam. Não é isso o que temos visto atualmente no cenário nacional? Não estão os nossos representantes centrados no esforço de mudar as leis em seu favor, protegendo-se dos tentáculos da Lava Jato? Diante desses fatos preocupantes, temos visto a Democracia brasileira transmudar-se, sem a menor cerimônia, em oligocracia, ressuscitando antigos privilégios da aristocracia medieval.

A observação de Bonavides remeteu-me, também, a olhar os políticos, notadamente os alagoanos, e, igualmente a Diógenes (o grego de Sinope), encontrar algum que se enquadre no conceito de legalidade do exercício do poder político, chegando à conclusão de que temos, sim, políticos dos quais devamos orgulharmo-nos. Poucos, lamentavelmente. Recentemente perdemos um, o amigo Murilo Mendes. Mas ainda tenho outro amigo que nos eleva a autoestima. Infelizmente, José Costa (Zé Costa para os eleitores) abandonou o batente da atuação política para dedicar-se ao mister de advogado. Perdeu a Política; ganhou a Advocacia. Mas conservo cativo o meu voto.

Certamente há alguns outros minguados, exercendo ou não o poder político. De Guilherme Palmeira, João Sampaio, também afastados, já falei em outras ocasiões. Tomaz Nonô é bom exemplo dentre aqueles que ainda estão na lide. Quem mais? Não cansarei de procurar, ação que deveriam ter todos os eleitores antes de compromissos que enrubesçam a consciência.  

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