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19 de Setembro de 2018

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Edição nº 934 / 2017

14/08/2017 - 19:37:30

Servidores do Ifal podem ser expulsos do serviço público

AMEAÇA DE DEMISSÃO DE QUATRO SINDICALISTAS PROVOCA PROTESTOS CONTRA A INSTITUIÇÃO

Maria Salésia [email protected]
Professor Wilson Ceciliano foi agredido em 2014; servidores voltaram ontem a protestar contra a ameaça de demissão

Quatro servidores do Instituto Federal de Alagoas (Ifal), campus Satuba, podem ser demitidos do serviço público por “desobediência grave em serviço”. A acusação data do ano de 2014, período de greve na instituição, mas só agora saiu a decisão do processo administrativo movido pela direção do Instituto. O grupo, que tem até o próximo dia 14 para apresentar defesa, diz que tudo não passa de perseguição política.

Os servidores fazem parte do quadro efetivo do campus Satuba, são dirigentes sindicais e naquele ano participaram ativamente da greve. Segundo o professor Wilson Ceciliano, não houve qualquer desobediência a chefia imediata, pois estavam em uma greve que foi considerada legal pela Justiça. “Esse processo se arrasta há três anos e sempre que existem rumores de greve eles reacendem o caso. A gente quer que este pedido de demissão seja revertido, pois não tem qualquer fundamentação”, argumentou Ceciliano.

O professor esclareceu que em 2014 pertencia ao campus Santana do Ipanema e mesmo assim entrou na lista dos possíveis demitidos. Para ele, a medida é absurda, pois a perseguição não é por ele fazer parte do quadro do campus Satuba e sim por fazer oposição à gestão. O processo ainda terá que passar por alguns trâmites. Porém, se condenados, o presidente do Sindicato dos Servidores Federais Profissional e Tecnológica no Estado de Alagoas (Sintietfal), Hugo Brandão; o tesoureiro da entidade, Gabriel Magalhães; a diretora juídica, Elizabete Patriota; e o diretor de políticas associativas, Wilson Ceciliano, perderão os cargos conquistados através de concurso público.

Ceciliano relembra de um episódio em que foi vítima no campus Satuba durante o período da greve. Embora pertencesse ao de Santana, foi até aquela instituição e teria sido agredido por estudantes e pais de alunos que insistiam para que os grevistas desocupassem o prédio e as aulas retomassem. À época, um vídeo feito por sua esposa grávida de oito meses e que sofreu pressão para parar com a filmagem, mostrando cenas da violência sofrida pelo professor foi divulgado nas redes sociais e imprensa. Fotos de Ceciliano com o rosto ensanguentado também foram exibidas. Segundo a vítima, alguém que participava do tumulto o atingiu na cabeça com um capacete a ponto de desmaiar. O professor reclma que apesar da gravidade do problema, nenhum processo administrativo foi aberto para investigar o caso. 

Em sua rede social, o sindicato da categoria mantém um abaixo-assinado onde pede assinatura em repúdio à punição dos servidores. “Quatro servidores do Ifal podem ser demitidos do Ifal por lutarem e defenderem uma educação pública gratuita e de qualidade. Os quatro sindicalistas foram agredidos por alunos na greve de 2014 e ainda estão sendo injustamente acusados de insubordinação e provocar a violência. Fortaleça essa corrente contra a criminalização do movimento sindical”, diz o texto. Há ainda nota de repúdio “à restrição da liberdade de atuação sindical e à criminalização dos lutadores do movimento sindical no IFAL”.

ESCLARECIMENTO

Em nota, a assessoria do Ifal disse que o processo está na fase de defesa. E  esclareceu que “até o presente momento não recebeu o Relatório Final dos trabalhos da Comissão com os autos do processo, a fim de que seja analisado pela Procuradoria Federal e deliberado pelo Reitor, que nesse caso é a única autoridade com competência para emitir decisão final”.

MANIFESTAÇÃO

Desde o anúncio da decisão pelo pedido de expulsão dos servidores, o Sintietfal tem se manifestado em apoio aos acusados. O último ato aconteceu na quinta-feira (10), na Reitoria do Ifal, na Jatiúca, em Maceió. Na ocasião, os manifestantes se mostraram contrário ao PAD e defenderam educação pública  de qualidade. 

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