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20 de Novembro de 2018

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Edição nº 934 / 2017

14/08/2017 - 19:47:46

Celebremos a normalidade

CLÁUDIO VIEIRA

UFA! Superada a denúncia criminal contra o presidente da República, o País já respira ares de normalidade. Os sinais desse retorno à vida despreocupada estão bem claros: o presidente atribui o seu livramento condicional à vitória do estado democrático de direito, e prepara-se para cumprir com os pagamentos pelo apoio que recebeu; Lula, condenado pela Justiça brasileira, apresta-se para liderar a sua macaqueada coluna prestes; políticos brasileiros, que nada mais têm a fazer aqui, dada a normalidade reinante entre nós, preparam-se para ir à Venezuela resolver os problemas da ditadura vizinha, reclamados que são pelo sofrido povo venezuelano. A Lava Jato continua a forçar o caminho pedregoso da punibilidade. O juiz Moro, indiferente às questiúnculas do Judiciário, continua a cumprir o seu dever constitucional. Mais normal, impossível. Assim, deixemos de lado o noticiário nacional e reflitamos sobre a terrinha.

Avizinha-se o pleito de 2018 e os políticos agitam-se para serem mantidos em suas cadeiras, ou conquistarem novas. Em Alagoas nada é diferente. A mídia local divide-se partidária de uns ou de outros. As pesquisas eleitorais, manipulando a vontade popular, ou a ela antecipando-se, ora apontam um, ora outros, como já eleitos. Os virtuais candidatos negam a pretensão; outros ufanam-se do seu desempenho. “Tudo como d’antes, no quartel de Abrantes”. 

Nesse mundo de normalidade política, prefeito da capital e governador digladiam-se, mesmo negando. Arrumam-se em apoios, ajeitam as grotas, uma guerrilha de serviços que só beneficia a cidade. Ótimo! Mas (sempre há o inquietante mas) subjacente a isso, guerreiam por apoios políticos, um pretendendo fragilizar o outro. Partidos políticos ouriçados pelo troca-troca ensaiam mudanças de posições, alheios aos compromissos assumidos ao custo do erário, até porque apenas mudariam de cofres. Nesse contexto, nenhum dos dois – prefeito e governador – poderão estar seguros dos seus apoiadores ocasionais, pois o interesse é o único guia de todos. E, diga-se de passagem, merecem mesmo essa instabilidade, o desassossego de se verem traídos: ambos fatiaram seus governos, distribuíram benesses com o chapéu alheio, fingiram coalizão e praticaram cooptação, trataram a coisa pública como sua herdade. Plantaram e agora devem colher, como no Eclesiastes, pois há tempo para tudo; ou mais ao chão, plantaram ventos e agora colhem suas tempestades.

É uma pena que as coisas aconteçam assim. Não digo a respeito do governador, pois, seguindo seu DNA, compraz-se na busca de domínio pelo domínio. Mas condói-me ver o prefeito, outrora tão centrado no servir à cidadania, engolido pelo dragão da ambição política chã.        

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