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22 de Setembro de 2018

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Edição nº 935 / 2017

17/08/2017 - 21:28:03

Condenados reafirmam não conhecer Janadaris

Álvaro Douglas e Elivaldo afirmam que ataque a advogado foi a mando do namorado da camareira

Vera Alves [email protected]
Álvaro Douglas e Elivaldo afirmaram terem sido chamados por namorado de Maria Flávia para dar um susto no advogado

O julgamento era dos atiradores Álvaro Douglas dos Santos e Elivaldo Francisco da Silva, ambos de 24 anos, mas o nome mais citado na audiência do Tribunal do Júri realizada na quarta, 16, no Fórum Desembargador Ernande Lopes Dorvillé, da Comarca de Marechal Deodoro, foi o de Janadaris Sfredo. A advogada gaúcha que durante cinco anos foi proprietária da Pousada Ecos do Mar, na Praia do Francês, é para o Ministério Público Estadual a mandante do crime praticado em março de 2014 e que vitimou o advogado alagoano Marcos André de Deus Félix.

Condenados a 24 anos de reclusão, mas reduzidos para 18 anos no caso de Álvaro, e para 21 no caso de Elivaldo, eles são os responsáveis pelos tiros deflagrados contra Marcos André na manhã do dia 14 de março. Interrogados durante o julgamento, reafirmaram o que já tinham dito nas duas audiências processuais: foram chamados por Juarez Tenório da Silva Junior para dar um susto no advogado. Marcos André, conforme esta versão, estaria assediando a namorada de Juarez, a então camareira Maria Flávia dos Santos.

A versão, contudo, foi fortemente rechaçada pelo promotor de Justiça Silvio Azevedo que a denominou de “estória da carochinha”. O representante do MP sustentou sua acusação basicamente no inquérito policial comandado pelo delegado de polícia Jobson Cabral, hoje aposentado. Não houve apresentação de provas colacionadas ao longo da instrução processual, reforçando a tese da defesa de Janadaris Sfredo de ausência de diligências no curso da instrução. 

E o inquérito policial é taxativo: Janadaris mandou matar Marcos André porque ele era um desafeto seu desde 2010, quando se envolveram num acalorado processo de disputa judicial referente a uma outra pousada no Francês, a Lua Cheia, então de propriedade dos italianos Pietro La Rosa e Paola Carducci. Pietro, aliás, viria a figurar na vida da advogada gaúcha como autor de um bilhete anônimo que a apontava como mandante do crime que vitimou o advogado alagoano. Ainda assim, jamais foi inquirido pela polícia, pelo MP ou pela Justiça. Há mais de um ano votou para a Europa.

A versão de Álvaro Douglas (Alvinho) e Elivaldo (Vado) foi também rebatida pela camareira Maria Flávia durante a sessão do Tribunal do Júri. A única pessoa que teria ouvido Marcos André quando agonizando, logo após ser baleado, pedir “Não deixe ela me matar” , negou que tivesse sido assediada de qualquer forma pela vítima. “Ele apenas cumprimentava com bom dia e boa noite”, firmou.

Camareira da pousada de Janadaris na epoca do crime, ela hoje reside em Guarda dos Guerreiros, na cidade de São Gotardo, em Minas Gerais, foi intimada por carta precatória no dia 21 de junho para comparecer ao julgamento da quarta.

ADVOGADO DE RÉU PODE SER PUNIDO 

Juarez Tenório, o ex-namorado da camareira Maria Flávia, que segundo os atiradores os teria contratado, também deveria ter sido julgado esta semana e chegou a ser levado ao fórum. Mas, 20 minutos após o início da sessão, seu advogado, Antônio Pimentel Cavalcante, protocolou por meio de terceiros ofício pedindo o adiamento da sessão alegando problemas de saúde que o impediam de se fazer presente. Como prova, anexou dois receituários da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogi – embora resida no bairro da Serraria, em Maceió. O juiz Helestron Silva da Costa, que presidiu a sessão, não se fez de rogado. Determinou que a Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas seja comunicada do fato e adote providências para punir o advogado, já que sua conduta prejudicou a defesa do réu. Levou em conta para esta decisão o fato de sequer haver menção ao tipo de problema de saúde nos receituários, um do dia 15 de agosto e outro do próprio dia 16, data do julgamento, assinados pela mesma médica, Selma Maria Galvão Sia de Queiroz (CRM 708 AL).

Juarez é quem poderia esclarecer ser ou não verdadeira a versão dos atiradores, mas tal indagação só poderá ser feita agora quando for levado a julgamento, em data ainda a ser definida. Desde 2014 ele está em uma cela no Presídio Cyriridão Durval, onde também estão presos Alvinho e Vado. 

Os réus confessos foram aconselhados pelo promotor Silvio Azevedo e pelo assistente da acusação, o advogado Alessandre Laurentino de Argolo, a confirmarem que Janadaris Sfredo os havia contratado mediante a promessa de pagamento. Isto ajudaria a reduzir a pena, disseram ambos. A insistência chegou a provocar um acalorado debate entre a defesa de Álvaro Douglas, feita pelos advogados Márcio Roberto Tenório de Albuquerque Júnior e Joanisio Pita de Omena Junior, e Argolo, que terminou sendo mediada pelo juiz Helestron Silva. 

Elivaldo Francisco teve sua defesa na sessão do júri a cargo do defensor público Gustavo Lopes Paes.

FAMÍLIA DIZ TER SIDO FEITA JUSTIÇA

Uma das duas testemunhas de acusação a depor no júri, Manuella Alessandra de Deus Félix, irmã de Marcos André, afirmou que a justiça havia sido feita em parte, ao comentar a condenação dos atiradores. Mas frisou que ela somente será completa quando Janadaris Sfredo for condenada. Em seu depoimento, afirmou que o irmão era uma pessoa de boa índole e que sofria perseguições contínuas por parte da advogada gaúcha.

Janadaris permanece presa na Penitenciária Feminina de Guaíba, no Rio Grande do Sul. Não foi julgada em Alagoas em função de um recurso estrito contra sua pronúncia que está em trâmite no Superior Tribunal de Justilça (STJ). O júri de Alvinho e Vado foi acompanhado por um de seus defensores, o advogado Anderson Carlos Taveiros da Silva.


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