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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 936 / 2017

28/08/2017 - 19:29:53

Duas vagas de senador em 2018

Odilon Rios Especial para o EXTRA
Crítico do governo federal, Benedito de Lira percorre todo o estado e deixa claro que pretende a reeleição

om a definição cada vez mais caminhando para uma disputa entre Renan e Rui, crescem as articulações para as vagas no Senado. São dois os candidatos “naturais” porque disputam a reeleição, Renan Calheiros, do PMDB, e Biu de Lira, do PP. Os dois se enfrentaram em 2010 e Biu, no auge do prestígio junto ao governo Lula, apareceu como o candidato que mais obras realizou e que mais recursos transferia para os municípios. Foi a época do Ministério das Cidades e do programa de aceleração do crescimento, o PAC, que construiu centenas de obras, incluindo mais de cem mil casas no programa Minha Casa, Minha Vida; a maior parte delas inauguradas e entregues com a presença do senador do PP. E isso garantiu a Biu mais votos que a Renan.

Eleito senador, Renan Calheiros não perdeu Alagoas de vista mesmo nos momentos mais tensos do Senado, quando sua presença era imprescindível. Continuou a receber prefeitos e vereadores em Brasília, e visitar os municípios, quase sempre sem a companhia de Renan Filho. 

Mas, sua grande jogada foi a de se afastar do governo Temer. Renan que acredita em pesquisas e sabe que Temer tem rejeição recorde em Alagoas, de mais de 80%, calculou o desgaste que representa para uma eleição em 2018 ter que defender a reforma trabalhista e da previdência num estado de assalariados pobres e meio milhão de previdenciários. 

Daí, essa posição tem dois benefícios diretos: 

1) por não estar participando do governo federal, Renan saiu de cena das denúncias contra Temer e seus ministros, reaproximando-se de setores críticos no Congresso e, 

2) fortaleceu o discurso e a imagem de um político preocupado com os interesses mais amplos. Nos dois casos, ganha mais votos ou pelo menos, deixa de perder.

Com o surgimento de outras candidaturas e a divisão na disputa para o Senado, o nome mais forte é o de Biu de Lira. É o crítico mais duro do governo Renan Filho no Senado e permanece ativo junto aos seus cabos eleitorais do interior e capital. Como ele e seu filho, o deputado federal Arthur Lira (PP), têm prestado total apoio ao governo Temer, receberão de Brasília o que for preciso para derrotar Renan Calheiros. 

Hoje ele tem acesso a todos os ministérios e continua trazendo recursos para seus aliados. Semana passada, Biu esteve com Geraldo Alckmin que lhe garantiu suporte para a campanha no próximo ano. A coligação de oposição terá 40% do tempo de rádio e televisão- portanto, excelente palanque eletrônico, onde Biu de Lira sabe manejar o horário eleitoral.  

Mas, outros nomes querem disputar a vaga do Senado. O mais ostensivo é Marx Beltrão, que vai asfaltando seus caminhos com o roteiro conhecido, que é o de aproximação dos políticos órfãos da presença de Téo Vilela ou que não votam mais em Biu de Lira, ao tempo que vai buscando uma sigla para se abrigar, provavelmente o PSD. 

Se Marx Beltrão crescer nas pesquisas e nos votos do interior é possível que Renan faça uma dobradinha exclusiva com o ministro do turismo, mas se isso não acontecer, Renan Calheiros pedirá votos para ele próprio liberando o segundo voto de vereadores e prefeitos seus cabos eleitorais, que poderiam ir para Biu de Lira, Téo Vilela ou mesmo Heloísa Helena. Neste caso, Beltrão voltaria a ser candidato a reeleição como deputado federal.

A ex-senadora Heloísa Helena (Rede) oscila entre ser a candidata majoritária em Alagoas para ajudar a ex-senadora Marina Silva (Rede), que já anunciou a candidatura a presidente, e ora parece não querer mais disputas eleitorais. 

Téo Vilela continua de bico tucano calado e retraído desde que a denúncia contra ele foi reaberta na Operação Lava Jato no caso das propinas da Odebrecht. 

Para os mais próximos, Téo garante que será candidato, mas que somente anunciará em 2018. Mesmo sem declarar candidatura, Heloisa Helena e Téo Vilela têm mostrado força nas recentes pesquisas eleitorais.

O ex-deputado federal João Caldas também lançou seu nome ao Senado. Para quase todos os analistas, é mais uma jogada de marketing do pai do deputado federal JHC (PSB), uma forma de se manter em evidência, como fez na semana passada, ao anunciar a vinda a Maceió do candidato Jair Bolsonaro, para quem faz campanha. 

