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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 935 / 2017

20/08/2017 - 11:09:03

Jorge Oliveira

Jorge Oliveira

Rebelião no 

Ministério Público

Brasília - Antes do que se esperava começou a rebelião dentro do Ministério Público. A um mês de deixar o cargo de procurador-geral da República, Rodrigo Janot lê na imprensa o que jamais gostaria de ver escrito: o procurador Ivan Marx, do Ministério Público em Brasília, afirmou com todas as letras que o empresário Joesley Batista e executivos do Grupo J&F esconderam, em suas delações premiadas, crimes praticados contra o Banco Nacional de Desenvolvimento e Social (BNDES). Pronto, começou a declaração de guerra à imunidade judicial dos Batista. Marx pretende apresentar denúncia pelos crimes investigados e cobrar mais R$ 1 bilhão da empresa por prejuízos ao banco.

Mas antes que isso aconteça, o Ministério Público tem que puxar o freio de um novo adversário da Lava Jato, que tem falado muita bobagem desde que assumiu a presidência do BNDES, como, aliás, é próprio dos os economistas quando se metem a discutir política. Trata-se do presidente do banco, o senhor Paulo Rabello de Castro.  Depois de dizer em uma palestra que o combate à corrupção é “fundamental, imprescindível e inadiável” no Brasil, no alto da sua prepotência, ele cutucou os procuradores que investigam o roubo do dinheiro público no banco, dizendo que é preciso ensinar aos procuradores que da “caneta deles saem desemprego e fechamento de empresas”, a mesma tese que a dupla Lula/Dilma tentou emplacar para desestabilizar as investigações e incentivar as centrais sindicais a ir às ruas fazer badernas a pretexto de lutar contra o desemprego no país. 

Olha que coisa: o economista argumenta que não sobrou praticamente uma única grande empreiteira com cadastro (saudável) para fazer o próximo negócio dentro do banco. Rabello demonstra, com isso, a insensibilidade dos economistas frios e burocráticos para entender que o dinheiro público que chegava a essas empreiteiras saia pelo ralo para sustentar políticos corruptos e encher os bolsos, inclusive, dos que o colocaram para administrar o banco.

São esses lordes da economia, que ainda dão as cartas, que enterraram o Brasil, com diagnósticos fantasiosos, nos últimos 50 anos. O senhor Rabello faz parte desse grupo siberiano. Quando emite essas opiniões de gaveta, mostra que não está nem um pouco preocupado com o rombo dento do banco provocado pelos irmãos na era petista. Esquece que precisa urgentemente recolocar o BNDES no rumo do desenvolvimento e no trilho da honestidade, pois é isso que espera os brasileiros do seu banco de desenvolvimento social. Dessas tolices de economistas de prancheta como Rabello o Brasil já cansou. A turma dele é incapaz de acertar um prognóstico que dure mais do que 24 horas.

Fraudes

Responsável pela Operação Bullish, Marx é o procurador que investiga as negociatas do BNDES com a família Batista. Ele já concluiu que as fraudes em empréstimos bilionários feitos ao conglomerado estão confirmadas nas apurações. Veja o que ele fala: “Onde eu digo que eles estão mentindo é no BNDES. A Bullish apontou problemas em mais de R$ 1 bilhão em contratos. Os executivos vão lá, fazem uma delação, conseguem imunidade e agora não querem responder à investigação”. Com essas afirmações de Marx pode se dizer que não há dúvida quanto a omissão dos Batista nas fraudes aos bancos oficiais, evidentemente com a cumplicidade dos petistas que dirigiam o governo. Portanto, soa estranho quando Rebello quer culpar os procuradores pelo desemprego e a falência das empresas envolvidas nas maracutaias. 

Teta

A mamata entre as empresas da família Batista pode ser contabilizada em números. Senão vejamos: Entre os anos de 2005 e 2014, quando o país esteve nas mãos do PT, o BNDES emprestou R$ 10,63 bilhões ao grupo J&F para que os rapazes de Goiânia, até então donos de açougues, comprassem outras empresas, transformando o grupo em líder mundial no mercado de proteína animal. Na época, Lula e Dilma espalharam a notícia de que o Brasil estava então criando suas multinacionais e abandonávamos, assim, para sempre, o nosso “complexo de vira-lata”. Ou seja: saia dos cofres públicos brasileiros bilhões para gerar emprego e renda lá fora. E os nossos vira-latas, ora os nossos vira-latas!, continuaram sem a sua nobre linhagem familiar. 

Os crimes

Depois dessa euforia de Brasil grande com o dinheiro do trabalhador, sabe-se agora, por delação premiada dos Batista, que a transação só ocorreu no banco porque o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, recebeu propina para concretizar a negociata. Por isso, Marx acha que devem ser processados tanto os gestores do banco quanto os executivos da família Batista na condição de coautores. São do procurador essas palavras: “O BNDES não fez isso sozinho. Foi sempre por demanda deles (JBS)”.  Os crimes, na sua opinião, estão “muito bem detalhados” no inquérito. E arremata: “A empresa errou quando se esqueceu que o problema dela é o BNDES.” 

Ocultação

A operação Bullish avalia agora a possiblidade de outros crimes. Se de fato isso ocorreu, a delação premiada dos Batista corre sério risco de ser denunciada por ocultação de informações valiosas que levariam o país a ter de volta os bilhões que saíram do BNDES e foram parar na contabilidade do grupo, responsável pela distribuição ilegal de mais de 1 bilhão de reais para comprar o silêncio e a cumplicidade de políticos e lobistas corruptos envolvidos em seus negócios fraudulentos. 

Apuração

Na verdade, alguns procuradores nunca engoliram essa imunidade judicial dada aos Batista depois da delação premiada. Eles acham que os irmãos escondem ainda muita mutreta, algumas das quais envolvendo a família do ex-presidente Lula que estaria umbilicalmente envolvida com os donos da JBS. Uma coisa, porém, todos concordam: a delação de Joesley e seu irmão podem cair se outros crimes aparecerem durante as investigações. O mais grave deles é a distribuição dos bilhões de reais que Joesley confessou terem sido distribuídos para políticos e lobistas corruptos. 

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