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17 de Novembro de 2018

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Edição nº 936 / 2017

24/08/2017 - 17:25:50

Carlos Lyra liderou setor açucareiro em Alagoas

Das 25 usinas, metade já fechou e as demais estão insolventes

José Fernando Martins [email protected]
Carlos Lyra, irmão de João Lyra, era um dos empresários de maior referência em Alagoas

O industrial Carlos Lyra, ícone do setor sucroalcooleiro nordestino, viveu o suficiente para testemunhar o maior sinal, até o momento, da decadência da lavoura canavieira e o início do fim do ciclo do açúcar em Alagoas.  Das 25 usinas do estado, metade já quebrou junto com milhares de fornecedores. Este ano, a produção de cana pode chegar, com muito custo, a 13 milhões de toneladas. 

É um número bem preocupante para um estado que chegou a moer mais de 30 milhões toneladas em tempos áureos. O cenário atual é bem diferente e distante de uma Alagoas com usinas operando a todo vapor.  Hoje, as indústrias que sobrevivem acumulam dívidas impagáveis junto a trabalhadores e plantadores de cana. Nem o Grupo Carlos Lyra, dono de três usinas em Alagoas e uma em São Paulo, escapou da crise, com uma dívida de R$ 1 bilhão. 

“Todos os usineiros estão em crise, que vem se arrastando nos últimos quatro anos. É o resultado de uma política errada do Governo do PT (Lula e Dilma), que segurou o preço da gasolina e forçou o mercado a só produzir açúcar”, explica o presidente da Associação dos Plantadores de Cana (Asplana), Edgar Filho. Com a desvalorização do açúcar, mais de 80 usinas do país fecharam as portas. Em Alagoas, de 25 unidades, 16 ainda insistem na cultura.

“No ano passado, o mercado teve uma boa reação e deu uma retomada. Isso possibilitou que os usineiros pagassem cerca de 60% da dívida de aproximadamente R$ 250 milhões com os fornecedores. O nosso maior problema é com a Cooperativa de Usineiros, que não demonstra nenhuma programação para quitar o que deve”.

Segundo Filho, além de todos os percalços econômicos, a safra ainda está atrasada em decorrência da seca de 2016. “A colheita da cana que era para começar em agosto foi adiada para a segunda quinzena de setembro. Já alguns vão colher apenas em outubro”. 

Segundo o economista e professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Cícero Péricles, o ciclo da cana está se retraindo e diminuindo o peso que tinha na economia estadual. “Em 2011, o setor tinha uma plantação de 450 mil hectares. Esse número caiu para 300 mil hectares. Isso significa que a cultura no estado precisa de muito capital para se recuperar e não tem esse dinheiro”.  

Questionado se seria o fim da indústria da cana em Alagoas, o presidente da Asplana mantém a esperança. “Não acredito no fim do ciclo da cana, mas acredito em um novo modelo de gestão, em que haverá uma seleção natural das usinas e só aquelas que fizerem boa administração e bons investimentos se manterão na atividade. E essa seleção natural é atuante. Vemos isso nas usinas que já fecharam e nas próximas que estão prestes a sucumbir”, finalizou. 

HISTÓRICO

Carlos Lyra, um pernambucano que investiu tudo em Alagoas

De família centenária na indústria açucareira (1892), Carlos Benigno Pereira de Lyra Neto, irmão do também usineiro João Lyra, nasceu em Pernambuco. Era formado em Engenharia Química, nos Estados Unidos, e em Contabilidade pela Faculdade de Comércio de Pernambuco. Foi fundador e presidente do Grupo Carlos Lyra.

A história do grupo teve início no ano de 1951, quando o empresário assumiu a Algodoeira Lagense S/A. A empresa, com sede no município alagoano de São José da Laje, atuava no ramo de compra, processamento e comercialização de algodão, milho, mamona e café.  

Em 1965, Carlos Lyra adquiriu sua primeira unidade industrial no município alagoano de São Miguel dos Campos. A Usina Caeté S/A, Matriz, produz açúcar, etanol e bioeletricidade. Em Alagoas, o conglomerado possui ainda mais duas usinas: a Unidade Marituba, situada no município de Igreja Nova, e a Unidade Cachoeira, localizada em Maceió.

O industrial expandiu o Grupo Carlos Lyra para a região do Triângulo Mineiro, onde projetou e implantou a Unidade Volta Grande, em Conceição das Alagoas, e adquiriu a Unidade Delta, no município de Delta.

Além do Sudeste, o empresário implantou sua sexta unidade industrial no Oeste paulista. A Unidade Pauliceia, em Pauliceia, uma das mais modernas plantas industriais do país, retrata a concretização de um sonho de expansão para o Centro-Sul do Brasil.

Além do setor sucroenergético, o industrial investiu nos segmentos têxtil, táxi aéreo, radiodifusão e pecuária, gerando mais de 14 mil empregos diretos. Carlos Lyra faleceu no domingo, 20 de agosto, aos 92 anos, em sua residência em Maceió. 

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