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25 de Setembro de 2018

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Edição nº 934 / 2017

14/08/2017 - 19:46:14

Lamento ou comemoro

Jorge Morais

Na semana passada o Brasil acompanhou mais um “grande” espetáculo, quase beirando as apresentações circenses, com todo respeito que esses artistas merecem e que a comparação está sendo feita em péssima hora, com os parlamentares se utilizando dos microfones da Câmara dos Deputados para  votar pelo SIM, arquivando o pedido feito pela Procuradoria Geral da República, na pessoa do procurador Rodrigo Janot, de afastamento do presidente Michel Temer para o início do julgamento que poderia culminar com mais um impeachment, ou pelo Não, dando prosseguimento à ação.

Pelas articulações do Palácio do Planalto, em especial de Michel Temer, que patrocinou uma série de encontros com os deputados, e o que não faltou foi jantar no Palácio do Jaburu, residência oficial do presidente, além dos bilhões de emendas parlamentares liberadas, como uma forma de garantia do sim em plenário, que para a oposição foi um toma lá da cá, prática rotineira na República. Não era de se esperar outro resultado naquela sessão plenária. Como das outras vezes, no impeachment dos ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff, fosse pelo Sim ou pelo Não, as mesmas desculpas e as mesmas choradeiras.

Nesse momento, fico a me perguntar: lamento ou comemoro a decisão? Lamentar, estaria reprovando a decisão. Comemorando, estaria apoiando o resultado da votação. E o que significa isso agora? Em que muda a nossa vida com Michel Temer fora do governo ou indo até o final do seu mandato em dezembro de 2018? Com uma popularidade baixíssima, provavelmente fruto das propostas de mudanças nas leis trabalhistas e previdenciárias, do que mesmo das denúncias de desvios de verbas feitas pelos empresários Joesley Batista e Wesley Batista, o presidente segue governando o País como se nada tivesse ocorrido.

Sem dar valor ao que dizem sobre ele, Temer segue falando em reformas; autoriza negociações de dívidas; trabalha a união dos partidos que formam a base de sustentação na sua totalidade, recado dado principalmente ao PSDB; traça planos e projetos para mais um ano e meio de governo. Pergunto: isso é bom ou ruim para o governo e o povo? Como não tenho nada a lamentar ou comemorar, entendo, mesmo, é que a gente precisa melhorar a nossa qualidade de vida, ter a garantia de mais empregos, mesmo tendo que passar o País a limpo dessa roubalheira toda, por meio da justiça, juntamente com as operações desencadeadas pela Policia Federal.

Quem acha que o Brasil vai melhorar ou mudar com Rodrigo Maia (DEM/RJ) que levante o dedo. Quem acha que, a partir daí, acabaram todos os nossos problemas, que se manifeste agora. Quem garante que a oposição vai se sentir satisfeita só com a saída do Michel Temer, pode aplaudir. Claro que o Temer foi considerado pela oposição um traidor, como Calabar, mesmo que alguns defendam o contrário da história achando-o um herói. Temer foi acusado de golpista, ajudando a destituir o Partido dos Trabalhadores do governo. Continuo dizendo que nem lamento e nem comemoro, porque não tenho clareza como o País vai ficar ou se comportar daqui para frente.

Hoje, seja na Câmara dos Deputados seja no Senado da República, existem resistências quanto a uma boa parte de nossos representantes no Congresso Nacional. Nas discussões políticas, a pergunta mais comum é: quem está impune a tudo? Todos, governo ou oposição, estão comprometidos com verbas de campanha, algumas comprometidas com obras no futuro e de caixa 2, como sempre ocorreu no passado e  no presente. Quanto ao futuro, só Deus sabe o que é possível ocorrer diante da astúcia e da sabedoria dessa gente.  

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