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23 de Setembro de 2018

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Edição nº 935 / 2017

20/08/2017 - 11:18:26

Maceió tem aumento de 958% no número de casos

Doença é transmitida principalmente por via sexual, através da bactéria treponema pallidum

Sofia Sepreny Estagiária sob supervisão da Redação

O número de casos de sífilis adquirida aumentou significativamente na capital alagoana, acompanhando a epidemia registrada no país em abril deste ano. Doença sexualmente transmissível (DST), a sífilis é transmitida principalmente por via sexual, através da bactéria treponema pallidum. 

Em Maceió, o número de sífilis adquirida, a que se pega através da relação sexual sem proteção, pulou de 51 casos no ano de 2016 para 540 em 2017, isto até este mês de agosto. Este aumento é de 958%. Os registros são da Gerência de Análise da Situação de Saúde de Maceió.

Segundo o infectologista alagoano Fernando Maia, o aumento exorbitante que transformou a doença em epidemia (confirmada pelo Ministério da Saúde) pode ter sido por diversos agravantes. “Os principais fatores podem ser a falta de uso de preservativos, o aumento do número de parceiros sexuais, o aumento da atividade da bactéria”, afirma.

“No ano passado, houve desabastecimento da principal droga para o tratamento, a penicilina. Este fator pode ter contribuído para o aumento”, completa o infectologista.

Já em âmbito nacional, dados do Ministério da Saúde revelam que em 2010 foram notificados 1.249 casos de sífilis adquirida. Em 2015, apenas cinco anos depois, esses números saltaram para 65.878, um aumento de mais de 5.000%.

E esse fenômeno não é exclusivo no Brasil. A Organização Mundial de Saúde estima que todos os dias sejam diagnosticados pelo menos um milhão de novos casos de infecções sexualmente transmissíveis por dia e, dentre elas, uma que chama muita atenção é a sífilis. Estima-se que, a cada ano, cerca de 131 milhões de pessoas são infectadas pela clamídia, 78 milhões pela gonorreia e quase seis milhões pela sífilis, sem contabilizar outras infecções sexualmente transmissíveis, como por HIV, HPV, herpes e hepatites virais.

A doença pode apresentar várias manifestações clínicas e em diferentes estágios (sífilis primária, secundária, latente e terciária). Nos estágios primários e secundários da infecção, a possibilidade de transmissão é maior. 

Em relação ao tratamento, no caso da sífilis primária, uma única dose de penicilina benzatina intramuscular já é o suficiente para a cura. Na fase secundária, normalmente são aplicadas duas doses de penicilina benzatina com um intervalo de uma semana entre as duas. Já na fase latente, são oferecidas três doses. 

As consequências dos casos de sífilis variam quanto à gravidade e agravamento da doença. A falta de tratamento pode causar cegueira, demência e más formações no caso de fetos. Em bebês, os sintomas são diversos, mas o pior caso é quando atinge o sistema nervoso central. O bebê pode apresentar microcefalia, ter convulsões, malformações múltiplas, deformidades ósseas, lesões de pele e renais podendo chegar a fatalidade.

Em entrevista para o Globo News em abril deste ano, o infectologista Francisco de Oliveira alertou para as consequências da infecção: “Há comprometimentos muito sérios do sistema nervoso central, com doença neurológica, com quadros de demência, manifestações auditivas, oculares, com manifestações cardíacas e ósseas. É importante lembrar que não existe uma vacina. A única forma de prevenir a sífilis é através do sexo seguro”.

Diagnóstico 

A Secretaria Municipal de Saúde disponilibiliza o Teste Rápido (TR) de sífilis nos principais pontos de serviços de saúde do SUS. O teste prático e de fácil execução, tem leitura do resultado em até trinta minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial.

Quando o TR for utilizado como triagem, nos casos positivos (reagentes), deverá ser realizado um teste laboratorial (não treponêmico) para a confirmação do diagnóstico.  Em caso de gestantes, o tratamento deve ser iniciado com apenas um teste positivo (reagente), sem precisar aguardar o resultado do segundo teste.

Entendendo a diferença Sífilis Congênita

É uma doença transmitida de mãe para criança durante a gestação. As complicações dessa forma de doença: aborto espontâneo, parto prematuro, má-formação do feto, cegueira, deficiência mental ou morte ao nascer.

Ao nascer à criança pode ter pneumonia, feridas no corpo, cegueira, dentes deformados, problemas ósseos, surdez ou deficiência mental. Em alguns casos a sífilis pode ser fatal.

A ocorrência de sífilis congênita é um agravo evitável e indica falha na assistência no pré-natal. Os casos de sífilis congênita em Maceió diminuíram de um ano para cá. Foram 268 ocorrências em 2016 e até o momento foram computadas 174.

Sífilis adquirida

A transmissão da Sífilis Adquirida é sexual, na área genitoanal, na quase totalidade dos casos.

Sífilis Gestacional

A ocorrência de sífilis em gestantes evidencia falhas dos serviços de saúde, particularmente da atenção ao pré-natal, pois o diagnóstico precoce e o tratamento da gestante são medidas relativamente simples e bastante eficazes na prevenção da doença. Os registros foram de 165 em 2016, e até agora 151 casos

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