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15 de Novembro de 2018

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Edição nº 935 / 2017

21/08/2017 - 15:56:07

Chamem dona Nice

CLÁUDIO VIEIRA

Dona Nice é nossa se secretária do lar. Está comigo há muitos anos. Já saiu e voltou, meu filho arrependido por tê-la dispensada, lamentavelmente com a minha aprovação. Minha neta é apegada a ela, chama-a por “tia Nice”. E ela é mesmo uma tiazona, dessas muito queridas pelos sobrinhos. Ela é insubstituível no  resolver os problemas de desaparecimento de coisas dentro de casa. “Chamem dona Nice!”, é o que se ouve sempre que algum de nós perde alguma coisa. Se o objeto estiver dentro de casa, dona Nice sem dúvidas encontrará. Nesse particular, a grande “esquecedora” é minha netinha, hábil em perder a inseparável chupeta. Já adquiriu o hábito, e, quando não eu, é a tia Nice solicitada em busca do apetrecho.

Dona Nice discretamente interessa-se por política, principalmente depois dos escancarados escândalos da Lava-a-jato. Quando estoura algum, é só me ver lendo as notícias que ela me indaga: e agora, doutor? Esse político vai mesmo ser preso? Ou então: o que o político tal ou qual está dizendo é verdade, é mesmo inocente? Nesse último caso, olho-a, pensando se ela espera mesmo encontrar um da espécie que seja sincero e adepto da verdade. Após o refletir, minhas respostas são em geral de dúvidas: difícil!, Hum! Esse aí já nasceu mentindo. D. Nice ri e invariavelmente diz: é mesmo, e a gente não sabe mais em quem acreditar... desses políticos.

As observações e respostas de d. Nice levam-me a pensar que ela está acumpliciando-se com Diógenes de Sinope na busca de um político honesto. Não quero desanimá-la, mas sua lida é difícil. Claro que há, mesmo entre nós, um ou outro político honesto, adepto da verdade.  Mas, qual o futuro que terá esse fruto raro? Com esse sistema político brasileiro, nenhum! Com essa reforma política que pretendem nos impingir, menos ainda! Ainda assim otimista, gostaria de dizer a d. Nice que dentre os pouquíssimos a merecer nossa fé acaba de falecer, o meu respeitado amigo Murilo Mendes, deixando o Brasil, e Alagoas em particular, um pouco mais pobre de homens públicos. Todavia, tenho dito a d. Nice que a mudança em toda essa bagunça que os nossos representantes fizeram do nosso País depende única e exclusivamente de nós, os eleitores.

Jamais canso de afirmar isso. Afinal, se perdermos a esperança, só nos restará o fundo do poço.

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