Outro nome ventilado para candidaturas majoritárias é o de Tereza Collor, a filha de João Lyra e ex-mulher de Pedro Collor, que poderia se filiar a um partido de oposição para concorrer contra a frente liderada por Renan.

O peso de duas cidades 

Pelo peso econômico, político e eleitoral, as duas maiores cidades alagoanas – Maceió e Arapiraca – serão palcos de disputa política mais forte. Com mais de 570 mil eleitores, a capital alagoana abriga um quarto do eleitorado em disputa nas eleições de 2018. Não é gratuita a atuação do governador Renan Filho em projetos de caráter local, na cidade de Maceió, como a construção de conjuntos habitacionais, hospitais, estradas ligando os bairros e, principalmente uma ação social nas grotas da cidade, através do programa “Pequenas Obras, Grandes Mudanças”, que obrigou o prefeito Rui Palmeira a criar seu antídoto, o programa “Nosso Bairro”. Foi na capital, na disputa para governador, que Renan Filho venceu com facilidade, ainda no primeiro turno, o atual senador Biu de Lira nas eleições de 2014. 

E foi também em Maceió que Rui Palmeira venceu dois fortes adversários, Ronaldo Lessa, em 2012, e Cícero Almeida em 2016, este com quase o dobro dos votos.  

No próximo ano, Rui Palmeira poderá contar com um nome de maior densidade eleitoral na vice, o deputado estadual Rodrigo Cunha (PSDB). Para alguns líderes da oposição, essa chapa venceria com folga em Maceió e Arapiraca, terra de Rodrigo Cunha, apoiada, principalmente, na classe média, segmento que tem demonstrado pouca simpatia com os Calheiros. 

A segunda batalha será na capital do fumo. Com 135 mil eleitores, Arapiraca tem uma particularidade, a capital do Agreste influencia o voto de, pelo menos, dez outras localidades vizinhas, que juntas têm mais de 200 mil votos. Neste município, estão dois fortes adversários do atual governo, o prefeito Teófilo Rogério (PSDB) e Rodrigo Cunha. Mais de um terço dos votos dos alagoanos será decidido nestes dois centros eleitorais.

O voto da esquerda 

Nesta polarização, a esquerda partidária caminha, na sua maioria, para votar em Renan Filho. O PCdoB apoiou e está no governo desde o início. Sem força para apresentar majoritários, os comunistas devem lançar uma chapa de deputados com muitos nomes novos para promovê-los para a campanha municipal. O PDT rompeu com o prefeito Rui Palmeira e voltou ao governo e, portanto, em aliança com o PMDB. O deputado federal Ronaldo Lessa é, agora, uma das vozes mais ouvidas no Palácio dos Martírios, reatando com Renan Filho a relação que teve no passado com o senador Renan Calheiros. 

O PSB perdeu de vez a liderança da Kátia Born, afastada da presidência para dar lugar ao deputado federal JHC, que prometeu ampliar o PSB com novas filiações. O grupo de Kátia está indo para o PDT, onde se reencontrará com muito de seus antigos companheiros de partido, que foram do PSB e saíram para acompanhar Ronaldo Lessa em 2005. 

Com um partido mais forte, o PDT fará campanha para Ciro Gomes a presidente da República. O PSB está negociando o apoio a Renan Filho, assim como o Podemos, o décimo partido político ao qual o deputado federal Cícero Almeida se filiou. Os dois, Cícero e JHC, são candidatos à reeleição.

O PT rompeu, saiu do governo estadual, logo após a votação do impeachment de Dilma Rousseff, mas nunca ficou na oposição a Renan Filho. Para o deputado federal Paulão (PT) é hora de somar na frente anti-Temer, liderada, em Alagoas, por Renan. O PT, apesar de ser o partido de Lula, luta apenas para eleger um deputado estadual e dará toda sua carga na reeleição de Paulão e na campanha presidencial.  

A surpresa nas novas adesões ao governo estadual é o PPS. A nomeação de Régis Cavalcante para a Secretaria de Ciência e Tecnologia foi compreendida como um passo do governador na formação de uma frente mais ampla, na medida em que o PPS apoiou Téo Vilela, sempre criticou Renan Calheiros e ainda está no governo Temer, apesar de formalmente afastado. 

No dia da posse de Régis, o PPS oficializou o apoio à reeleição de Renan Filho. Com a aproximação destes partidos na frente liderada por Renan, sobram espaços políticos e eleitorais para candidaturas como a do PSOL, nomes alternativos e da própria Rede, com o prestígio que ainda persiste da ex-senadora Heloísa Helena.

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